Novidades

24 MAI

As dificuldades que um carro elétrico impõe na hora do resgate

O atendimento às vítimas de um acidente envolvendo elétricos exige cuidados únicos (Rodrigo Ribeiro/Quatro Rodas)

Carros mais modernos são mais seguros, o que é sempre bom, certo? Bem, não quando tudo dá errado e você precisa tirar os passageiros do veículo após uma colisão.

“Os airbags e aços mais resistentes exigem maior cuidado na hora de resgatarmos as vítimas de um acidente”, revelou o Tenente-Coronel dos bombeiros Hilton de Souza, responsável pelo 6º Batalhão de Bombeiros Militar de Santa Catarina.

Os bombeiros devem tomar cuidado com bolsas de airbag que não foram acionadas no impacto (Rodrigo Ribeiro/Quatro Rodas)

O oficial acompanhou a imprensa durante a terceira edição do Rescue Experience, evento realizado em Chapecó (SC) feito para treinar bombeiros do Brasil inteiro no atendimento a acidentes de trânsito.

A novidade do evento de 2019 foi a doação de cinco Nissan Leaf de primeira geração usados pela marca no Brasil para estudos no país.

Diferentes tipos de acidentes foram simulados no evento (Rodrigo Ribeiro/Quatro Rodas)

O objetivo da fabricante, que já havia participado do Rescue Experience no ano passado, era ajudar os bombeiros nos procedimentos específicos para o resgate em veículos elétricos.

Os 174 profissionais de 17 estados aprovaram a novidade, mas descobriram novos problemas que podem dificultar o trabalho deles no futuro.

Os airbags laterais e de cortina são obstáculos extras na hora do resgate (Rodrigo Ribeiro/Quatro Rodas)

Antes de chegar à parte elétrica, os bombeiros aproveitaram a profusão de airbags (seis, no total) do Leaf para estudar diferentes procedimentos de corte da carroceria.

A tesoura hidráulica, um dos equipamentos usados para romper a lataria em acidentes, tem mais de 30 toneladas de força.

Isso é mais do que o suficiente para atingir os cilindros de ar comprimido e o dispositivo insuflador do airbag, que podem disparar durante o resgate.

As tesouras hidráulicas modernas conseguem romper aços mais duros com facilidade (Rodrigo Ribeiro/Quatro Rodas)

Por isso os profissionais usam um sistema informatizado que alertam a eles onde fica a região que não pode ser cortada. Com a informação em mãos, as áreas perigosas na carroceria são marcadas usam lápis especiais.

Mas, se o carro em questão for elétrico, é preciso um cuidado extra: garantir que o sistema de alta tensão esteja desativado.

Um painel na apresentação mostrava a área das baterias, que não pode ser danificada (Rodrigo Ribeiro/Quatro Rodas)

“No Leaf a bateria de alta tensão é desligada automaticamente quando qualquer um dos airbags é acionado”, conta Flávio Presezniak, gerente de projetos da Nissan.

Os equipamentos atuais conseguem romper os aços de alta resistência usados em colunas, portas e assoalho (Rodrigo Ribeiro/Quatro Rodas)

Se isso não ocorrer, luzes no painel indicam se o veículo está ligado. Neste caso, é preciso colocar o câmbio do carro em Parking, desligar o veículo pelo botão de partida e afastar a chave presencial do veículo.

Os bombeiros só podem tocar no carro após terem certeza que ele não está energizado (Rodrigo Ribeiro/Quatro Rodas)

Só que movimentar a vítima (para tirar a chave do bolso, por exemplo) e ver o painel (que pode estar quebrado e/ou coberto pelo motorista prensado contra o volante) não é algo exatamente prático ou possível durante o resgate.

Até porque os bombeiros só podem tocar no carro após terem certeza de que ele não está energizado.

Escondido debaixo de duas tampas, o corta-corrente desliga a bateria assim que é removido (Rodrigo Ribeiro/Quatro Rodas)

Isso também impossibilita a última alternativa para desligar o Leaf: acessar um dispositivo corta-corrente bloqueado por uma tampa de acabamento e outra metálica, fechada por três parafusos.

A solução para esse problema não existe: “O bombeiro pode usar vestimentas isoladas eletricamente, mas nossos equipamentos não possuem esse tipo de proteção”, destaca Souza.

Até mesmo os cintos podem ser perigosos para os bombeiros, caso o pré-tensionador não tenha sido disparado (Rodrigo Ribeiro/Quatro Rodas)

O profissional destacou que é necessário um aviso sonoro alimentado pela própria bateria de alta tensão para avisar o bombeiro que o carro está energizado, pois mesmo uma luz poderia se quebrar durante a colisão.

Luzes verdes e vermelhas no santantônio do Fórmula 1 avisam se é seguro tocá-lo (Divulgação/Renault)

Uma solução seria seguir os protocolos já usados na Fórmula 1 e Fórmula E, por exemplo. Nos bólidos, luzes sobre o carro avisam se é seguro tocar na carroceria ou não.

Carros elétricos cuja bateria pegou fogo são perigosos mesmo depois do incêndio (Reprodução/Internet)

E nem mesmo após o resgate o carro elétrico permite descuidos. As baterias de íon-lítio são extremamente inflamáveis caso sejam rompidas, provocando um fogo de origem química difícil de ser combatido.

