Novidades

29 SET
Com dólar a R$ 4, Polo Industrial de Manaus já prevê produtos mais caros

Com dólar a R$ 4, Polo Industrial de Manaus já prevê produtos mais caros

A alta do dólar e a variação da moeda norte-americana no patamar de R$ 4 tem gerado previsões desanimadoras para a produção industrial no Amazonas. Os impactos nas fábricas já são considerados inevitáveis por especialistas. O aumento de preços, perda de competitividade e de empregos são alguns dos efeitos negativos esperados para os próximos meses.

A dependência de insumos importados na produção colabora para a elevação dos custos e consequente venda mais cara ao consumidor final. O Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) estima que o reajuste de preços dos produtos oriundos do Polo Industrial de Manaus (PIM) pode acontecer em até três meses.

De acordo com o Cieam, todos os produtos do PIM são montados com algum tipo de componente importado. O presidente da entidade, Wilson Périco, disse que a variação do dólar levará ao impacto generalizado e que deve afetar o bolso dos consumidores.

"Isso vai causar o aumento do preço do produto e que possivelmente vai chegar à ponta: o consumidor. O risco que tem é uma retração ainda maior do consumo, afetando as linhas de produção e colocando em risco os empregos que ainda temos", avaliou.

A Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) também prevê aumentos nos custos da produção industrial com a alta da moeda norte-americana. Segundo o presidente da entidade, as empresas terão dificuldades para repassar os novos custos.

"A compra de todo e qualquer insumo importado com variação atual do dólar fica complicada porque encarece a matéria-prima. Isso é altamente prejudicial e tem impactos negativos fortes. Antigamente, o aumento de qualquer insumo ou matéria-prima já era repassado para o preço e o mercado consumidor absorvia. Hoje o mercado não consegue absorver mais, diante das altas cargas tributárias também", afirmou Antônio Silva.

Antigamente, o aumento de qualquer insumo ou matéria-prima já era repassado para o preço e o mercado consumidor absorvia. Hoje o mercado não consegue absorver mais, diante das altas cargas tributárias também"
Antônio Silva - Presidente Fieam

A previsão de reajuste dos preços dos produtos ao consumidor varia conforme o volume de produtos nos estoques das fábricas e a periodicidade da compra de insumos. Para Périco, o reajuste do preço do produto ocorrerá lentamente.

"Depende muito da política de estoque de cada empresa. A maioria das empresas trabalha com estoque médio. O valor do estoque é o custo médio das entradas da matéria-prima importada, ou seja, cada nova entrada o sistema calcula o custo médio. Tem empresa que faz média mensal e outras das últimas quatro entradas. Acredito que em até três meses a alta do dólar entre e provoque um impacto muito grande no preço do produto, mas varia conforme a política das empresas sobre as margens", esclareceu o presidente da Cieam.

Eletrônicos
A alta do dólar também deve provocar reajustes das faixas de preços de eletroeletrônicos. Porém, os aumentos envolvem as faixas de novos produtos que serão lançados no mercado nos próximos meses. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, justificou que o curto ciclo de vida dos produtos eletrônicos faz com que o consumidor não sinta o aumento de preço.

"Leva um pouco de tempo para ter um impacto efetivamente nos preços dos produtos. Embora tenhamos uma necessidade grande de componentes importados, o equipamento eletrônico tem um ciclo de vida muito curto. Normalmente se lança o produto por um preço e esse preço tende a cair ao longo do tempo. Depois o novo produto é lançado. Os produtos eletrônicos têm patamares de preços e se nossa moeda fixar no valor de R$ 4 por um dólar, evidentemente, esse patamar de preço vai ter que ser elevado. Aquele produto que era lançado por R$ 799 vai ser lançado com um preço mais alto, mas isso é um processo demorado de acontecer porque as empresas têm estoques e levam mais tempo para repassar os preços para não perder mercado", comentou Barbato.

As incertezas do mercado industrial e a instabilidade da variação cambial têm dificultado as previsões. O titular da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Gustavo Igrejas, disse que neste momento é difícil fazer uma previsão de quando os impactos da alta do dólar serão sentidos na produção industrial.

"O dólar está com uma instabilidade e volatilidade absurda. Nesse momento as empresas estão postergando um pouco a ação de compra de insumos justamente para evitar perder dinheiro. Porém, vai impactar justamente os produtos com maior percentual de insumos importados na sua configuração. Agora é difícil prever o que vai acontecer nos próximos meses", justificou Igrejas.

