Novidades

09 SET
Teste: Peugeot 3008 1.6 THP Griffe

Teste: Peugeot 3008 1.6 THP Griffe

O novo 3008 perdeu um pouco do ar de minivan e assumiu de vez o estilo SUV

O novo 3008 perdeu um pouco do ar de minivan e assumiu de vez o estilo SUV (Leo Sposito/Quatro Rodas)

Tomados pelo desejo e pela necessidade de sucesso, funcionários das fábricas costumam pesar a mão ao falar dos atributos dos carros.

Jornalistas que sabem disso, por sua vez, cuidam de pegar leve em relação ao que ouvem. No caso do novo Peugeot 3008 não foi diferente.

Mas, no primeiro contato que tive com o carro, à medida que ia observando suas características, eu me lembrava das palavras do pessoal da Peugeot e era forçado a concordar com eles.

Os executivos falavam em “estilo impactante” e, de fato, o visual do 3008 impressiona ao vivo.

As lanternas divididas em três seções, duas delas na tampa

As lanternas divididas em três seções, duas delas na tampa (Leo Sposito/Quatro Rodas)

Externamente, ele é bem trabalhado, com vários elementos, mas ao mesmo tempo compacto e sem exageros que agridem o olhar, como ombros largos demais. Por dentro, o design é mais impactante.

Cabine i-Cockpit (que envolve o motorista)

Cabine i-Cockpit (que envolve o motorista) (Leo Sposito/Quatro Rodas)

Antes de dar a partida, gastei longos minutos só observando painel, banco, porta e experimentando os dispositivos a bordo. Tateei o friso que ladeia o console e senti a superfície fria (sinal de que é alumínio mesmo), ao contrário dos demais frisos, como nas saídas de ar, que estavam na temperatura ambiente (indicando que são de plástico).

Usando tato e olfato, atestei que os bancos são revestidos de couro legítimo, coisa cada vez mais rara no segmento do 3008, e que no painel há uma faixa de tecido, na cor cinza, de bom gosto e agradável ao toque.

Bancos de couro vêm com massageador

Bancos de couro vêm com massageador (Leo Sposito/Quatro Rodas)

Atrás, cabem três adultos com conforto. Os assentos têm altura adequada, os encostos têm inclinação correta, o espaço para as pernas é suficiente para pessoas de estatura mediana e há recursos com iluminação e saídas de ar-condicionado.

Há cinto de três pontos para todos

Há cinto de três pontos para todos (Leo Sposito/Quatro Rodas)

O porta-malas é amplo: leva 521 litros, sem rebater o banco traseiro bipartido.

Porta-malas tem piso que se nivela com rebatimento dos bancos

Porta-malas tem piso que se nivela com rebatimento dos bancos (Leo Sposito/Quatro Rodas)

O 3008 será oferecido somente na Griffe, a R$ 139.990. Será mais caro que rivais como Jeep Compass 2.0 Limited (R$ 129.990) e Hyundai New Tucson (R$ 138.900).

No lançamento, porém, ele terá preço promocional de R$ 135.990 (no período que vai de 20 de junho a 30 de julho). Entre os itens de série, o painel de instrumentos digital rouba a cena com sua tela de 12,3 polegadas.

Mas, em concordância com o discurso dos executivos que anunciaram um carro “recheado de equipamentos”, o Peugeot tem mais para mostrar.

Indo diretamente para a lista de equipamentos de série, o 3008 vem com central multimídia (compatível com os sistemas Apple e Android), recarga de celular por indução, ar-condicionado dual zone, bancos dianteiros elétricos com massageador e teto solar panorâmico, entre os itens de conforto.

Conta-giros tem varredura no sentido anti-horário

Conta-giros tem varredura no sentido anti-horário (Leo Sposito/Quatro Rodas)

No que diz respeito à segurança, a lista segue com seis airbags, ESP, assistente de partidas em rampas e faróis full led.