O que sobrou dos veículos será destruído e descartado após o evento (Rodrigo Ribeiro/Quatro Rodas)

Por isso, depois que as vítimas foram removidas, o carro deve ser isolado pelos bombeiros. Esse cuidado essencial evita novos acidentes caso a bateria comece a pegar fogo horas depois do acidente — algo que já ocorreu com uma unidade da Tesla nos Estados Unidos.

Atualmente não há uma legislação que obrigue as empresas a adotar esses tipos de salvaguardas, mas a popularização de modelos elétricos e híbridos — e, por consequência, acidentes envolvendo eles — pode fazer com que as montadoras adotem proteções extras para que uma colisão não gere vítimas além daquelas dentro dos carros.

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

19 NOV
Ford confirma: Brasil está no radar de Escape híbrido e Mustang Mach-E

Ford confirma: Brasil está no radar de Escape híbrido e Mustang Mach-E

Versão híbrida plug-in do Escape só será lançada nos Estados Unidos no segundo trimestre de 2020 (Divulgação/Ford)Os planos da Ford para reforçar sua presença entre os SUVs seguem fortes. Durante encontro com jornalistas, o presidente da Ford para a América do Sul, Lyle Waters, reforçou o lançamento do Territory no Brasil em 2020 e deu esperanças sobre o início da eletrificação dos SUVs da marca.De acordo com Waters, a chance do Brasil receber o novo Escape Plug-in Hybrid é... Leia mais
19 NOV
Com motor de Golf GTI, VW Jetta GLI vende tanto quanto as versões 1.4

Com motor de Golf GTI, VW Jetta GLI vende tanto quanto as versões 1.4

Versão GLI conseguiu ser a mais vendida do Jetta em agosto (Christian Castanho/Quatro Rodas)Unir mecânica e o visual do Golf GTI na carroceria três-volumes do Jetta parece ter sido uma aposta certeira da Volkswagen.O Jetta GLI, único com motor 2.0 TSI de 230 cv e câmbio DSG de seis marchas já vende tanto quanto as demais versões do modelo, que usam o motor 1.4 TSI flex de 150 cv e câmbio automático convencional de seis marchas.As duas saídas de escapamento são exclusivas da versão... Leia mais
19 NOV
Os lançamentos provam que 1998 foi o melhor ano da indústria automotiva

Os lançamentos provam que 1998 foi o melhor ano da indústria automotiva

 (Divulgação/Peugeot)O ano de 1998 foi %#$@, mas você talvez não tenha notado: nele conhecemos Titanic, Google, Viagra, PayPal e MP3 Player – além de muitos carros importantes e marcantes.Quer um exemplo? O Peugeot 206, que revolucionou o segmento dos compactos, só aconteceu graças às inovações aplicadas à indústria automotiva naquela década.“Com novos moldes de injeção, foi possível inovar nas lanternas, por exemplo, que, até então só eram retangulares ou esféricas”,... Leia mais
19 NOV
Antes de SUV elétrico, Ford Mustang quase virou perua. Mas com motor V8

Antes de SUV elétrico, Ford Mustang quase virou perua. Mas com motor V8

Versão cupê 4.7 V8 foi usada de base para o projeto (Autoblog/Reprodução)O Ford Mustang é uma lenda no mundo dos muscle cars. O ícone ganha agora uma nova configuração e se transforma em um SUV elétrico, com o nome Mach-E.A empresa acredita que o projeto é o que realmente o consumidor dos dias de hoje quer. Mas será que essa é a primeira vez que o esportivo ganha uma versão mais “família”? A resposta é não!Modelo foi projetado em meados da década de... Leia mais
18 NOV
Como as ruínas da II Guerra levaram a VW a erguer sua 1ª fábrica no Brasil

Como as ruínas da II Guerra levaram a VW a erguer sua 1ª fábrica no Brasil

Linha de montagem do Fusca na Anchieta (Divulgação/Volkswagen)Logo ao assumir o posto de presidente da Volkswagen, numa operação ainda em ruínas após a II Guerra Mundial, Heinz Nordhoff avaliou o “tamanho do buraco” que ele teria de fechar.Aquilo tudo deveria ter sido demolido, mas o brilhante e insurreto Major Ivan Hirst, das forças de ocupação britânicas, não acatou as ordens e decidiu reconstruir aquela fábrica severamente destruída. Com isto, salvou a VW de ter terminado... Leia mais
18 NOV
700 mil seguidores! QUATRO RODAS é maior perfil automotivo do Instagram

700 mil seguidores! QUATRO RODAS é maior perfil automotivo do Instagram

– (Arte/Quatro Rodas)Nós conseguimos! E foi graças a você, fã da QUATRO RODAS, que podemos dizer: temos 700 mil seguidores no Instagram e somos o maior perfil de jornalismo automotivo do Brasil.O que isso significa? Em números, cerca de 1,2 milhão de usuários alcançados e publicações vistas mais de 9,2 milhões de vezes. Isso todos os meses!É para você que criamos diariamente conteúdos especiais para as redes sociais e sempre procuramos novas formas de interação. E, por que... Leia mais