Novidades

05 OUT
Harley-Davidson traz moto elétrica ao Brasil para teste no Salão Duas Rodas

Harley-Davidson traz moto elétrica ao Brasil para teste no Salão Duas Rodas

A Harley-Davidson confirmou nesta segunda-feira (5) ao G1 que sua moto elétrica estará pela primeira vez no Brasil em exposição no Salão Duas Rodas 2015, que vai de 7 a 12 de outubro, no Anhembi em São Paulo. De acordo com a empresa, o objetivo de trazer a motocicleta ao país faz parte do desenvolvimento do projeto LiveWire, como é chamado pela marca, que ainda não é vendido em nenhuma parte do mundo.

No ano passado, durante a apresentação mundial da primeira moto elétrica da história da fabricante norte-americana, nossa equipe teve as primeiras impressões do modelo (assista ao vídeo no começo da reportagem)

No Salão Duas Rodas, estarão disponíveis 3 unidades da LiveWire, sendo uma para exposição e outras duas para que os usuários possam sentir como é acelerar a moto em um simulador

Chamado de "Jumpstart", esta espécie de teste é feita com a moto parada, mas o motociclista pode acelerar enquanto a roda gira em contato com o rolo no chão.  A Harley-Davidson informa que ainda não há previsão de quando a moto chegará ao mercado mundial, mas será uma oportunidade para ver como o consumidor brasileiro reagirá ao produto.

Primeiras impressões
No ano passado, o G1 foi até Nova York para andar na primeira Harley-Davidson movida a eletricidade da história. Uma nova moto elétrica, por si, não causa espanto, já que o segmento automotivo – carros e motos – já deu passos nesta direção. Mas, até então, nenhuma das principais fabricantes havia investido em uma motocicleta de verdade, com esse tipo de motor.

Mesmo nos Estados Unidos, onde as "motinhos" elétricas possuem representantes mais difundidos, como as pequenas marcas Brammo, comprada pela Victory, e Zero, o surgimento de uma Harley-Davidson elétrica era inesperado. Completando 112 anos de história em 2015, a empresa é conhecida por basear sua linha em modelos clássicos e “beberrões” de gasolina, sem esbanjar tecnologia.

Entre as grandes marcas, apenas a BMW possui um modelo elétrico à venda: trata-se de um scooter, o C Evolution, com o objetivo de ser um meio de transporte prático para deslocamentos urbanos, e não uma moto, como no caso da H-D. Comercializado na Europa, ele não é oferecido no Brasil.

A Yamaha chegou a anunciar, no ano passado, que lançaria duas elétricas em 2016, mas depois refugou e disse apenas que os modelos serão lançados em um futuro próximo. Na Europa, a austríaca KTM já mostrou um scooter movido à eletricidade, prometido para 2015, enquanto a Honda apostou em uma esportiva. Mas todos são ainda esboços, protótipos, nada palpável como a moto da H-D, que rodou pelas ruas de Manhattan.

Apesar de a Harley-Davidson não revelar oficialmente seus planos sobre a produção da moto, o modelo mostrou que está em fase muita avançada de desenvolvimento e, inclusive, homologado para rodar nas ruas.

Controle de tração e suspensões eletrônicas são adventos que passam longe do repertório da H-D. Desde a crise de 2009, que culminou no fechamento da Buell, marca que fazia parte do grupo, a Harley começou a focar no aprimoramento da atual linha – no projeto Rushmore, por exemplo – e no desenvolvimento de novos produtos, como as surpreendentes Street 500 e 750, com parte da produção na Índia, e agora o projeto LiveWire.

Questionado sobre o porquê de a empresa ser a primeira grande fabricante de motos a dar um passo nesta direção, o presidente da Harley-Davidson Motor Company, Matt Levatich, respondeu um sonoro “Por que não?”.

Menos abstrato, Mark-Hans Richer, vice-presidente sênior e diretor de marketing da H-D, esclareceu o objetivo: “Queremos mostrar que somos capazes de produzir modelos com alta tecnologia”.

“Não há motivos para tanta surpresa”, acrescentou. Após rodar com a H-D elétrica em Manhattan, a conclusão foi de que existem sim, muitos motivos.

