Novidades

10 MAI

Brasil x México: por que pagamos tão mais caro para fazer e comprar carro

 (Arte/Quatro Rodas)

Um estudo divulgado nesta terça-feira (7) pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veiculos Automotores) aponta que um mesmo carro tem custo de produção por vezes até 40% mais alto no Brasil do que no México.

Segundo o levantamento, apenas a tributação brasileira é responsável por uma diferença que pode variar de 21 a 28 pontos percentuais.

Isso porque, enquanto o sistema mexicano é formado por um imposto única, o IVA, cuja alíquota é de 16% sobre a venda, o nosso é composto por três tributos: ICMS (12%), PIS/Cofins (11,6%) e IPI (que varia de 7% a 13%, a depender da capacidade cúbica do motor).

Levando-se em conta os custos de fabricação de maneira isolada, a diferença pró-México é de 18 pontos percentuais, sempre de acordo com a Anfavea.

Ou seja: enquanto um veículo sai de uma linha de montagem nacional tendo custado 100 pontos percentuais, um equivalente feito no México terá custado 81,9 pontos.

Gráfico do estudo detalha as áreas de produção mais custosas no Brasil em relação ao México (Reprodução/Anfavea/Quatro Rodas)

Desses 100, as fabricantes instaladas no Brasil pagam em média 8,1 pontos percentuais a mais na aquisição de materiais e componentes junto a fornecedores, o que representa sozinho 55% da diferença.

Segundo a Anfavea, boa parte dessa discrepância se explica pela incidência de impostos sobre materiais e componentes adquiridos junto a fornecedores. É o famoso efeito cascata de nossa carga tributária.

Na sequência aparecem: custos trabalhistas e encargos sociais (3,3 pontos); logística (2,9 pontos); custos de fabricação (2,8 pontos); despesas administrativas (1,6 ponto).

Assim, pelo estudo da Anfavea, mesmo que um carro brasileiro não recebesse a incidência de nenhum imposto no ato da venda, ainda assim seu custo seria equivalente ao do mesmo modelo feito no México já com o IVA aplicado.

Já com as alíquotas cheias, sempre seguindo os dados da entidade, a cada 100 pontos de custo de um carro mexicano, um mesmo veículo produzido no Brasil custaria entre 137 e 144 pontos.

Segundo o estudo, com aplicação das respectivas cargas tributárias, diferença de preços salta ainda mais (Reprodução/Anfavea/Quatro Rodas)

Outro apontamento da Anfavea é que, mesmo com aplicação da carga tributária brasileira sobre veículos importados do México (com quem nosso país possui acordo de livre-comércio desde o início deste ano) e vice-versa, o Brasil ainda sai perdendo.

Um carro mexicano custaria 12 pontos a menos em relação a um nacional para ser comercializado aqui. Na outra ponta, o nosso seria 24 pontos mais custoso quando vendido lá em comparação com um equivalente feito no local. Entretanto,

Na prática, um carro produzido no México chega ao Brasil custando em média 33,25% mais do que o valor cobrado pelo mesmo modelo, em versão equivalente, no próprio mercado mexicano. Veja cinco exemplos na tabela abaixo:

Por outro lado, carros produzidos em nosso país chegam ao consumidor a preços, em média, 22,54% mais baixos do que o que nós, brasileiros, pagamos pelas versões equivalentes de um mesmo modelo.

Esse último dado é o que costuma colocar em descrédito as reclamações das fabricantes brasileiras contra o chamado “custo Brasil”. Para muitos críticos, ela evidencia a outra faceta da moeda, o vulgo “lucro Brasil”. Confira:

QUATRO RODAS procurou a Anfavea para obter uma justificativa sobre esse destoamento sempre favorável ao mercado mexicano, independentemente do país de produção.

De acordo com a associação, a diferença no caso das exportações se explica por três fatores.

Primeiro: o carro nacional exportado chega ao México pagando apenas o IVA local, ficando livre do conjunto de impostos cobrados dos compradores brasileiros.

Segundo: os governos federal e municipais concedem isenções tributárias às fabricantes que exportam veículos, referentes a impostos embutidos na aquisição de componentes junto a fornecedores.

Esses valores são calculados na formulação do preço para exportação, embora, segundo a Anfavea, não venham sendo pagos há alguns anos.

Feito no Paraná, Renault Captur custa 30% mais barato no México que no Brasil (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Pelos cálculos da entidade, a indústria automotiva brasileira seria credora de R$ 13 bilhões em créditos tributários junto a diferentes governos, sendo quase metade desse montante devida apenas pelo governo estadual de São Paulo.

Por fim, como se tratam de acordos entre filiais de uma mesma companhia, é possível haver uma negociação de subsídios internos na conversão de moedas (já que os contratos são firmados em dólar), a fim de adequar o preço do produto à realidade do mercado onde ele será comercializado.

Ainda assim, é preciso fazer uma ponderação: seja nos casos de modelos importados ou exportados, os SUVs são os veículos com margem mais discrepante na conta. Por exemplo, tanto o nacional Captur quanto os estrangeiros Tiguan e Sportage são mais de 30% mais caros aqui do que no país da América do Norte.

Mera coincidência ou indício de que o brasileiro tem percepção de valor distorcida em relação aos utilitários esportivos? implicaria em margens de lucro maiores para os SUVs vendidos no Brasil em relação ao México. E explicaria por que as empresas automotivas querem tanto investir nesse tipo de veículo por aqui.

