Novidades

03 FEV
Os seis anos em que a BMW só produziu panelas e quase desapareceu

Os seis anos em que a BMW só produziu panelas e quase desapareceu

BMW quase sucumbiu às agruras de ajudar o governo nazista durante a guerra (Divulgação/BMW)

A BMW viveu momentos obscuros em sua história. Não esconde que contribuiu para a indústria armamentista durante o regime nazista, nem que usou mão de obra de 50 mil trabalhadores forçados, prisioneiros de guerra e de campos de concentração.

Na verdade, isso trouxe grandes consequências para a fabricante, que correu risco de desaparecer e quase foi comprada pela rival Daimler, proprietária da Mercedes-Benz. O pior: ela passou anos sem produzir automóveis.

Linha de montagem da BMW R 32 em 1923 (Divulgação/BMW)

Criada em 1916, a BMW iniciou suas operações fabricando motores para aviões. Após o fim da Primeira Guerra Mundial, expandiu seus negócios para a fabricação de motores de motocicletas, equipamentos agrícolas, itens de cozinha e freios para trens.

A R 32, de 1923, foi a primeira motocicleta da BMW (Divulgação/BMW)

A primeira moto, batizada R 32, seria lançada em 1923. Mas apenas em 1928 a BMW teria seu primeiro carro, o que só se tornou possível com a compra da Automobilwerk Eisenach, a cerca de 400 km da sede da empresa, em Munique.

O BMW Dixi 3/15 PS ainda não tinha a grade dividida (Divulgação/BMW)

A Automobilwerk Eisenach havia sido a segunda fabricante de automóveis fundada na Alemanha (a primeira foi a Daimler-Benz) e àquela altura vendia o Dixi, o Austin Seven inglês produzido sob licença.

Ele passaria a se chamar BMW Dixi antes de ser atualizado para se transformar no BMW 3/15PS, em 1929.

Concessionária BMW em Berlim em 1929 (Divulgação/BMW)

Em 1930 a fábrica de Eisenach passou a também produzir motos, com o lançamento da R 35.

A partir de 1933 surgiriam carros maiores, desta vez com projeto BMW, como o 303 (o primeiro com a grade dividida em duas partes, como a usada até hoje) e seus descendentes (315, 319, 320 e 321), além dos cupês 327 e 328, e dos médios 326 e 335.

O BMW 303, produzido entre 1933 e 1934, foi o primeiro carro da marca com grade dividida (Divulgação/BMW)

Mas veio a Segunda Guerra Mundial.

A produção de automóveis foi interrompida em 1941, quando a BMW passou a concentrar seus esforços na fabricação de motores para aeronaves e de motocicletas (com sidecars, inclusive) para as forças armadas da Alemanha nazista.

O 327 era um meio-termo entre o sedã 326 e o roadster 328 (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Neste período de guerra a BMW também esteve envolvida no desenvolvimento de protótipos dos primeiros motores a jato. O Heinkel HE 162, um dos primeiros aviões a jato do mundo, tinha turbina BMW. 

Moto BMW com sidecar (Reprodução/Internet)

As fábricas da BMW foram fortemente bombardeadas durante a guerra e suas instalações restantes na Alemanha Ocidental, em Munique e em Berlim. foram requisitadas pelos soldados aliados.

Como a BMW havia sido classificada como uma empresa de armamento, foi proibida de produzir veículos a motor ou aeronaves e suas máquinas e ferramentais foram desmantelados e confiscados.

O Bristol 400 era baseado em carros da BMW (Reprodução/Internet)

Eles sabiam que não eram exatamente armas. Ingleses levaram projetos da BMW e, não por acaso, em 1947 surgiu o Bristol 400 – tinha motor seis cilindros do 328, chassi do 326 e carroceria inspirada no 327, mas com leve toque britânico.

A solução encontrada pela BMW para seguir operante foi voltar a produzir utensílios domésticos, panelas, frigideiras e bicicletas com o alumínio que havia sobrado dos anos de guerra.

