Novidades

19 JUN

Japão tenta tirar idosos do volante após casos sucessivos de acidentes fatais

Apesar de registrar a mínima histórica de 3.532 mortes no trânsito em 2018, o Japão se vê atormentado pelo comportamento de um grupo que cresce nas estatísticas da Agência Nacional de Polícia. Motoristas com 75 anos ou mais se envolveram em 460 acidentes fatais no ano passado e em 109 nos quatro primeiros meses de 2019.

Muitos casos ocorreram por erro do condutor idoso, que acelerou o veículo pensando estar freando. A sucessão de acidentes levou o governo a pensar em medidas preventivas e parte da população a agir.

Aos 82 anos, o empresário Toyoharu Kurihara decidiu se aposentar da direção. Ele, que desde os 23 anos sempre esteve motorizado, resolveu se desfazer do carro e agora só se desloca a pé, de ônibus ou de trem para cumprir a intensa agenda como diretor-presidente de uma empresa de alimentos localizada na província de Kanagawa.

Essa mudança de hábito está exigindo muito do físico e do tempo do senhor octogenário. Se de carro ele levava meia hora no trajeto de casa até a empresa, agora Kurihara gasta uma hora e quinze minutos com dois ônibus e duas trocas de linha de trem só para ir trabalhar.

O governo japonês reconhece que tomar decisão assim não é fácil, principalmente para os idosos que moram em vilarejos. Nesses lugares, os serviços de transporte público são limitados e há poucos jovens a quem se possa recorrer se um idoso precisar ir ao médico ou fazer compras.

Uma pesquisa do governo divulgada recentemente mostrou que 56,6% dos motoristas com 60 anos ou mais continuavam a dirigir. O número cai com a idade, mas é alto entre os idosos: 45,7% das pessoas habilitadas de 75 a 79 anos, e 26,4% das que têm 80 ou mais se mantêm firmes no volante. Ou seja, um em cada quatro octogenários ainda dirige.

Por região, descobriu-se que 72,9% dos que vivem em cidades com menos de 100 mil habitantes e 75,5% dos que residem em vilarejos costumam pegar no volante. Nas metrópoles e cidades maiores, esse índice é de 50%. Os resultados dessa pesquisa servirão para o governo pensar em medidas de apoio à sociedade envelhecida.

Essa é uma equação complicada de se resolver, mas diante do buzinaço dos números, foi necessário agir. Dados da Agência Nacional de Polícia mostram queda no total de acidentes de trânsito no Japão, mas presença cada vez maior de idosos nas estatísticas.

No ano passado, motoristas com 75 anos ou mais foram responsáveis por 14,8% do total de acidentes fatais ocorridos no período. Uma década atrás, a proporção era de 8,7%.

Confusão com os pedais

Entre janeiro e abril deste ano, a Agência Nacional de Polícia registrou 109 acidentes fatais com idosos, incluindo o atropelamento causado por um ex-funcionário do governo de 87 anos. Em abril, o carro dirigido por Kozo Iizuka atingiu e matou Mana Matsunaga, de 31 anos e sua filha Riko, de 3 anos, quando elas atravessavam de bicicleta uma faixa de pedestres em Tóquio. Outras oito pessoas ficaram feridas.

Como na maioria dos casos, o idoso que provocou o acidente afirmou ter pisado no freio quando viu o grupo de pessoas. Porém, a perícia técnica constatou que ele se enganou e acabou acelerando ainda mais o carro, correndo a 90km/h numa área em que o limite é de 50km/h.

Em outro caso recente ocorrido na província de Fukuoka, sul do Japão, um carro conduzido por um homem de 81 anos atravessou um cruzamento em alta velocidade, colidindo com outros cinco veículos. O condutor e a esposa morreram nesse acidente e outras sete pessoas ficaram feridas. Nesse caso, a perícia também constatou que o homem havia pisado firme no acelerador, disparando o carro.

Para lidar com esse tipo de erro, uma das propostas do governo é limitar os motoristas a certos tipos de veículo em horários específicos e em certas áreas, além de promover medidas para fornecer opções de transporte.

Já a governadora de Tóquio, Yuriko Koike, anunciou que vai criar um subsídio para aquisição de um equipamento destinado a evitar a aceleração súbita do carro. A proposta é o governo metropolitano cobrir cerca de 90% do custo do dispositivo e de sua instalação. O motorista arcaria com com menos de US$ 90.

Devolução da carteira

Porém, para muitos japoneses a solução mais eficaz é o idoso se aposentar da direção. Depois de perder a esposa e a filha, o marido de Mana Matsunaga iniciou uma campanha para alertar motoristas e familiares sobre os riscos de continuar dirigindo com a idade avançada.

"Pensava que iria ver minha filha crescer e passar meus últimos anos de vida ao lado de minha esposa. Mas num piscar de olhos, tudo isso se foi", disse ele durante entrevista coletiva em Tóquio, quando fez o alerta à população sobre os riscos da direção idosa.

A Agência Nacional da Polícia tem encorajado as pessoas a voluntariamente devolverem suas licenças. No ano passado, mais de 292 mil motoristas com 75 anos ou mais atenderam ao pedido, número superior em 38 mil se comparado com 2017, e o mais alto registrado desde que esse sistema de devolução foi criado em 1998.

Após o acidente que matou Mana e a filha Riko, também houve aumento de 3.800 devoluções em abril deste ano para 5.800 em maio.

Porém, ainda há muitos idosos habilitados. O número de motoristas com 75 anos ou mais que renovaram a carteira triplicou nas últimas duas décadas. Estimativas indicam que se continuar nesse ritmo, em 2030 o grupo de idosos na direção será o dobro de motoristas jovens em algumas províncias.

