Novidades

07 MAI

Lamborghini Huracán Evo é monstro de coração forte e traseira inquieta

A potência subiu para 640 cv, 30 a mais do que na versão anterior (Lamborghini/Divulgação)

Quando o Lamborghini Huracán substituiu o Gallardo, em 2014, representou melhorias em vários aspectos, como motor, câmbio (o atual de dupla embreagem e sete marchas é mais suave e rápido do que o automatizado anterior), suspensão, interior e eficiência em curva.

Mas ainda estava devendo no uso em pista, situação comum para um dono de Lambo. A chegada da versão Performante, em 2016, mudou isso, trazendo um arsenal aerodinâmico e uma direção mais precisa, além de 40 kg a menos.

O Huracán Evo adotou mudanças que já estavam na versão Performante (Lamborghini/Divulgação)

Agora a marca italiana quer dar um passo além. Por isso estou no lançamento da versão Evo, no Bahrein. Essa renovação de meio do ciclo de vida do Huracán é um exercício de reengenharia.

É a ponte perfeita entre esses dois mundos, ao aproximar a versão básica Coupé da Performante: o Evo passa a ser por enquanto a única opção, com os 640 cv do sensacional V10 aspirado de 5,2 litros – o antigo Coupé tinha 610.

Visualmente o novo Evo é mais próximo do falecido Coupé LP610 do que do Performante, este mais carregado de apêndices aerodinâmicos.

Em relação à versão básica, há entradas de ar maiores no para-choques dianteiro, spoiler frontal e difusor traseiro novos e assoalho do veículo mais plano.

Entre as melhorias aerodinâmicas, os novos spoiler e difusor atrás e os escapes mais altos (Lamborghini/Divulgação)

Atrás, vemos duas saídas de escape (antes eram quatro) em posição mais alta e um novo spoiler, para melhorar a carga aerodinâmica, que era deficiente e causava alguma instabilidade em situações mais extremas de pilotagem.

Os avanços que aprimoraram o comportamento dinâmico, porém, são invisíveis, caso do eixo traseiro direcional (já existia no Aventador e no Urus), da vetorização de torque e da direção dinâmica (que muda o peso e a desmultiplicação, desaparecendo a passiva), que se juntam aos amortecedores magnéticos.

Seguindo o visual da carroceria, o interior também recorre às formas hexagonais, das telas aos bancos, passando pelo volante (Lamborghini/Divulgação)

Assim que eu entro na cabine, noto a nova tela no console central, maior (8,4 polegadas).

O interior é muito bem-acabado e solidamente construído, onde só destoam os parafusos à vista atrás do volante e o fato de o cinto de segurança estar preso na coluna central e não nos sólidos bancos concha (opcionais).

Há um ar de cockpit de avião de combate, cheio de formas hexagonais (como nas saídas de ventilação), apesar do predomínio dos revestimentos em Alcantara.

O recurso Anima, que muda a personalidade do Huracán entre três configurações (Lamborghini/Divulgação)

Logo chama minha atenção o quadro de instrumentos de 12,3 polegadas de alta resolução, todo configurável. Mas o destaque é o botão Anima, na parte inferior do volante.

Ele define as três personalidades do Huracán: Strada, para a circulação em cidade ou pisos mais irregulares; Sport, para vias de velocidades mais altas ou condução mais nervosa; e Corsa, para as emoções das pistas.

Quase tudo no veículo é alterado por esse botão: da resposta e sonoridade do motor à configuração do câmbio, do controle de estabilidade à direção dinâmica, da ação da tração 4×4 aos amortecedores eletrônicos.

No entanto, não existe o modo Ego, que permite combinar um amortecimento mais suave com a resposta mais agressiva do motor.

Estão aqui todas as conhecidas qualidades do V10 aspirado (como em todos os Lamborghini, que admite que um dia terá de adotar turbo ou eletricidade nos seus V10 e V12 para atingir os limites de emissões).

Mantém os 5,2 litros com as novas válvulas de admissão de titânio (responsáveis por uma abertura maior) e um escape menos restritivo.

Sobre os dois cabeçotes, as barras antitorção (Lamborghini/Divulgação)

O resultado são 640 cv (30 a mais que no antigo Coupé) e 61,2 mkgf (6,1 a mais), com uma curva de torque mais plana (70% do total a apenas 1.000 rpm). Tudo como no Performante, portanto.

Assim, seu 0 a 100 km/h é de breves 2,9 s e apenas 9 s até os 200 km/h, com velocidade máxima divulgada acima de 325 km/h.

Enfim, chegou a minha vez de entrar na pista. Eu vou sozinho no meu Evo seguindo um piloto-instrutor, em duas sessões de quatro voltas: uma de aquecimento, duas rápidas e uma de arrefecimento.

Ao todo, portanto, oito voltas no circuito do Bahrein.

A visão do motor V10 aspirado é um espetáculo à parte. (Lamborghini/Divulgação)

Já na primeira volta, a sensação é de que é enorme a facilidade com que se anda muito depressa e sempre com uma excelente entrada de curva e equilíbrio geral nas violentas transferências de massas, tanto na frenagem a partir dos 270 km/h na reta como em zonas de curva e contracurva.

A agilidade nas curvas mais lentas e a estabilidade em reta sobem para um novo patamar também por causa da rotação em alguns graus das rodas traseiras – que giram na direção oposta às dianteiras em baixas velocidades ou na mesma em altas velocidades.

