Novidades

05 JAN
O carro que você pode dirigir na França sem habilitação

O carro que você pode dirigir na França sem habilitação

Se você planeja dirigir na França, tome cuidado - um veículo bem particular pode avançar em sua direção na próxima esquina. A jornalista Carolyn Brown, que vive parte do ano na região francesa da Bretanha, conta uma lição de vida que aprendeu sobre um carro bem pequeno. Confira o relato abaixo.

Perder a carteira de habilitação na Inglaterra é algo sério - é caro e, para dizer o mínimo, inconveniente.

Mas não ter carteira na França? Sem problemas. Você pode simplesmente comprar um VSP (carro sem habilitação, na sigla em francês) - um pequeno veículo de dois lugares com o qual qualquer pessoa acima de 14 anos pode cair na estrada com apenas quatro horas de experiência no volante - ou às vezes nem isso.

É impossível saber quantos carros desse tipo existem no país, pois não há dados oficiais. É o que os franceses chamam de "chiffre noir" - uma quantidade indefinida.

Você provavelmente ouvirá esses veículos se aproximando, em um som agudo como uma máquina de costura em força máxima. Se você acabar atrás de um deles numa pequena estrada rural de pista única, paciência. A velocidade máxima é de 45 km/h, então pode ser uma boa ideia encostar e apreciar a vista.

Em dia de feira em uma pequena cidade na Bretanha, os carrinhos tomam a rua principal. E embora a tradução literal seja "carro sem habilitação", na verdade é o motorista que não precisa se preocupar com qualquer prova de habilidade no volante.

O veículo chegou a ser considerado algo anacrônico que cairia em desuso, mas continua sendo um meio vital de transporte para uma população rural em envelhecimento. Na maior parte dos casos, os carrinhos parecem cair aos pedaços, com gambiarras segurando peças soltas e pinturas caseiras.

Minha advogada reconhece que fica nervosa às quintas-feiras - dia de feira. Sobretudo pelas senhoras mais velhas. O problema, ela diz, é a herança. Um marido que dirigiu a vida inteira morre e o carrinho se torna herança da viúva.

Como é impossível viver por aqui sem carro, ela irá dirigir até a cidade, nervosa e em ritmo de tartaruga. Não causará muitos danos porque está bem devagar. O seguro só ficará caro se ela machucar alguém - na maioria das vezes é apenas um retrovisor quebrado ou um arranhão, e a seguradora assume os custos.

Eu digo à senhora como me impressiono com o fato de os VSPs ainda existirem. "Bem", ela diz, dando de ombros, "há pessoas que dirigem sem carteira em carros muito mais potentes e perigosos."

O fato é que há muitos condutores que perdem a habilitação porque adoram beber pastis, o licor de anis típico da França, vão até uma loja de VSPs e, pronto, estão de volta às ruas.

Sim, eles precisam ter seguro obrigatório, que pode sair caro (até 85 euros, ou R$ 360 por mês) caso você tenha um histórico de apreço pelo álcool. Uma concessionária séria não lhe venderá um carro a menos que apresente um seguro, mas pegar um VSP emprestado de um amigo pode ser fácil.

Fui perguntar no bar do meu bairro, mas os frequentadores foram tímidos ao expressar suas razões para dirigir sem habilitação.

Um deles me disse que o exame teórico para conseguir a permissão é muito difícil. Mas em um momento mais vazio, o dono do bar me contou o que disse ser uma história recorrente.

Um de seus clientes perdeu a habilitação e comprou um VSP bem velho. Quando recuperou a carteira, vendeu o carrinho a um colega de copo que havia acabado de perder a habilitação. O VSP trocou de mãos mais uma vez e, cerca de um ano depois, o dono original (que não deixou de lado o carinho pelo pastis) o comprou de novo.

O garçom também deu de ombros: "As coisas são assim". Curiosa sobre o nível de exigência dos vendedores, eu fui até a loja local de VSPs, que também vende tratores e cortadores de grama.

O vendedor diz comercializar cerca de três unidades por semana. Então eles venderiam um carrinho a qualquer um que apareça? "Sim, mas desde que tenha seguro."

E se esse comprador não souber o que fazer em uma rotatória? O vendedor diz que leva o interessado para uma volta - se ele e o carro voltarem inteiros, ele fecha o negócio. "É uma grande responsabilidade, não?", pergunto. Outro sinal de indiferença.

