Novidades

06 ABR
Comprar carro na quarentena até dá, mas ele não ficará no seu nome

Comprar carro na quarentena até dá, mas ele não ficará no seu nome

 (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Como adiantado por QUATRO RODAS, a venda de veículos tem caído semana a semana no Brasil, após ter sido adotado o período de quarentena.

Na última semana, tivemos acesso adiantado ao relatório de venda de veículos da associação dos concessionários (Fenabrave). Os números indicam que entre o dia 1º e 20 de março foram emplacados 88.482 – considerando os 20 mais vendidos –, equivalente a uma venda média diária de 4.242 unidades.

Já na semana seguinte, a venda total foi de apenas 2.993 carros, representando uma média de 427 veículos por dia e registrando um tombo de 90,3%.

Com a menor procura, algumas concessionárias do país têm feito pacotes promocionais, que deve adicionar revisões gratuitas para quem comprar veículo. Mas é possível comprar um carro neste momento de quarentena?

A resposta “sim” é unânime em todas as concessionárias e também com o presidente da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), Ilídio dos Santos.

No entanto, há uma ressalva: a não regularização do carro.

De acordo com Santos, um dos motivos para a queda das vendas é que tanto os Detran (departamentos estaduais de trânsito) quanto os cartórios de registro estão fechados, devido à quarentena, o que inibe a transferência e regularização de veículos – sejam eles novos ou seminovos.

Assim como os zero-quilômetro, os seminovos também apontaram queda de 90,27% na última semana do mês anterior, segundo dados da Fenauto.

Em volume, as vendas diárias passaram de 60.954 na primeira quinzena para 5.014 na última semana de março.

Aviso sobre paralisação das atividades do Detran em São Paulo (Detran-SP/Reprodução)

Ilídio dos Santos afirmou que as associações estaduais de revendedores estão tratando com seus respectivos governos uma trégua na paralisação para que as transações voltem a ser realizadas e o mercado gire novamente.

Segundo ele, “todos que compram um carro querem fazer a transferência e sair com o veículo em seu nome”. Ou seja, se não houver como efetuar os registros, o mercado automotivo não terá melhora.

Durante a reportagem, QUATRO RODAS realizou contato com concessionárias de todo o Brasil. Em todas elas, o setor de vendas está trabalhando em casa, respeitando as orientações estipuladas pelo Ministério da Saúde.

De acordo com as lojas, a compra de veículos pode ser feita online. O interessado entra em contato com a concessionária e um material detalhado do veículo é enviado ao celular em formato de vídeo.

Caso a compra seja fechada, a concessionária emite nota fiscal e libera a retirada do veículo em seu setor de oficina, que está funcionando normalmente.

No entanto, o veículo não consegue liberação para emplacamento, tendo em vista que o Detran está fechado.

Uma deliberação feita pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito), no dia 19 de março, permite que veículos comprados a partir deste prazo rodem sem placa durante a quarentena, afirmando que a regularização pode ser feita após o departamento de trânsito voltar a operar em normalidade.

Mas a medida não foi suficiente para conter as desistências e também não resolve o problema no setor das revendas, onde lojas, em concordância com o presidente da Fenauto, afirmam que a queda das vendas de seminovos aconteceu por conta do fechamento do Detran.

Isso porque tanto quem compra quanto quem vende um carro usado não sente segurança de rodar ou ver rodar por aí um veículo que não está em nome do condutor.

Uma saída apontada pelo presidente da Fenauto é a assinatura de um termo de responsabilidade por comprador e loja, a fim de formalizar a compra do seminovo.

Isso, teoricamente, daria a garantia para que ambas as partes finalizem o processo de transferência quando a paralisação chegar ao fim.

Encontramos apenas uma concessionária que está realizando este processo, localizada em Belo Horizonte (MG). No entanto, até o momento, o método foi procurado apenas para troca ou venda de veículos por pessoa física.

