Novidades

03 JUN

A trágica história do Ford Flivver, avião “popular” menor que um Corolla

Ford Monoplano, de 1909, seguia o projeto de um avião francês (Reprodução/Internet)

Henry Ford conseguiu fazer o primeiro carro popular e global.

Entre 1908 e 1927, mais de 15,4 milhões de Ford T foram produzidos em 14 fábricas em todo o mundo – uma delas no Brasil. Tinha a fama de seguro, simples e barato, que Ford quis levar para os ares. 

Em 1909 o magnata mostrou o Ford-Van Aucken Monoplane, baseado no avião francês Blériot XI – o primeiro a cruzar o Canal da Mancha.

Uma das diferenças entre os dois estava no motor: em vez de um 3-cilindros italiano, usava uma versão mais potente do 4-cilindros 2.9 do Ford T.

A aeronave mais famosa da Ford, porém, só surgiu em 1925. O Ford Trimotor (também conhecido como The Tin Goose, ou Ganso de Lata) era um dos mais avançados de seu tempo e podia levar 10 passageiros por até 1.000 km.

As 199 unidades produzidas foram usadas por forças aéreas e empresas nas Américas e na Europa.

O Ford Trimotor, projetado pela Stout, era um dos aviões mais modernos do seu tempo (Reprodução/Internet)

Só que o Trimotor não era um projeto Ford, mas sim da Stout Metal Airplane – que havia sido comprada pela Ford naquele ano. Só deu tempo de transformar o monomotor inspirado no Fokker F.VII em uma aeronave com três motores refrigerados a ar da Curtiss-Wright.

Mas foi a compra da Stout que fez Henry Ford idealizar um avião que qualquer um poderia ter e pilotar, repetindo o feito que havia conseguido com o Ford T nas ruas de todo o mundo.

Batizado de Ford Flivver (nome derivado de uma gíria para carro barato no início do século XX), foi um dos menores monoplanos já construídos.

Tinha cerca de 160 kg,e 4,57 m de envergadura – 5 cm a menos que o comprimento de um Toyota Corolla.

O Ford Flivver era extremamente pequeno e leve (Reprodução/Internet)

Tem motivo: Henry Ford definiu que o avião deveria ser pequeno o suficiente para caber em seu escritório.

Este primeiro protótipo usava um motor 3-cilindros Anzani semi-radial de 36 cv – o mesmo do Blériot XI –, mas seu escape era uma adaptação daquele usado no Ford T.

A fuselagem era de aço tubular e as asas, de madeira revestida com tecido. O roda de trás era manobrável e a única com freio. Havia espaço apenas para o piloto – e não era dos melhores.

Motor Anzani 3-cilindros semi-radial (Reprodução/Internet)

“No momento, este avião deve ser considerado totalmente experimental”, disse Ford na apresentação do Flivver em 1926, como parte das comemorações do seu aniversário de 63 anos.

Quem pilotou o Flivver naquele dia foi Harry J. Brooks, principal piloto de testes da Ford e o favorito de Henry Ford.

Brooks passou a voar com o Flivver regularmente da garagem de sua casa para o aeroporto Ford (hoje parte do centro de desenvolvimento da Ford, em Dearborn, EUA).

Mais tarde, usaria um segundo protótipo para voar entre as propriedades de Ford.

Outro piloto apenas pôde pilotar o aviãozinho da Ford. Charles Lindbergh ficou famoso por ter feito o primeiro vôo transatlântico solo e sem escalas, entre Nova York e Paris, em maio de 1927.

Em agosto daquele ano, a convite da Ford, pilotou seu monomotor. “Uma uma das piores aeronaves que ele já voei”, disse posteriormente. 

Em sua segunda fase de protótipo o Flivver ganhou novas asas, com 6,70 m de envergadura, fuselagem de tecido, tanque de combustível de 50 litros e um novo motor 2.3 de dois cilindros contrapostos de 40 cv desenvolvido pela própria Ford.

A intenção era bater o recorde de distância percorrida para aviões com peso entre 200 e 400 kg.

Na primeira tentativa, testemunhada por Henry Ford em janeiro de 1928, Harry Brooks só conseguiu chegar até a Carolina do Norte, o meio do caminho.

Harry Brooks após o pouso forçado na Flórida (Boston Globe/Internet)

Mais tarde, em fevereiro, Edsel Ford acompanhou a segunda tentativa. A aeronave fez um pouso forçado 320 km antes do destino, em Titusville, Flórida. Mas ainda assim obteve o recorde por ter percorrido 1.200 km sem reabastecimento.

Naquela noite, Brooks consertou as avarias causadas pelo pouso forçado e colocou palitos de madeira na ventilação da tampa do tanque de combustível para evitar que a umidade entrasse ali durante a noite.

No dia seguinte, seguiu rumo a Miami sobrevoando o Atlântico. Mas não chegou lá: o motor parou e a aeronave caiu no mar. O corpo de Brooks jamais foi encontrado.