Duas Rodas
O cenário nebuloso não é menos grave para os fabricantes de veículos. O setor de duas rodas, responsável pela fabricação de motocicletas, ciclomotores, motonetas, bicicletas e similares, enfrenta prejuízos desde 2012.

Com a crise econômica brasileira, o setor passou a registrar mais perdas e retração da produção industrial. A Honda é uma das empresas afetadas pela retração industrial brasileira. A empresa registrou queda de 11% da produção no primeiro semestre de 2015 em relação ao mesmo período do ano passado. Cerca de 70 mil motos deixaram de ser produzidas. A alta do dólar também deve influenciar a produção anual e a empresa prevê que o volume de motos não produzidas atinja 100 mil unidades.

"Desde 2012, ano a ano está reduzindo a produção. Até o ano passado foi em função do crédito, quando as instituições financeiras acabaram dificultando os financiamentos por conta do aumento da inadimplência. Desde o final do ano passado, a crise mais política do que econômica tem afetado. A nossa previsão do segundo semestre também não é muito animadora e prevemos uma queda de 7% em relação ao ano passado", avaliou o gerente de relações institucionais da Honda, Mario Okubo.

Uma das alternativas adotadas pela Honda para não perder mercado é investir na inovação. "Continuamos com os investimentos, principalmente em modelos novos. Lançamos alguns modelos neste ano e no mês que vamos lançar mais modelos no Salão de Duas Rodas, em São Paulo. Isso faz que com que o produto continue em alta e não fique ultrapassado. No momento de crise, temos que usar nossa criatividade e aproveitá-la para alavancar o produto. Uma hora teremos que repassar o preço da alta do dólar, mas isso vai ser muito difícil", comentou Okubo.

Demissões
Um dos prejuízos da alta do dólar é a retração do mercado que pode provocar mais perdas de postos de trabalho. O presidente do Cieam explicou que essa variação causa um efeito cascata em toda a produção industrial. "A empresa trabalha de acordo com o mercado. Se o mercado reduz a demanda, as empresas reduzem a produção e demitem funcionários", ressaltou Périco.

A perda de postos de trabalho no setor brasileiro industrial de eletroeletrônicos alcançou a marca de 21 mil até agosto, conforme dados da Abinee. A queda da produção e das vendas dos produtos podem ainda elevar o número de demissões do segmento até dezembro. "Uma perda expressiva. A expectativa é que se continuar nesse ritmo, terminaremos o ano com 30 mil postos de trabalho a menos em função do momento delicado da economia brasileira e em função da queda do índice de confiança do consumidor", frisou Humberto Barbato.

O Polo Industrial de Manaus já registra um volume de 18 mil trabalhadores demitidos somente neste ano, segundo a Fieam. Os desligamentos de profissionais são atribuídos ao agravamento da crise econômica do Brasil.

"Cada trabalhador desses, em média, tem cinco dependentes e é o responsável por trazer renda para casa, ou seja, total de 90 mil pessoas afetadas com as demissões somente no Polo Industrial de Manaus. As empresas têm tentado segurar os empregos, mas com queda da produção significa queda de vendas, o estoque aumenta e as linhas de produção são desaceleradas", explicou Antônio Silva.

O superintendente da Suframa disse que as empresas estão evitando ao máximo demitir os trabalhadores para evitar custos com recontratação em eventuais mudanças de cenário econômico.

"É um número que assusta e preocupa a gente, mas ainda não acompanhou a queda de faturamento em dólar. As empresas sabem que é melhor segurar um pouco os funcionários para ver como vai se comportar a economia do que demitir e ter que recontratar depois. Se não houver uma recuperação até o final do ano a situação vai se agravar mais ainda", comentou Gustavo Igrejas.

A produção no Polo Industrial de Manaus está em baixa, de acordo com a Suframa. No primeiro semestre de 2015, o faturamento do PIM foi de R$ 38 bilhões e com uma queda de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Polo Industrial tem cerca de 500 empresas.

Dólar e juros
O dólar operou em alta nesta segunda-feira (29) e voltou a alcançar os R$ 4, depois de uma semana de elevação em que a moeda bateu recordes seguidos e chegou a ser cotada a R$ 4,24. As previsões de economistas não indicam quedas significativas da cotação da moeda.

"Tenho conversado com economistas do Sul e Sudeste do país. Há uma projeção e expectativa que o dólar chegue a R$ 5 antes do final do ano. Outra linha já defende que o dólar terá uma queda, mas essa redução não vai ser menor que R$ 3,50. As duas possibilidades não são boas para Zona Franca de Manaus", disse o economista e o presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-AM), Marcus Anselmo Evangelista.