Essencialmente uma naked
A primeira impressão ao olhar a moto de perto é que ela já está pronta para ser vendida, com um acabamento esmerado, diferente de protótipos que costumam ser vistos nos salões internacionais. Apenas alguns detalhes ainda precisam de um cuidado maior, como fios que parecem não ter recebido a finalização devida.

Visualmente, a LiveWire também quebra com a tradição da marca e é capaz de transmitir uma modernidade nunca vista em motos da H-D. Antes, quem chegou mais longe foi a linha V-Rod, de quem a moto elétrica carrega algumas similaridades. Também existe algo de XR 1200 na moto e, inclusive, as suspensões dianteiras foram herdadas dela.

No entanto, a empresa conseguiu manter seu DNA na moto: basta olhar para dizer “sim, é uma Harley-Davidson”. Isso fica nítido em detalhes como farol dianteiro, para-lamas e botões de comando da motocicleta.

A moto é essencialmente uma naked, ou seja, apresenta um conjunto sem carenagens e com uma pegada de esportividade e tamanho compacto, fugindo do que se vê nas imensas touring e custom da H-D. Detalhes como os piscas integrados aos retrovisores e o desenho do chassi trazem linhas futurísticas à moto.

Boa opção para a cidade
Ao contrário da maioria das Harleys, a LiveWire pode ser uma boa opção para deslocamentos urbanos, o que foi comprovado durante o trajeto percorrido em Manhattan. Diferente do que faz com seus modelos, para este a divulgou a potência do motor: 74 cavalos de potência e 7,14 kgfm de torque, números dignos de um modelo de médio porte com propulsor movido a combustão.

Além disso, pelo comportamento típico dos motores elétricos, de já entregar bastante força em giros baixos, ao contrário das motos tradicionais, a LiveWire oferece uma esportividade empolgante.

Com a capacidade de fazer de 0 a 100 km/h em 4 segundos, segundo a fabricante, a moto transmite uma aceleração contundente. Essa "veia" radical também é percebida no posicionamento do motociclista que, apesar de natural e confortável, insinua uma dose de esportividade.

No entanto, não foi possível levar a LiveWire ao limite no meio da cidade, onde a velocidade é restrita. A Harley-Davidson diz que a moto é capaz de atingir 148 km/h de velocidade máxima limitada eletronicamente, número que poderia ser maior, mas teve de ser restringido por regras de legislação.

Para ligá-la, basta apertar um botão no punho direito e a moto já está em funcionamento, totalmente silenciosa. Somente após girar o acelerador que é possível perceber que está ligada e o barulho do motor começa a aparecer.

Pela natureza do motor elétrico, o conjunto apresenta apenas uma única marcha e não tem embreagem nem pedal de câmbio. Isto poderia acarretar em dificuldades para controlar a moto e realizar manobras em baixa velocidade, como é normal em outras motos elétricas, mas isso não acontece com a H-D.

O tato oferecido pelo acelerador está bem ajustado e é possível realizar aquelas manobras típicas de cidade com engarrafamentos, controlando a moto com a ajuda do freio traseiro. Seu ângulo de esterço é mediano; não é ótimo, mas também não chega a comprometer.

Apenas o conjunto de baterias pesa 113,5 kg – peso equivalente ao uma Honda CG 150 -  e a massa total da moto não é baixa: são 210 kg. No entanto, sua distribuição foi bem realizada pela fabricante americana, permitindo que a moto tenha uma tocada ágil e fácil de ser feita.

A marca escolheu por fazer a LiveWire uma monoposto, ou seja, somente há espaço para o piloto. Com a ausência de espaço para o garupa, a traseira ficou bem afilada e pequena, sendo que o suporte da placa foi levado para próximo do pneu, como ocorre em Ducati Diavel e MV Agusta Rivale. Este é o mesmo local para onde foram deslocados os piscas traseiros.

Se for vender, tem que ter ABS
Com freios de acionamento de forte potência, a LiveWire mostrou que, se for realmente vendida, o sistema com freios ABS, para evitar o travamento das rodas, será imprescindível. Isso porque a traseira tende a travar com facilidade nas frenagens.

Questionada sobre essa possibilidade, a H-D não esconde que a adoção do ABS está entre os possíveis avanços para a moto durante as clínicas com os clientes. Outro ponto que também pode ser modificado é o acerto das suspensões.

Aparentemente, o ajuste é prioritariamente esportivo, com proposta rígida que garante estabilidade, mas deixa a desejar em conforto. Em cidades com asfalto em não tão boas situações, faria falta um pouco de filtragem para os impactos.

