Novidades

14 MAI

A história do único Volkswagen Gol que correu em Nürburgring

Um Gol brasileiro no Inferno Verde (Renato Hinkelmann/Acervo pessoal)

Quem vai a Nürburgring tem a opção de alugar desde um pequeno esportivo até um superesportivo, ou usar o próprio carro para percorrer os quase 21 km do circuito. O brasileiro Renato Hinkelmann escolheu a segunda opção: usou seu Volkswagen Gol bolinha 1998, também conhecido como #7×2.

Mas como um Gol foi parar na Alemanha, onde ele nunca foi vendido?

 (Reprodução/Youtube)

O engenheiro mecânico nascido em Fortaleza conta que este é, provavelmente, o Gol mais novo da Europa. Há notícias de apenas outros dois Gol, do BX (de primeira geração, ainda com motor refrigerado a ar), um em Portugal e outro na Alemanha.

Este foi, certamente, o primeiro Volkswagen Gol a rodar por Nürburgring (Renato Hinkelmann/Acervo pessoal)

Renato conta que o carro apareceu na sua garagem quase que por acaso.

O Gol chegou rodando na garagem de Renato, graças à placa de concessionária (Renato Hinkelmann/Acervo pessoal)

“Esse Gol ficou quase dois anos anunciado na Autohaus Krupp, uma loja de carros raros, antigos e exóticos, e ninguém se interessava por ele. O dono, Stephan Krupp, ofereceu um valor maior do que eu imaginava na minha Kombi 74 Standard com apenas 29.000 km, que levei do Brasil, e o Gol entrou no negócio por 2.000 euros”, conta Hinkelmann.

Apesar de estar muito novo, é um Gol CL 1.6 quase básico (Renato Hinkelmann/Acervo pessoal)

“Se eu o vendesse, acabaria virando sucata por ter algumas peças em comum com o Passat e o Audi 80, e usar o mesmo motor de outros Volks da época. Mas era um Gol com 1.876 quilômetros rodados e eu tinha lugar para guardar, então resolvi ficar com ele”, segue.

Não há vidros elétricos, nem ar-condicionado (Renato Hinkelmann/Acervo pessoal)

Trata-se de um Gol CL 1.6 Mi 1998 com quatro portas – uma das novidades desse ano – sem ar-condicionado, mas com direção hidráulica, que foi importado zero quilômetro por um fornecedor de peças da Volkswagen. Ele ainda está com os adesivos da antiga concessionária Cibramar, de São Paulo. Renato conta que o carro seria usado em testes que nunca chegaram a ser feitos.

O quadro de instrumentos no momento que o carro foi anunciado – tem até conta-giros! (Renato Hinkelmann/Acervo pessoal)

“Como o Gol G3 foi lançado poucos meses depois da chegada do carro na Alemanha, isso pode ter motivado a empresa a desistir dele. O carro foi abandonado e vendido para uma oficina em 2000, e depois vendido a um terceiro que, em 2005, conseguiu da Volkswagen um documento com todas as informações técnicas do carro em alemão.”

O carro só chegou ao Stephan entre 2014 e 2015, quando recebeu novos pneus e teve seus fluidos e bateria trocados. Ainda assim, o Gol do Brasil não podia circular pelas vias alemãs: a documentação de importação foi perdida. Renato precisou buscar laudos de Nada Consta com as autoridades brasileiras e apresentar sua tradução juramentada aos órgãos alemães.

Depois de ser adequado às normas alemãs, o Gol foi levado para a vistoria em reboque (Renato Hinkelmann/Acervo pessoal)

Como se não bastasse isso, foi necessário adaptar o Gol CL às normas vigentes na Alemanha em 1998. Para isso, instalou a lanterna de neblina original e trocou os cintos de segurança por novos validados pelos órgãos de segurança europeus, além de fazer teste de emissões em dinamômetro na hora da inspeção.

Todo esse processo começou em março de 2017 e terminou em janeiro de 2018.