As outras lojas afirmam que, por não haver a possibilidade da regularização imediata da transferência, as buscas têm diminuído cada dia mais.

Nossa reportagem tentou contato com a Fenabrave (associação nacional dos concessionários), mas não obteve resposta até a publicação deste artigo.

Não pode ir à banca comprar, mas não quer perder os conteúdos exclusivos da edição de abril da Quatro Rodas? Clique aqui e tenha o acesso digital.

 (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

18 JUN

Motorista que atropelou e matou em SP paga fiança de R$ 4,7 mil e responde a processo em liberdade

A motorista Claudia Lemes de Souza, 45 anos, que atropelou quatro pessoas e matou duas delas no dia 24 de maio, na Avenida Heitor Antônio Eiras Garcia, na Zona Oeste de São Paulo, pagou fiança de R$ 4.770 para responder ao processo em liberdade e teve a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) retida. O caso está em segredo de Justiça. Na última semana, outros dois casos de atropelamento com morte aconteceram na cidade, e os motoristam estavam embriagados, de acordo com a polícia. ... Leia mais
18 JUN

Delegado do DF liberou motorista embrigado que atropelou ciclista um mês após novas regras da Lei Seca

A Polícia Civil do Distrito Federal desconsiderou as novas regras da Lei Seca um mês após a norma começar a valer, com mais rigor para o motorista que provocar acidentes com vítimas. Um jovem de 21 anos que estava embrigado atropelou um ciclista no dia 19 de maio e foi indiciado por um artigo do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) que sequer faz referência a lesões corporais. Levantamento do G1 mostra que punições mais severas não impediram motoristas de misturar álcool e... Leia mais
18 JUN

Família cobra cumprimento da Lei Seca a motorista solto no mesmo dia em que matou universitário atropelado em MT

O motorista que atropelou e matou o universitário Marcos Dourado, de 29 anos, no dia 7 de maio, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, está solto. A vítima estava em uma motocicleta e morreu no local do acidente. Daniel de Deus Pereira, de 33 anos, que dirigia uma caminhonete, foi preso no mesmo dia do acidente depois de ter fugido e teve a liberdade concedida pela Justiça, também no mesmo dia, porque não havia espaço no sistema prisional. Autuações pela Lei... Leia mais
18 JUN

Brasil é um dos poucos países com tolerância zero para álcool e direção

A “Lei Seca” brasileira, que tem tolerância zero para concentração de álcool no sangue de qualquer motorista, está entre as mais rígidas no mundo, ao lado de países, como Hungria, Romênia, Eslováquia, República Tcheca, Marrocos, Paraguai e Uruguai – sem contar os países que baniram o álcool por motivos religiosos. Essa regra é mais exigente que a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) de limites menores que 0,5 g/L no sangue para motoristas em geral e... Leia mais
18 JUN

Lei Seca ficou mais rígida nos últimos anos; veja o que pode e o que não pode

Antes mesmo do novo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), de 1997, a legislação já proibia dirigir depois de beber álcool, embora a fiscalização fosse frágil e sem métodos de comprovação. Em 1997, essa história mudou, mas foi só em 2008 que entrou em vigor a chamada “Lei Seca”, que reduziu a tolerância para a quantidade de álcool no organismo. Desde então, mais de 1,7 milhão de autuações foram feitas no país, segundo um levantamento do G1. No entanto, essa lei... Leia mais
18 JUN

Autuações pela Lei Seca crescem ano a ano e já passam de 1,7 milhão desde 2008

Em 19 de junho de 2008 entrava em vigor a Lei 11.705, que ficou conhecida como “Lei Seca” por reduzir a tolerância com motoristas que dirigem embriagados, colocando o Brasil entre os países com legislação mais severa sobre o tema. No entanto, a atitude dos motoristas pouco mudou em 10 anos. Um levantamento do G1, por meio da Lei de Acesso à Informação, somou mais de 1,7 milhão de autuações com crescimento contínuo desde 2008. O avanço nos últimos 5 anos ficou acima... Leia mais