Como a avaliação foi realizada apenas no perímetro urbano, não foi possível saber como a H-D elétrica se comporta em curvas de alta velocidade, mas a impressão foi de um conjunto equilibrado.

Autonomia ainda é o desafio
Baseando-se nos números divulgados pela Harley-Davidson, o maior desafio para a LiveWire é a sua autonomia. Capaz de rodar uma média de 85 km com a carga completa de uma bateria, a moto oferece uma boa margem para deslocamentos em cidades, mas sair do perímetro urbano pode ser um inconveniente e uma “pane seca” elétrica iminente.

Quando e se a Harley decidir lançar este produto, esta tecnologia já poderá ter evoluído, aumentando o raio de ação da moto com a bateria completa. Antes de ligar a moto, ainda é possível escolher um modo de condução econômica, que reduz sua força, e diminui os gastos. Uma carga completa leva 3,5 horas para ser realizada.

Não chega a ser animador, mas já é melhor que a de outros modelos elétricos que podem tomar até 8 horas para a carga total. No entanto, eles possuem autonomia maior, de até 200 km. Para realizar a recarga, basta conectar a LiveWire em uma tomada comum.

Para expandir o raio de ação, a moto possui sistema de freios que regeneram parte da energia empregada para parar o modelo.

Sobre qual a vida útil da bateria, os executivos da empresa declararam que ela foi construída para durar por todo o ciclo de uso da moto, sem especificar um prazo específico.

Seguindo a linha tecnológica, o painel é completamente digital e lembra até um tablet.

Vai vender ou não vai?
Foram 4 anos de desenvolvimento até a apresentação da moto, no ano passado, que teve ampla divulgação e presença de mídia estrangeira nos EUA. De acordo H-D, ainda não há uma definição sobre se o modelo será ou não produzido em série e colocado à venda. A empresa não revela quanto foi investido, mas garante que não foi algo "astronômico" e que a quantia é inferior à empregada no projeto Rushmore.

A Harley promoveu a experimentação da LiveWire em concessionárias da marca nos Estados Unidos, Canadá e Europa. O intuito é ouvir opiniões dos usuários, como também será feito no Brasil, durante o Salão Duas Rodas, para aprimorar o modelo. 

Como ocorreu com o projeto Rushmore, que evoluiu a sua linha touring, a empresa quer ouvir os seus clientes para fazer a moto do jeito que desejarem, mas dessa vez, não há sigilo.

Entretanto, também existe outro objetivo em “falar” com os clientes antes de lançar a moto. Pelo conservadorismo de grande parte de seus usuários, uma Harley elétrica pode ser considerada um sacrilégio aos que idolatram os “motorzões” da empresa. “Nossos tradicionais consumidores podem ficar tranquilos que vamos continuar produzindo os modelos tradicionais”, disse o presidente Levatich.

Este sinal de mudança já havia aparecido no ano passado, com a chegada das Street 500 e 750, modelo mais simples e acessível da linha atual. Com um produto praticamente pronto, fica difícil imaginar que a LiveWire não seja definitivamente produzida.

Se isso acontecer, será um grande passo para o futuro da indústria de motocicletas e as outras grandes marcas provalmente correrão atrás.

Moto de super-herói
Antes de chegar definitivamente às ruas, a LiveWire fez sua estreia nos cinemas, no filme “Os Vingadores 2 – A era de Ultron”. A aparição no filme segue o trabalho feito pela marca ao dar um som especial à motocicleta.

Os ruídos emitidos pelos tradicionais motores V2 da Harley sempre soaram como sinfonia aos ouvidos dos amantes da marca e, também no caso da LiveWire, a H-D quis produzir um som diferenciado, inspirado em uma turbina de avião.

Em relação aos opacos sons de outras motos elétricas, a moto é realmente mais empolgante e emite algo como um zumbido. “Algumas pessoas que andaram na moto se sentem como um super-herói”, disse Matt Levatich. Apesar de tentar conquistar pela emoção, o que realmente atrai na LiveWire é a racionalidade de poder de entregar o desempenho de uma moto comum, mas com os benefícios da eletricidade.