 (Renato Hinkelmann/Acervo pessoal)

Como o Gol ficou anos exposto ao tempo – o que na Alemanha significa ter contato com calor, muito frio e neve – as borrachas das calhas do teto encolheram cerca de 20 cm. Elas foram trocadas junto com outras também danificadas pelo tempo, todas enviadas pelos parentes no Brasil – mesma origem dos faróis de neblina. A pintura do carro precisou de polimento, mas o teto continua queimado.

Enquanto os europeus tinham o Golf e o Polo, no Brasil o Gol era o carro de entrada da Volks no Brasil (Renato Hinkelmann/Acervo pessoal)

É raro não precisar de um suporte brasileiro para ter peças, mas a sorte ajuda. O para-brisas tinha uma rachadura de 2 cm que não viram na inspeção, mas que aumentou para 30 cm quando o carro foi levantado em um elevador. Culpa dos velhos problemas de torção do Gol.

O Passat foi o último Volkswagen com motor longitudinal na Europa (Renato Hinkelmann/Acervo pessoal)

“Já estava em contato com importadores de Kombi para trazer o vidro do Brasil quando fui a uma concessionária. Depois que provei que se tratava de um Gol, não de um Golf, o funcionário encontrou o para-brisas para os anos 2004 a 2011 em estoque, e ainda havia três versões diferentes. Para um carro que nunca foi vendido na Europa. E foi entregue em cinco dias”. Mas foi a única peça do Gol que procurava que existia no estoque,

Renato colocou uma mensagem para quem ousar chamar o Gol de Golf (Renato Hinkelmann/Acervo pessoal)

Renato conta que os alemães olham com estranheza seu compacto brasileiro. “Eles não estão acostumados a não reconhecer os carros e perguntam qual tipo de Golf é esse. Ficam ainda mais impressionados com o motor longitudinal, que o Golf nunca teve”.

Não é comum ver um Gol entre Porsche, Scirocco e Corvette. Nem no Brasil, nem na Alemanha (Renato Hinkelmann/Acervo pessoal)

Mas o Golzinho tirou vantagem do novo país. No lugar da placa que escondia a falta de rádio, agora há um toca-fitas digital herdado do Golf de terceira geração. As rodas de aço com calotas deram lugar às rodas opcionais do Passat GL 1995, baratas na Europa, mas que no Brasil são caríssimas por terem sido usadas na mesma época pelo primeiro Gol GTI 16V .

O rádio veio do Golf, mas parece ter sido feito para o Gol (Renato Hinkelmann/Acervo pessoal)

E foi desse jeito que o Gol brasileiro dividiu a pista do circuito de Nürburgring-Nordschleife com Nissan GT-R, Porsche e BMW no Dia das Mães.

O Gol na famosa curva Karousel (Renato Hinkelmann/Acervo pessoal)

Renato avisou os fotógrafos que tiram fotos dos carros na pista para clicarem seu carro incomum (Renato Hinkelmann/Acervo pessoal)

 (Renato Hinkelmann/Acervo pessoal)

“O pé cravado no acelerador, o 1.6 AP girando a mais de 6.000 rpm, minha mulher gritando de emoção do lado… e os Porsches ainda passavam muito rápido por mim. Nas gravações, parecia que o Gol estava parado na pista.”

Não é todo dia que se vê um Gol na frente de um Porsche… (Renato Hinkelmann/Acervo pessoal)

Com 92 cv a 5.500 rpm e 13,2 mkgf de torque, o Gol CL 1.6 tinha o zero a 100 km/h de 11,9 s declarado pela Volkswagen.

Renato garante que a intenção era apenas passear com o carro pelo Inferno Verde e não cronometrou a volta que deu. Mas já tem novos planos para o carro, que agora está com 3.900 km: no final de maio, sairá de Colônia, cruzará a Áustria inteira com destino à Eslovênia.

 (Renato Hinkelmann/Acervo pessoal)

Na volta, passará em Reifnitz, na Áustria, para o último dia do Wörthersee Treffen – o maior evento para entusiastas de carros do grupo Volkswagen do mundo. É o melhor lugar para mostrar aos europeus que o Gol não é apenas um Golf com uma letra a menos.