Mais tarde as investigações mostraram que os palitos, provavelmente esquecidos na tampa do combustível, bloquearam a passagem de ar levando à parada do motor.

Último Ford Flivver sobrevivente está no Museu Henry Ford, em Dearborn (Reprodução/Internet)

Harry Brooks e Henry Ford se tornaram íntimos com a empreitada do Flivver. Ford ficou perturbado com a perda do amigo e o desenvolvimento do avião foi interrompido.

O que se dizia na época é que Ford Flivver poderia custar 37.000 dólares, valor que baixaria para 28.000 dólares caso fossem feitas mais de 100 encomendas. Parece barato, mas um Ford T custava 360 dólares na época.

Corrigindo os valores, o Ford T era um carro de 5.192 dólares e o Flivver, um avião de 533.000 dólares. Não era para qualquer um.

Talvez Ford nunca tenha desistido de fazer seu carro voador. “Pode anotar. Uma combinação de avião e automóvel está chegando. Você pode rir. Mas virá”, disse em 1940. Ainda estamos esperando por esse momento.

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

15 DEZ
Versão de entrada do Ford Ka fica mais barata e sai por R$ 43.780

Versão de entrada do Ford Ka fica mais barata e sai por R$ 43.780

Versão S perdeu rádio e vidros elétricos (Divulgação/Ford) Preços com reajustes para cima, claro, a gente vê todo mês. Raras são as vezes em que a etiqueta fica mais leve. A Ford reduziu o preço da versão de entrada do Ka. Mas não se anime tanto. Antes com preço sugerido de R$ 44.030, o Ka S, lançado em outubro, custa agora R$ 43.780 – diferença de módicos R$ 250. No site de ofertas da Ford a redução é ainda maior, o Ka... Leia mais
15 DEZ
Comparativo: Audi Q7 x Volvo XC90 x Land Rover Discovery

Comparativo: Audi Q7 x Volvo XC90 x Land Rover Discovery

XC90 (esquerda), Discovery e Q7: o Land Rover não esconde ser o maior dos três (Christian Castanho/Quatro Rodas) Motores a gasolina são potentes, mas o consumo comedido e a força disponível desde baixas rotações ajudam a popularizar os motores turbodiesel entre os SUVs de luxo. Os três modelos são ótimos exemplos disso. Com mais de 2 toneladas e comprimento ao redor dos 5 metros, Volvo XC90, Land Rover Discovery e Audi Q7 possuem... Leia mais
15 DEZ
Renault suspende entregas do Kwid na Argentina para reparar freio

Renault suspende entregas do Kwid na Argentina para reparar freio

Recall nos freios do compacto envolve mais de 21 mil carros no Brasil (Divulgação/Renault) A Renault da Argentina ordenou a suspensão temporária das entregas do Kwid. Segundo informações do Argentina Autoblog, a decisão foi tomada devido ao problema nos freios do modelo fabricado em São José dos Pinhais (PR). Medida semelhante já havia sido anunciada no Brasil. O compacto foi apresentado no país vizinho em novembro. Por... Leia mais
15 DEZ
Longa Duração: Compass dá show em sua primeira missão na terra

Longa Duração: Compass dá show em sua primeira missão na terra

Terra e chuva: dificuldade zero para o Compass. A pista não era muito acidentada, mas a água formou lama e ficou escorregadia (Ulisses Calvacante/Quatro Rodas) A ansiedade para ser o primeiro motorista da equipe a tirar o Jeep Compass do asfalto para testar seus dotes off-road era grande. Coube ao editor Ulisses Cavalcante a felicidade de combinar, pela primeira vez, a posse do Compass a uma incursão fora do asfalto – e, para melhorar,... Leia mais
15 DEZ
As vantagens e desvantagens de comprar peças usadas

As vantagens e desvantagens de comprar peças usadas

Centro de recuperação de peças: com procedência legal (Divulgação/Internet) A regulamentação do Seguro Auto Popular e das autopeças recondicionadas abriu um novo mercado no Brasil, mas trouxe a reboque receios e inseguranças para o cliente. Quais itens reaproveitados podem ser usados e como ter certeza da procedência são algumas das dúvidas que pairam no ar. O diretor de segurança veicular da AEA, Marcio Azuma, esclarece as... Leia mais
14 DEZ
Novo Porsche Panamera Hybrid chega ao Brasil por R$ 529.000

Novo Porsche Panamera Hybrid chega ao Brasil por R$ 529.000

Sedã híbrido será oferecido em duas versões no Brasil (Porsche/Divulgação) Desempenho esportivo sem poluir o meio-ambiente é a premissa do novo Porsche Panamera Hybrid. A segunda geração do sedã ecológico está à venda desde o começo de dezembro nas nove concessionárias do Brasil. Duas versões são importadas para cá. O Panamera 4 E-Hybrid combina um motor V6 2.9 biturbo de 330 cv e 45,8 mkgf de torque máximo com outro... Leia mais