Já o Kia Sportage vem do México custando também 30% mais (Marco de Bari/Quatro Rodas)

Para a Anfavea, as principais vantagens competitivas do México são, além da carga tributária: a possibilidade de negociar com fornecedores globais; incentivos para Pesquisa e Desenvolvimento; escala de produção; capacidade de adequação a legislações de mercados mais desenvolvidos, como Estados Unidos e Europa.

Um exemplo disso é que, enquanto o país mais ao norte da América Latina exportou 3.253.859 veículos em 2018, o Brasil conseguiu exportar apenas 629.175 unidades no mesmo período.

Aqui vale outra ponderação, relacionada à geografia favorável aos mexicanos: o país é vizinho dos Estados Unidos, que sozinho compra quase 75% dos carros exportados por aquele país.

Isso facilita não somente o aumento do volume produtivo: significa que os veículos fabricados são de maior valor agregado.

Façamos o comparativo: enquanto os cinco modelos mais produzidos em solo mexicano no ano passado foram Nissan Sentra, Jeep Compass, Chevrolet Silverado, Volkswagen Jetta e Nissan Versa, por aqui o top 5 é formado por Chevrolet Onix e Prisma, Hyundai HB20, Ford Ka e Volkswagen Gol.

Seja pelos tributos, pelo custo Brasil, pelo lucro Brasil, pelos privilégios geográficos ou por qualquer outro motivo, o fato é: no comparativo com o México, estamos sempre perdendo seja ao produzir ou comprar um carro.

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

30 JAN

VW vai recomprar 194 carros vendidos no Brasil “sem registro de liberação”

Algumas unidades do Gol, de quatro anos-modelos diferentes, estão envolvidas no chamado (Divulgação/Volkswagen)A Volkswagen anunciou nesta quarta-feira (30) um recall um tanto inusitado. O fabricante pretende recolher de circulação 194 veículos, de 14 modelos diferentes, que teriam sido comercializados “sem registro de liberação”.Para isso, fará a recompra dos carros envolvidos, pagando o preço cheio da Tabela Fipe.Trata-se de unidades chamadas pré-série, produzidas com intuito... Leia mais
30 JAN

Volkswagen vai recomprar 194 carros vendidos fora dos padrões no Brasil

A Volkswagen anunciou que vai recomprar 194 carros vendidos no Brasil que estão foram dos padrões e não atendem regulamentação exigida. Os modelos envolvidos no recall foram produzidos entre 16 de janeiro de 2008 e 17 de fevereiro de 2017. De acordo com a montadora, as unidades foram vendidas sem o registro de liberação e não possuem a documentação interna de montagem, por isso, não é possível assegurar que atendam as normas. Entre os modelos fora do padrão estão Gol,... Leia mais
30 JAN

Doze dicas de “carro velho” que ainda ajudam a preservar um carro novo

Pisar na embreagem ao dar a partida, não descansar a mão sobre a alavanca o câmbio, evitar virar a direção até o fim do batente. Essas dicas que ouvíamos dos nossos pais diziam respeito a carros com pouca dose de tecnologia. Saiba que os carros evoluíram, ganharam injeção direta, aceleradores eletrônicos, assistência elétrica na direção, porém simples recomendações ainda garantem a maior duração dos componentes.– (Marcos Torres/Quatro Rodas)Aquela pisada no pedal da... Leia mais
30 JAN

Carlos Ghosn afirma ser vítima de uma conspiração

Carlos Ghosn afirmou ser vítima de uma conspiração que levou a sua prisão e negou ser culpado. Em sua primeira entrevista desde que foi detido em novembro passado, o brasileiro disse ao jornal "Nikkei" nesta quarta-feira (30) que as acusações foram "plantadas" contra ele. A entrevista durou cerca de 20 minutos e foi concedida dentro do centro de detenção de Tóquio, onde o ex-presidente da Nissan aguarda julgamento. Prisão de Ghosn: o que se sabe até agora De acordo... Leia mais
29 JAN

Mercedes-Benz decide cobrar por funções da central multimídia nos EUA

Central multimídia MBUX estreou com o novo Classe A (Divulgação/Mercedes-Benz)Nos EUA, a BMW já cobra pelo CarPlay – grátis até nos populares Chevrolet Onix e Hyundai HB20 por aqui. E agora a Mercedes deverá fazer o mesmo (não só com a função da Apple).Com a nova central multimídia MBUX, que estreou com o Classe A no ano passado, a marca alemã também criou uma loja de aplicativos, como nos smartphones, batizada Me Store.Novo CLA deverá ser o primeiro a cobrar pelos serviços... Leia mais
29 JAN

Sindicato recusa redução de piso salarial na fábrica da GM de São Caetano, no ABC Paulista

O Sindicato dos Metalúrgicos descartou medidas propostas pela General Motors para a fábrica da Chevrolet instalada em São Caetano do Sul, no ABC paulista. A empresa mostrou plano de 22 itens para os trabalhadores, entre eles, a redução do piso salarial e o fim da estabilidade para acidentados no trabalho. De acordo com Aparecido Inácio da Silva, presidente do Sindicato, as propostas apresentadas pela GM interferem no acordo vigente até 2020 entre a entidade e os trabalhadores.... Leia mais