 

Fonte: G1

Mais Novidades

09 DEZ
JAC T60 cobra R$ 100.000 para roubar (alguns) clientes do Jeep Compass

JAC T60 cobra R$ 100.000 para roubar (alguns) clientes do Jeep Compass

T60: com 4,41 x 1,80 x 1,66 x 2,62 m de comprimento, largura, altura e entre-eixos, ele tem porte de Compass (4,42 x 1,82 x 1,64 x 2,64) (Divulgação/JAC)Sabe a JAC, marca chinesa que virou um peixe fora d’água após explodir em vendas no Brasil com o J3 – o carro do Faustão?Pois bem, recentemente a mesma marca anunciou uma “virada elétrica”, com vários carros e de segmentos diversos movidos apenas a bateria. Agora, no entanto, ela apresenta o T60, um SUV médio com... Leia mais
09 DEZ
Teste do Especialista: qual removedor tira melhor as manchas de chuva?

Teste do Especialista: qual removedor tira melhor as manchas de chuva?

Quando as manchas brancas do vidro não saem na lavagem, um reforço deve ser chamado (Paulo Bau/Quatro Rodas)Cedo ou tarde, os vidros vão perdendo a aparência cristalina devido às contaminações de difícil remoção, especialmente a chuva ácida, comum nos centros urbanos.Para acabar com isso, só recorrendo a produtos específicos, como os das marcas Alcance Profissional, Easy Tech e Prolitec. Para testar os três, chamamos o detailer automotivo Márcio Moreira.“Ao usá-los, recomendo... Leia mais
09 DEZ
Nova Fiat Strada será picape com cabine de Mobi e lanternas de Toro

Nova Fiat Strada será picape com cabine de Mobi e lanternas de Toro

Nova utilitária será derivada do Fiat Mobi (Projeção Quatro Rodas/Quatro Rodas)Com o final do ano chegando, a ansiedade pelos grandes lançamentos de 2020 aumenta. Se sua curiosidade for pelo segmento das picapes compactas, já podemos ao menos amenizá-la.A principal novidade do segmento no ano que vem será a segunda geração da Fiat Strada (sempre é bom lembrar que, durante mais de 20 anos, a picapinha foi vendida no Brasil usando sempre a mesma plataforma do Palio 1).Capacidade de... Leia mais
09 DEZ
Antes de bancos do Gol GTI, Recaro fabricou Fusca e até primeiros Porsche

Antes de bancos do Gol GTI, Recaro fabricou Fusca e até primeiros Porsche

Passat GTS Pointer foi um dos primeiros nacionais a oferecer bancos Recaro (Christian Castanho/Quatro Rodas)Se você já tinha suficiente idade para dirigir – ou gostar de carros – nos anos 1980 e 1990, provavelmente desejou os bancos Recaro dos Volkswagen mais esportivos.O que talvez seja desconhecida é a origem do fabricante de bancos, que produziu os primeiros protótipos do Fusca e foi responsável pela construção do Porsche 356.Na verdade, a Recaro nasceu com outro nome, em 1906:... Leia mais
08 DEZ
Impressões: Chevrolet Equinox abdica de motor do Camaro para vender melhor

Impressões: Chevrolet Equinox abdica de motor do Camaro para vender melhor

Versão Midnight tem os equipamentos da LT, mas visual incrementado com detalhes pretos (Henrique Rodriguez/Quatro Rodas)O comercial de lançamento do Chevrolet Equinox, com Felipe Massa acelerando o modelo em Interlagos, não era exatamente um exagero.Naqueles meses finais de 2017, o SUV médio era vendido apenas na versão Premier com tração integral e motor 2.0 turbo de 262 cv.Trata-se do mesmo motor que equipa a versão de entrada do Camaro nos Estados Unidos, porém em calibração um... Leia mais
07 DEZ
VW “Virilha”: sete carros que, como o Nivus, têm nomes com duplo sentido

VW “Virilha”: sete carros que, como o Nivus, têm nomes com duplo sentido

Nivus, ou “virilha”, em estoniano (Reprodução/Volkswagen)O novo SUV cupê da VW foi anunciado na última quinta-feira (5) e se chamará Nivus.A explicação da marca alemã é de que o nome não possui um significado específico, nem em português nem em outra língua. Confira a explicação oficial na íntegra:“O nome ‘Nivus’ foi desenvolvido com uma agência de criação e posteriormente submetido a uma pesquisa com mais de 500 potenciais clientes de várias regiões do Brasil,... Leia mais