Depois de conferir o conteúdo, saí com o SUV e ele continuou a fazer boa figura. Ainda no estacionamento, a alavanca de câmbio em forma de joystick causa um certo estranhamento, mas é simples de usar: fixa na base, é só incliná-la para a frente e para trás.

câmbio joystick traz modernidade ao interior

câmbio joystick traz modernidade ao interior (Leo Sposito/Quatro Rodas)

O volante pequeno e achatado na base e no alto do aro logo se mostrou rápido e fácil de manusear. Rodando pela cidade, notei que a direção elétrica fica mais firme com o aumento da velocidade, enquanto a suspensão proporciona um rodar macio e silencioso (desde que o motorista se mantenha longe dos buracos).

Os engenheiros calibraram o 3008 para que se comportasse como um automóvel e não como um SUV típico. Apesar das rodas grandes (aro 19), o motorista não se sente montado sobre os quatro pneus, como acontece em um SUV convencional.

Ao volante do 3008, não fosse a posição de dirigir elevada, ficaria fácil confundir sua tocada com a de um cupê. A calibração da direção me lembrou a do Fiat Toro, com sua relação direta.

E a da suspensão me pareceu a do Audi RSQ3, com curso bastante curto para um SUV. Faltou só um pouco mais de rigidez torcional à carroceria para que o 3008 se aproximasse ainda mais de um SUV esportivo, como é o caso do RSQ3.

O 3008 traz o motor 1.6 THP, com turbo, injeção direta de gasolina e 165 cv de potência (na versão flex que equipa o sedã 408, esse motor rende 166 cv com gasolina e 173 cv com etanol). O câmbio automático de seis marchas tem opção de trocas no modo manual no volante.

Na pista de testes, o 3008 correspondeu às expectativas criadas sobre seu comportamento, com boas marcas nas provas de desempenho. Foi de 0 a 100 km/h em 9,8 s e retomou de 60 a 100 km/h em 5,4 s – é melhor que o Compass 2.0 (166/159 cv), que fez 12,3 s e 6,8 s, respectivamente.

E conseguiu isso sem fazer feio no consumo, com médias de 10,2 km/l na cidade, e 13,8 na estrada (ante 8,0 e 11,0 do Jeep). Na hora de frear, vindo a 80 km/h, precisou de 28,0 m para parar (o Compass fez 29,5 m).

Apesar de tantas virtudes, o Peugeot não é perfeito. Por um problema de aerodinâmica, a água da chuva corre pelos vidros laterais e dificulta a visibilidade dos retrovisores.

Na cabine, a parte inferior do painel à esquerda do volante é de plástico duro, contrastando com o material emborrachado do restante.

Comandos por teclas dão tom futuristas

Comandos por teclas dão tom futurista. No fundo do console, sistema de carregamento de celular por indução (Leo Sposito/Quatro Rodas)

E, na unidade avaliada, havia peças desalinhadas, como o friso de alumínio do console (que formava um pequeno degrau na junção com a parte de plástico), e o friso cromado acima do porta-luvas não encontra com a sua continuação na porta.

No lançamento, o 3008 terá uma oferta especial: os 30 primeiros compradores ganharão um patinete elétrico da marca. Porém, todos eles já foram vendidos. A Peugeot diz que o brinde mostra o compromisso com as formas alternativas de transporte individual para o futuro.

Veredicto

O 3008 é bonito por fora e por dentro, anda bem, gasta pouco e tem preço interessante no segmento.

Teste (com gasolina)

Aceleração de 0 a 100 km/h: 9,8 s
Aceleração de 0 a 1.000 m: 31 s – 168,6 km/h
Velocidade máxima: 206 km/h*
Retomada de 40 a 80 km/h: 4,3 s (em D)
Retomada de 60 a 100 km/h: 5,4 s (em D)
Retomada de 80 a 120 km/h: 6,9 s (em D)
Consumo urbano: 10,2 km/l
Consumo rodoviário: 13,8 km/l