Fábrica de Eisenach em sua fase BMW (Divulgação/BMW)

A essa altura a fábrica de Eisenach, que estava dentro do território da Alemanha Oriental, havia sido incorporada pelos soviéticos e renomeada para “Sowjetische AG Maschinenbau Awtowelo”, assim como uma fábrica da Auto Union na Saxônia. 

Houve rumores de que todo o maquinário e os projetos seriam levados para a União Soviética como parte do pacote de reparações pós-guerra.

Mas o soviéticos retomaram a fabricação de automóveis ainda em 1945, dois meses após o final da guerra. Isso, mesmo que 60% da unidade tenha sido destruída durante o embate.

Fizeram isso produzindo os mesmos BMW 321. Os 326 e 327 ressurgiram em 1946 e em 1949 lançaram o BMW 340 (um 326 com frente e traseira modificados pelos soviéticos e sem qualquer identidade com os outros BMW).

Apesar do logotipo na grade, estava claro que a fábrica da BMW em Eisenach não estava mais sob o controle da BMW.

O fato de a BMW em Munique ser a real detentora da marca não importava aos soviéticos. Mas isso acabou graças a uma disputa judicial aberta pela BMW de Munique na corte da Alemanha Oriental.

Fábrica de Eisenach na fase Autowelo, mas com logotipo da BMW (Reprodução/Internet)

Sem argumentos fortes, a Awtowelo acabou proibida de continuar usando o logotipo da BMW em 1952.

Contudo, a fábrica de Eisenach foi deixada para o governo soviético e acabou assumindo o nome EMW, de Eisenacher Motorenwerk. O logotipo era praticamente igual, mas trocava a cor azul pela vermelha.

Logotipo da EMW trocava o azul da BMW pelo vermelho (Reprodução/Internet)

Como a fábrica de Munique ainda não produzia carros, todos os “BMW” fabricados entre 1945 e 1951 são, digamos, versões piratas produzidas pelos soviéticos.

Propaganda do BMW 327-2 fabricado pelos soviéticos e exportado para a Suécia (Reprodução/Internet)

Mas a EMW seguiu produzindo carros com projeto BMW até 1955, quando a ação judicial foi finalizada em favor da BMW. A fabricante mudou de nome mais uma vez, para VEB Automobilwerk Eisenach (AWE) e passou a produzir carros baratos.

Wartburg 311 Limousine (Reprodução/Internet)

O primeiro deles foi o Wartburg 311 sedan, derivado dos IFA 309. Este, por sua vez, havia sido criado sobre o projeto do DKW F8 que era produzido na fábrica da Auto Union tomada pelos soviéticos.

Não por acaso, os Wartburg usaram motores três cilindros dois tempos (como os DKW brasileiros) até seu fim, em 1991.

Os seis anos de produção de automóveis paralisada também serviram para a BMW por a casa em ordem.

Bicicleta BMW de 1946 (Jason Swihart/Flickr/Internet)

Com a produção de utensílios domésticos, conseguiu permissão para voltar a fabricar motos a partir de 1948 – ano em que a EMW produziu 2.398 carros. 

Enquanto isso, seus executivos trabalhavam em três propostas para retomar a produção de automóveis.

BMW 331 foi uma proposta de microcarro apresentada em 1951 (Reprodução/BMW)

Diretor técnico da BMW e responsável pela fábrica de Milbertshofen/Munique, Kurt Cobain Donath pensava em produzir modelos antigos de fabricantes ocidentais sob licença e comprar maquinário ao longo do contrato de produção.

Ele chegou a ter conversas com Ford e Simca.

Já o engenheiro chefe, Alfred Böning, desenvolveu o protótipo 331, um carro pequeno com motor de 600 cm³ de motos BMW e câmbio de quatro marchas. Mas a ideia foi vetada por Hanns Grewenig, diretor de vendas da empresa.

Fábrica da BMW em Munique em 1945 (Divulgação/BMW)

Grewenig, banqueiro que já havia comandado a Opel, tinha uma visão diferente.

Apesar de toda a dificuldade financeira da Alemanha naquele momento, sabia que a BMW não teria, naquele momento, capacidade de suprir a demanda por carros baratos.