Agora estou de olho na nova geração de VSPs. Dou uma volta no último modelo - chamado, sem ironia, de "esportivo" (a velocidade máxima continua em 45 km/h).

Por cerca de 14 mil euros (cerca de R$ 60 mil reais), o carrinho tem ar-condicionado, câmera traseira e som de primeira, itens essenciais para o novo público-alvo.

Microcar, Axiam, Ligier e outras empresas estão focando a publicidade em jovens urbanos. Você não pode dirigir VSPs em estradas ou vias expressas, mas eles são baratos e fáceis de estacionar.

As empresas também visam os pais em suas propagandas. Desde novembro, adolescentes acima de 14 anos podem dirigir VSPs. Os veículos são considerados mais seguros do que motos elétricas e ajudam a escapar do clichê do serviço de "táxi da mamãe".

Jovens ao menos precisam passar em um exame teórico sobre o código de trânsito francês (exigência dispensada para quem nasceu antes da última mudança na lei, em 1988) e dirigir acompanhados por um mínimo de quatro horas, mas ninguém precisa fazer teste prático para encarar as ruas em um VSP.

Então, se você prefere estar seguro em vias francesas, é bom se manter longe do "apito" característico desses carrinhos.

Fonte: G1

Mais Novidades

22 JUN

Dia Internacional do Fusca: apaixonados pelo carro mantêm tradição familiar

"Cada Fusca é o espelho do seu dono, ele se destaca por ser único". É assim que o recepcionista de São Carlos (SP) Robson de Paula Castanheiro, de 23 anos, define a paixão pelo modelo 1976 que ele adquiriu por R$ 3 mil cerca de três anos atrás quando comprou seu primeiro carro. Nesta sexta-feira (22), é comemorado o Dia Internacional do Fusca. No Brasil, existe ainda o Dia Nacional do Fusca, em 21 de janeiro. Auto Esporte: relembre 10 curiosidades sobre o Volkswagen O... Leia mais
22 JUN

GM decide produzir nova geração da Blazer no México

A General Motors decidiu prosseguir com o plano de produzir a nova geração do utilitário Blazer no México, afirmou um porta-voz da companhia, apesar das críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a produção de veículos no exterior. Trump tem pressionado as montadoras de veículos para fabricarem mais modelos nos EUA, em meio a negociações do país para reformulação do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta). "Continuamos comprometidos... Leia mais
21 JUN

Nova Chevrolet Blazer ressurge maior e com motor de Camaro

Os faróis são totalmente em LEDs. A grade do radiador remete ao novo Camaro (Divulgação/Chevrolet)O nome Blazer não existe no Brasil desde 2012, quando o icônico SUV (finalmente) mudou de geração e foi rebatizado como Trailblazer. Mas, pelo menos nos Estados Unidos, dará para matar saudade a partir do ano que vem.É quando começam as vendas da nova Blazer nos EUA. A GM deu poucos detalhes sobre o modelo, mas adiantou que ele se posicionará entre o Equinox e o enorme Traverse.Isso... Leia mais
21 JUN

Chevrolet Blazer volta como 'SUV do Camaro' nos Estados Unidos

O nome Blazer é conhecido dos brasileiros. O SUV foi bastante popular em uma época em que os utilitários não eram os "queridinhos" dos consumidores. Pois a Chevrolet, ao menos a americana, resgatou o nome, com o SUV apresentado nesta quinta-feira (21). No entanto, a nova Blazer é um tanto diferente. Fazendo uma relação simples, é uma espécie de "SUV do Camaro". O modelo, que no mercado americano é considerado médio, e será posicionado entre o Equinox e o Traverse, tem visual... Leia mais
21 JUN

Chery Tiggo 4 e Tiggo 7: os rivais chineses de Renegade e Compass

Os dois SUVs serão montados no Brasil ainda em 2018 (Henrique Rodriguez/Quatro Rodas)Há exatos dez anos, em junho de 2008, era lançado o Effa M100. O primeiro chinês vendido no Brasil foi o único carro que não concluiu o Longa Duração pela falta de segurança, agravada pelo pós-venda desastroso. Desmontado aos 41.930 km, foi reprovado.Foi um início difícil, mas a última década serviu para mostrar a clara evolução dos carros chineses, ou melhor, de marcas chinesas: hoje a Chery... Leia mais