O Evo ganhou tanto em desempenho geral que consegue superar o tempo (em cerca de 3s) de uma volta rápida do Performante, mais leve e colado ao piso, num circuito técnico como o de Nardo, perdendo só num traçado mais linear e rápido como Nürburgring.

Rodas de aro 20 calçam pneus 305/30 atrás e 245/30 à frente (Lamborghini/Divulgação)

Ao fim do test-drive, percebo alguns detalhezinhos que  poderiam ser melhorados no Evo, além da impossibilidade de selecionar o ajuste mais confortável da suspensão (Strada) com um acerto mais agressivo (Corsa) do motor/caixa.

O primeiro é a falta de peso na direção no modo Corsa (é rápida e precisa sempre, mas neste ajuste um pouco mais de peso iria bem).

A placa mostra a ordem de ignição dos cilindros. (Lamborghini/Divulgação)

Há ainda um certo tato esponjoso do pedal do freio após o uso intensivo, algo pouco comum nos discos carbono-cerâmicos e que pode incomodar quem tem veia de piloto.

Percebe-se também uma inquietação da traseira nas frenagens mais agressivas antes de entrar nas curvas.

Por fim, as trocas de marcha no ajuste Corsa talvez pudessem ser mais agressivas, algo que a Lambo admite poder ser verdade, mas que está reservada para uma versão mais picante.

Ou seja, algo ainda mais caro que o Evo, um esportivo de 250.000 euros, cerca de 25.000 mais que o Huracán básico.

É verdade que é preciso pilotar o Evo na pista a fim de sentir o enorme ganho em eficiência dinâmica. Mas, se há um público que levará o carro para um autódromo, sem dúvida é o dono de Huracán.

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

18 OUT
Aston Martin revela DB11 conversível com motor AMG

Aston Martin revela DB11 conversível com motor AMG

Conversível equipado com motor V8 da AMG tem velocidade máxima de 301 km/h (Divulgação//Aston Martin) A Aston Martin divulgou imagens e informações do novo DB11 Volante. O elegante conversível é o segundo modelo da marca equipado com motor Mercedes-AMG – o primeiro foi justamente o DB11 cupê, que pode vir com o mesmo V8 do conversível ou um V12. O V8 biturbo (o mesmo motor do Mercedes-AMG GT S) tem 510 cv, suficientes para fazer o... Leia mais
18 OUT
Hilux ganha versão flex manual e série especial Challenge

Hilux ganha versão flex manual e série especial Challenge

Visual esportivo marca a nova série Challenge, de R$ 161.990 (Divulgação/Toyota) Embora Hilux e SW4 sejam os líderes de suas respectivas categorias, os modelos ainda tinham lacunas a serem preenchidas. Para a linha 2018, a Toyota supriu estas falhas com a chegada de duas novas versões: uma flex com câmbio manual (veja o teste do modelo com câmbio automático aqui) para a picape e uma topo de linha flex para o SUV. A série especial... Leia mais
17 OUT
Em corrida de Uno com escada, Fiat revelará nome do Argo sedã

Em corrida de Uno com escada, Fiat revelará nome do Argo sedã

Estes seis Uno de vários anos e fases diferentes revelarão nome de novo sedã compacto (Reprodução/Youtube) Existem carros rápidos, como o Bugatti Chiron, o Koenigsegg Agera RS e o Pagani Huayra. E existem os incrivelmente rápidos, como o Fiat Uno com escada no teto. A Fiat usará uma corrida com seis unidades deste mito para revelar o nome definitivo da versão sedã do Argo – o Projeto X6S. A corrida será divulgada na próxima... Leia mais
17 OUT
Mercedes-Benz Classe S, conforto de primeira classe

Mercedes-Benz Classe S, conforto de primeira classe

A reestilização foi tão sutil que é difícil notar os novos faróis e o para-choque redesenhado (Dieter Rebmann/Mercedes-Benz) Até quem não gosta de carros sabe identificar um Mercedes-Benz. Essa fama mundial se deve em grande parte ao Classe S. A nomenclatura adotada desde 1972 (quando o W116 chegou às ruas) vem do alemão “Sonderklasse”, ou “classe especial”, em português. Esse nome nunca fez tanto sentido quanto em sua... Leia mais
17 OUT
Chevrolet S10 celebra 100 anos das picapes GM com edição especial

Chevrolet S10 celebra 100 anos das picapes GM com edição especial

Produção da picape será limitada, segundo a Chevrolet. Na dianteira, até a tradicional gravata deu lugar a um logotipo exclusivo (Divulgação/Chevrolet) A Chevrolet apresenta uma edição especial da S10 em comemoração aos 100 anos de produção de picapes no mundo. A S10 100 Years será vendida por R$ 187.590 – uma diferença de R$ 6 mil a mais do que a versão High Country, a qual serviu de referência para a série... Leia mais
17 OUT
Segredo: novo Suzuki Swift é testado e flagrado no Brasil

Segredo: novo Suzuki Swift é testado e flagrado no Brasil

Motor 1.4 turbo e redução de peso de 80 kg são algumas novidades do novo Swift Sport (Suzuki/Divulgação) A quarta geração do Suzuki Swift está entre nós. Leitores de QUATRO RODAS flagraram e um concessionário confirmou que o veículo já passa por testes no Brasil. Apresentado mundialmente no fim de 2016, o Swift o hatch até parece mais uma reestilização do que uma nova geração. O design inclui novos faróis, para-choques e... Leia mais