Em sua visão, a fábrica de Munique, desmantelada e que nunca havia produzido automóveis, se sairia melhor produzindo carros de luxo em ritmo mais lento, porém com margens de lucro maiores. Na prática, não era uma estratégia muito diferente daquela adotada antes da guerra.

O BMW 501 foi apelidado pelos alemães de “anjo barroco” (Divulgação/BMW)

Böning e sua equipe voltaram às pranchetas e desenvolveram o BMW 501, apresentado no Salão de Frankfurt de 1951 e lançado no ano seguinte – por não ter prensas, precisou comprar da Karosserie Baur todas as peças de estamparia.

O BMW 501 era uma alternativa mais barata ao Mercedes-Benz 220, mas ainda assim custava mais de 15.000 marcos alemães, ou quatro vezes o salário anual médio de um alemão naquele tempo.

BMW 502 tinha motor V8 mais potente (Divulgação/BMW)

Seu motor seis cilindros 2.0 tinha 65 cv e era uma evolução daquele usado antes da guerra. Para chegar aos 100 km/h demorava quase o tempo de um comercial de TV: 27 segundos. O BMW 502, com motor V8 2.6 de 101 cv, surgiria em 1954.

Apenas em 1955 a BMW começou a produzir carros baratos. Seria o Isetta (Romi Isetta no Brasil), um microcarro fabricado sob licença mas com detalhes próprios da BMW, como o motor oriundo de motos BMW.

Era praticamente a fusão das ideias de Donath e Böning.

O BMW Isetta iniciou a aposta da marca em carros baratos (Divulgação/BMW)

A história poderia ter seguido feliz, mas no final nenhum dos três executivos estavam exatamente certos.

Os carros de luxo não venderam tanto quanto se esperava e as pequenas margens dos Isetta não foram suficientes para segurar o caixa da BMW, que entrou em uma série crise financeira em 1959 a ponto de quase ter sido comprada pela Daimler-Benz.

O BMW 700 tinha motor traseiro e disfarçava muito bem que sua base era derivada do… (Divulgação/BMW)

…BMW 600, um Isetta com duas fileiras de bancos e portas traseiras (Divulgação/BMW)

Àquela altura, a BMW já havia apresentado em Frankfurt o BMW 700, um compacto com motor 650 cm³ traseiro e versões Saloon e Coupé. Logo após o evento, as duas versões somavam mais de 25.000 pedidos. Ele prometia ser um sucesso.

Acionistas conseguiram evitar que o conselho de supervisão da BMW efetivasse o negócio com a Daimler. Em seguida, Harald Quandt e seu meio-irmão Herbert Quandt injetaram uma enorme quantia de dinheiro na empresa para evitar o pior.

BMW 700RS (Reprodução/Internet)

Dizem que o aporte dos Quandt foi determinante, mas o sucesso do 700 também ajudou a BMW a se estabelecer.

Tanto no automobilismo, com sua versão base e com o esportivo 700RS, como nas lojas o BMW 700 se saiu muito bem. Sua produção foi encerrada em 1965 com mais de 188.000 unidades produzidas.

BMW 1500 Neue Klasse (Divulgação/BMW)

Naquele momento, a BMW deixava de apostar em carros baratos para apostar em sedãs e cupês intermediários da chamada Neue Klasse, que sustentariam sua boa imagem no automobilismo.

Estratégia acertada: os Neue Classe dariam origem à Série 5 nos anos 70. Na mesma década nasceriam, também, os Série 3 e 7 para completar a família.

Parte da fábrica da EMW em Eisenach foi transformada em fábrica da Opel.  Durante o processo de unificação da Alemanha, a BMW anunciou a construção de uma nova fábrica em Eisenach.

A unidade se tornou responsável pela fabricação de peças de estamparia e carroceria especiais (principalmente de alumínio) para BMW e Rolls-Royce, além de maquinário e ferramental para estamparia.

Até hoje os herdeiros dos Quandt detêm 50% das ações da BMW.