Você pode acompanhar o dia a dia do Gol na Alemanha e dos outros carros do Renato (BMW E36 316i 1997, Fiat 500R 1975 e um Fusca 1300L 1978, que está no Brasil) pelo perfil @classiccarseuropa no Instagram.

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

27 ABR

Fiat foi a marca de carros que mais perdeu espaço com a crise

A crise na indústria automotiva, que algumas montadoras entendem que ficou para trás, deixou diversos efeitos no mercado. Para as marcas, além da redução no volume de vendas, houve uma mudança considerável no ranking das que mais vendem. Pesou mais para a Fiat. Desde que os emplacamentos começaram a cair no Brasil, 5 anos atrás, a marca não apenas perdeu a liderança do mercado como viu sua participação despencar mais de 10 pontos percentuais. Foi o maior recuo entre as 10 que... Leia mais
26 ABR

Ford vai desistir de vender carros de passeio nos EUA

Ford Fusion deixará de ser vendido nos EUA (Divulgação/Ford)A Ford, segunda maior fabricante de automóveis norte-americana, anunciou que até 2020 planeja tirar de linha na América do Norte modelos tradicionais como Fiesta, Fusion, Focus e Taurus. O motivo: são carros que trazem apenas prejuízo para a empresa.Com isso, a linha (para EUA, Canadá e México) seria formada 90% por SUVs, picapes e crossovers, mantendo em produção apenas o esportivo Mustang e o crossover Focus Active,... Leia mais
26 ABR

Salão de Pequim tem clones de Fiat, Land Rover e até Mercedes

BAIC BJ80 é uma cópia até bem feita do G 63 6X6 (Henrique Rodriguez/Quatro Rodas)O Salão de Pequim deste ano deixa claro que as fabricantes chinesas vivem um momento de autoafirmação no mercado global.Boa parte das marcas trabalharam o design e a qualidade de seus carros ao longo da última década.Contudo, enquanto algumas empresas investem em uma identidade própria e coesa em sua linha, outras ainda apelam para a – prepare-se para as aspas aéreas – “inspiração” em carros e... Leia mais
26 ABR

Nissan Leaf 'estreia' novo padrão de testes de segurança da Europa com nota máxima

O Nissan Leaf foi o responsável por estrear o novo padrão de testes do Euro NCap, entidade independente que atesta a segurança dos veículos. E ele se saiu bem, levando a nota máxima de 5 estrelas. Para 2018, o Euro NCap adicionou novas provas, sobretudo para as tecnologias de frenagem automática. Entre elas, estão a detecção e frenagem automática de pedestres à noite e de ciclistas. Outro teste inédito é o de permanência de faixa. O Nissan Leaf se saiu bem em todos os... Leia mais
26 ABR

Bosch compra startup de compartilhamento de carros dos EUA

A alemã Robert Bosch, uma das maiores fabricantes de componentes automotivos do mundo, criou na última quarta-feira (25) uma nova divisão para ampliar seu alcance nos mercados de serviços de viagem e veículos conectados. Como parte do programa, a Bosch adquiriu uma pequena empresa de transporte por aplicativo nos Estados Unidos. A startup de carros compartilhados Splitting Fares, cujo aplicativo conecta pessoas que compartilham a mesma rota para o local de trabalho ou estudo,... Leia mais
26 ABR

Nova família de carros da GM, em parceria com chineses, chega em 2019 também para América do Sul

A General Motors, dona da Chevrolet, prepara uma nova famíia de carros de baixo custo a serem lançados em 2019 na China e na América do Sul. Os novos veículos GEM (Mercados Emergentes Globais, na sigla em inglês), que incluem sedãs e crossovers (carros que misturam características de mais de um tipo), serão lançados no 2º semestre de 2019, com uma produção anual de até 2 milhões de unidades até o final de 2021, afirmou o vice-presidente financeiro da GM, Chuck Stevens. ... Leia mais