Ficha técnica – Peugeot 3008 THP Griffe

Preço: R$ 135.990
Motor: gas., diant., long., 4 cil., 16V, turbo, injeção direta, 1.598 cm3; 165 cv a 6.000 rpm, 24,5 mkgf 1.400 rpm
Câmbio: automático, 6 marchas, tração dianteira
Suspensão: McPherson(dianteira) / eixo de torção (traseira)
Freios: discos ventilado (dianteira) e sólido (traseira)
Direção: elétrica
Rodas e pneus: liga leve, 235/50 R19
Dimensões: comprimento, 444,7 cm; largura, 190,6 cm; altura, 162,5 cm; entre-eixos, 267,5 cm; peso, 1.567 kg; tanque, 53 l

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

14 DEZ
Lançar um modelo só na versão mais cara também tem seus riscos

Lançar um modelo só na versão mais cara também tem seus riscos

Equinox estreou na versão topo de linha Premier (Christian Castanho/Quatro Rodas) Na vida, aprendemos desde cedo que devemos começar por baixo para evoluirmos com o tempo. Na indústria automobilística, porém, essa regra é desrespeitada. Cada vez mais modelos estreiam só na versão cara e, tempos depois, ganham configurações mais baratas. O Kicks é um bom exemplo. Chegou em julho de 2016 na versão top, SL, seis meses mais tarde, em... Leia mais
13 DEZ
Grandes Brasileiros: GT Malzoni

Grandes Brasileiros: GT Malzoni

Foram produzidas menos de 50 unidades no final dos anos 1970 (Christian Castanho/Quatro Rodas) Criar um carro faz parte do sonho de boa parte dos meninos. Mas, daí para a realidade, as chances são quase as mesmas de se tornar um super-herói. Já para o universitário Francisco “Kiko” Malzoni, que intercalava os estudos na faculdade de economia com modificações nos carros que dirigia, a empreitada não exigiria superpoderes. E... Leia mais
13 DEZ
Por que alguns carros só ligam com a embreagem pressionada?

Por que alguns carros só ligam com a embreagem pressionada?

Exigência de alguns carros não tem a ver com durabilidade do motor de partida (Divulgação/Honda) Em alguns carros não basta girar a chave para acordar o motor. O motorista precisa apertar a embreagem para então acionar a partida. Mas por que isso é necessário? Para descobrir a razão, perguntamos para Ford e Hyundai – ambas fabricantes que exigem o procedimento em seus carros equipados com câmbio manual. Não são as únicas,... Leia mais
13 DEZ
Guia de usados: Volkswagen CrossFox

Guia de usados: Volkswagen CrossFox

  No facelift de 2010, hatch perdeu quebra-mato e faróis de milha (Marco de Bari/Quatro Rodas) Idealizado como carro-conceito, o CrossFox foi uma das maiores atrações do Salão do Automóvel de 2004. A versão aventureira do Fox conquistou o público com uma suspensão 31 mm mais alta, rodas de 15 polegadas, pneus 206/60, faróis de milha, faróis de neblina, quebra-mato, estribos, barras no teto e o polêmico estepe pendurado na... Leia mais
13 DEZ
Dez veículos marcados pelo trabalho que exerceram

Dez veículos marcados pelo trabalho que exerceram

Dobradinha inglesa Ônibus de dois andares (Divulgação/Internet) Os ônibus de dois andares vermelhos são a cara de Londres. É fruto do trabalho duro do Routemaster, fabricado pela Associated Equipment Company (1954 a 1968). Sobreviveu nas ruas até 2012, ano em que a cidade sediou os Jogos Olímpicos. Alistamento militar Jeep Willys (Divulgação/Internet) O Jeep fez sua fama nas Força Armadas americanas na Segunda... Leia mais
13 DEZ
70% dos brasileiros não comparece aos recalls das marcas

70% dos brasileiros não comparece aos recalls das marcas

Maioria da população não comparece aos recalls (Divulgação/Audi) Sete em cada dez carros que circulam nas ruas não atendem aos recalls das montadoras. Como mais de 90% desses chamamentos são realizados para reparos em itens de segurança, significa que uma quantidade expressiva da frota roda com equipamentos suscetíveis a falhas. O dado é do Ministério da Justiça: o índice de adesões a convocações é de cerca de 28%. “O... Leia mais