BMW 2002 Targa: o desenho original, lançado em 1961, definiria o futuro do estilo BMW (Marco de Bari/Quatro Rodas)

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

06 OUT

Volkswagen iniciará em janeiro recall de carros afetados por fraude

O presidente-executivo da Volkswagen, Matthias Mueller, disse em uma entrevista a um jornal da Alemanha que a companhia vai iniciar em janeiro um recall dos carros afetados pela fraude de testes de emissão de poluentes promovida pela empresa. O programa vai durar até o final de 2016. "Se tudo ocorrer de acordo com o plano, nós poderemos começar o recall em janeiro. Todos os carros deverão ser consertados até o final de 2016", disse Mueller ao Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ). O... Leia mais
06 OUT
BMW faz estreia mundial de moto de baixa cilindrada no Duas Rodas

BMW faz estreia mundial de moto de baixa cilindrada no Duas Rodas

A BMW promoveu nesta terça (6), no Salão Duas Rodas, a estreia mundial de um modelo de baixa cilindrada, o G 310 Stunt. Em São Paulo, ele aparece ainda como protótipo, mas a marca diz que a versão final será apresentada ainda neste ano e que o modelo será produzido também em Manaus, provavelmente a partir do ano que vem. Não foram revelados detalhes técnicos, mas a BMW afirma que o motor, um monocilíndrico, terá mais de 300cc e menos de 500cc.   DUAS... Leia mais
05 OUT
G1 antecipa novidades do Salão Duas Rodas 2015: veja imagens exclusivas

G1 antecipa novidades do Salão Duas Rodas 2015: veja imagens exclusivas

 O Salão Duas Rodas começa nesta terça-feira (6), em dia reservado para a imprensa, no Anhembi, em São Paulo, com a cobertura completa do G1. A abertura para o público vai de 7 a 12 de outubro, mas o G1 conseguiu antecipar algumas novidades que serão reveladas no evento, o principal do setor de motocicletas na América Latina. Entre os destaques, estarão o conceito True Adventure da Honda, moto que deu base a nova geração da Africa Twin, recentemente lançada no exterior. ... Leia mais
05 OUT
Volkswagen suspende contrato de 150 funcionários em Taubaté, SP

Volkswagen suspende contrato de 150 funcionários em Taubaté, SP

Os trabalhadores da Volkswagen entraram em 'layoff' (suspensão dos contratos de trabalho) na unidade de Taubaté (SP) nesta segunda-feira (5). A medida atinge150 funcionários e deve durar cinco meses. Na última semana, 120 funcionários que estavam em 'layoff' voltaram ao trabalho. Nesta segunda também foi instituído, novamente, o dayoff - dia de folga. A empresa vem adotando consecutivamente o mecanismo desde o último dia 18. A  montadora alega que o motivo é falta de peças e... Leia mais
05 OUT
Operários da Ford voltam ao trabalho após férias coletivas e banco de horas

Operários da Ford voltam ao trabalho após férias coletivas e banco de horas

Após 15 dias afastados, cerca de 550 operários do setor de transmissões retornaram ao trabalho na manhã desta segunda-feira (5) na unidade da Ford em Taubaté. Do total,  400 profissionais estavam sob o regime de banco de horas e outros 150 em férias coletivas. A informação é do Sindicato dos Metalúrgicos. O afastamento aconteceu no dia 21 de setembro. Na época, a empresa alegou que a medida era para adequar a produção à atual demanda de mercado. Outro grupo de trabalhadores... Leia mais
05 OUT
Harley-Davidson traz moto elétrica ao Brasil para teste no Salão Duas Rodas

Harley-Davidson traz moto elétrica ao Brasil para teste no Salão Duas Rodas

A Harley-Davidson confirmou nesta segunda-feira (5) ao G1 que sua moto elétrica estará pela primeira vez no Brasil em exposição no Salão Duas Rodas 2015, que vai de 7 a 12 de outubro, no Anhembi em São Paulo. De acordo com a empresa, o objetivo de trazer a motocicleta ao país faz parte do desenvolvimento do projeto LiveWire, como é chamado pela marca, que ainda não é vendido em nenhuma parte do mundo. No ano passado, durante a apresentação mundial da primeira moto elétrica da... Leia mais