A fim de inspirar mais pessoas, no início do mês o ator Ryotaro Sugi, de 74 anos, entregou em definitivo sua carteira de habilitação ao Departamento de Polícia Metropolitana de Tóquio.

"Automóveis são instrumentos perigosos", disse. "Se você sentir que sua reação está ficando lenta, então é melhor considerar a possibilidade de devolver a carteira antes que machuque alguém."

A última vez que renovou a carteira, ele estava com 70 anos. Especialistas dizem que mesmo que a pessoa estivesse bem no momento do teste de saúde exigido para a renovação, a condição física pode mudar vertiginosamente, como indicam dados da Agência Nacional de Polícia.

Do total de idosos envolvidos em acidentes fatais em 2016, descobriu-se que, em seu histórico, mais de 85% deles não tinham registro de infração grave até aquele momento.

Tudo isso fez o empresário Kurihara refletir. Em fevereiro ele renovou a carteira de habilitação após passar por todos os exames médicos exigidos. Diz que naquele momento ele estava confiante de que conseguiria manter sua fama de motorista prudente. Porém, a divulgação da série de acidentes com idosos ao volante o fez repensar.

"Decidi me desfazer do carro porque por mais que não o usasse para ir ao trabalho, acabaria pegando no volante para outros fins", diz.

Para não correr o risco, Kurihara se desfez do veículo.

"Descobri que ficar sem carro não é tão ruim assim. Na minha idade é até bom, porque assim exercito as pernas andando. Está sendo bom para a saúde."

A carteira ouro ficará guardada como lembrança dos quase 60 anos da história como motorista.

Fonte: G1

Mais Novidades

23 OUT
Novo Honda Civic Si cupê será vendido no Brasil a partir de 2018

Novo Honda Civic Si cupê será vendido no Brasil a partir de 2018

Carroceria escolhida para o Brasil é a cupê de duas portas (divulgação/Honda) Seis meses após sua apresentação oficial, a versão esportiva Si da décima geração do Honda Civic teve a importação confirmada para o Brasil. Fabricado no Canadá, o carro chega na carroceria cupê de duas portas (lá fora, também há o sedã de quatro portas). A montadora diz que as vendas começam no início de 2018, mas os exemplares devem ser... Leia mais
21 OUT
Empresário reúne e restaura modelos raros de Fusca e Kombi

Empresário reúne e restaura modelos raros de Fusca e Kombi

Uma coleção com os mais raros Volkswagen do país (Alexandre Battibugli/Quatro Rodas) Carpete e estofamento da Porsche, lã do revestimento interno da Rolls-Royce, pintura profissional com tecnologia russa, frisos e acabamentos cromados americanos. Todos esses detalhes tornam a coleção de modelos Volkswagen do empresário paulista Luiz Goshima exemplar e premiada. Goshima com sua Kombi 1975 (Alexandre Battibugli/Quatro... Leia mais
20 OUT
Longa Duração: nosso Fiat Argo precisou de reparo no para-brisa

Longa Duração: nosso Fiat Argo precisou de reparo no para-brisa

Fiat Argo passando por reparo no para-brisa (Eduardo Campilongo/Quatro Rodas) Para reduzir o valor do seguro do carro, cortar coberturas extras é sempre uma medida tentadora. No caso do Argo, recém-chegado à nossa frota do Longa Duração, se tivéssemos deixado de fora a proteção contra danos nos vidros, teríamos economizado cerca de R$ 150 na apólice. E não teria valido a pena. Ao trafegar com o Argo em São Paulo, o repórter... Leia mais
20 OUT
As fábricas de carros que fizeram (e fazem) tratores

As fábricas de carros que fizeram (e fazem) tratores

Um Lamborghini com design assinado por Giugiaro? Sim. Quem disse que precisa ser um superesportivo? (Lamborghini/Divulgação) Produzir tratores não é uma atividade tão incomum para as fabricantes de automóveis, ainda que isso soe estranho. Alguns fizeram o caminho oposto, como Ferruccio Lamborghini. O italiano era um fazendeiro que construiu parte de seu império construindo máquinas agrícolas até o dia em que procurou Enzo Ferrari em... Leia mais
20 OUT
Autodefesa: donos de Tracker relatam problemas no disco de freio

Autodefesa: donos de Tracker relatam problemas no disco de freio

– (Divulgação/Quatro Rodas) Donos do Chevrolet Tracker, importado entre 2013 e 2016, estão indignados com o surgimento dos casos de empenamento de freios de discos. O pior é quando o defeito se manifesta com pouco tempo de uso, como ocorreu com o engenheiro civil Flávio Machado Torres, de Belo Horizonte (MG). “Pouco depois de fazer a revisão de 10.000 km, percebi que, ao passar dos 80 km/h, o volante vibrava muito, a ponto de eu ter... Leia mais
20 OUT
Fiat Cronos é o nome do sedã do Argo

Fiat Cronos é o nome do sedã do Argo

– (Du Oliveira/Quatro Rodas) Cronos é o nome do novo sedã compacto da Fiat, que começa a ser vendido no Brasil em março. Derivado do Argo, o modelo terá a missão de substituir o Linea e as versões mais caras do Grand Siena. Em outras palavras, será o principal concorrente do Volkswagen Virtus, o sedã do Polo, e dos Chevrolet Prisma e Cobalt, e Hyundai HB20S. Assim como Argo, o nome Cronos também vem da mitologia grega. Existe... Leia mais