Evagelista acredita que a situação também atrapalha as previsões até então otimistas em relação à compra de produtos no período pré-jogos olímpicos. "Automaticamente ao comprar mais caro os insumos, as empresas vão onerar o preço do produto. No próximo ano teremos Olimpíadas e há uma expectativa natural que o polo de eletroeletrônico venda muito, principalmente as Smar TVs. Com o aumento do dólar, tudo isso fica ameaçado porque os produtos estarão mais caros. Considerando ainda que as taxas de juros elevadas já deixam os financiamentos mais caros. Com essa situação, todos saem perdendo e isso gera reflexos negativos", concluiu.

Fonte: G1

Mais Novidades

21 FEV
Novo Chevrolet Tracker contra rivais: as diferenças de motor e dimensões

Novo Chevrolet Tracker contra rivais: as diferenças de motor e dimensões

SUVs compactos têm crescido cada vez mais no cenário nacional (Christian Castanho/Quatro Rodas)O segmento dos SUVs está cada vez mais em alta. Prova disso são os ótimos resultados obtidos pelos representantes do gênero nas vendas do último ano.A expectativa para 2020 é que este segmento ganhe ainda mais força. Isso porque as fabricantes cada vez mais apostam nos SUVs.QUATRO RODAS decidiu então passar a limpo as dimensões, motorizações e câmbios dos principais SUVs compactos do... Leia mais
21 FEV
Novas tecnologias: quem disse que carro elétrico não precisa de marchas?

Novas tecnologias: quem disse que carro elétrico não precisa de marchas?

A ZF instalou o sistema em um protótipo elétrico baseado no VW Golf Sportsvan 2017 (ZF/Divulgação)A alemã ZF criou um câmbio de duas marchas para carros elétricos.Segundo a empresa, embora os motores elétricos funcionem bem com apenas uma marcha, a segunda relação pode beneficiar não só o desempenho como também o rendimento dos carros.De acordo com a empresa, durante o desenvolvimento da transmissão com apenas uma marcha, as fábricas precisam eleger a relação que melhor atenda... Leia mais
20 FEV
Grandes Brasileiros: VW 1600, o carro que herdou o apelido de Zé do Caixão

Grandes Brasileiros: VW 1600, o carro que herdou o apelido de Zé do Caixão

VW 1600 ganhou o malfadado apelido “Zé do Caixão” (Sérgio Berezovsky/Quatro Rodas)Texto da edição nº 493 – agosto de 2001Mesmo dominando a paisagem brasileira com seus carros, capitaneados pelo Fusca, a Volkswagen não dormia no ponto.Enquanto a Willys – e depois a Ford, que assumiu seu controle acionário -, tocavam o projeto do futuro Corcel, a Volks já estava trabalhando no seu carro médio com a intenção de perpetuar a hegemonia no mercado.Em 1966 começaram os estudos do... Leia mais
20 FEV
VW T-Cross para PcD gera tantos pedidos que faz marca suspender vendas

VW T-Cross para PcD gera tantos pedidos que faz marca suspender vendas

VW T-Cross Sense (Divulgação/Volkswagen)Pelo menos temporariamente, a Volkswagen não está mais vendendo o T-Cross Sense, versão voltada a clientes PcD. A decisão foi comunicada à rede de revendedores na última quarta-feira (19).Segundo a nota emitida aos concessionários, à qual QUATRO RODAS teve acesso com exclusividade, a fabricante justificou que a decisão foi tomada “devido à elevada demanda pela versão”.No e-mail, a divisão de vendas corporativas da marca avisou que... Leia mais
20 FEV
Ford abre novo PDV em Taubaté com salário extra e carro na adesão

Ford abre novo PDV em Taubaté com salário extra e carro na adesão

Trabalhadores da Ford de Taubaté (SP) aprovaram em assembleia nesta quarta-feira (19) um acordo que liberou a abertura de um Plano de Demissão Voluntária (PDV) na unidade, aberto nesta quinta-feira (20). A medida mira 277 funcionários excedentes, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, e o PDV ficará aberto até o dia 3 de março. A estimativa, segundo a entidade, é que sejam demitidos 254 funcionários na categoria horistas e 23 mensalistas. Ao primeiro grupo, a montadora... Leia mais
20 FEV
Novo Audi e-tron tem câmeras no lugar dos retrovisores e custa R$ 459.990

Novo Audi e-tron tem câmeras no lugar dos retrovisores e custa R$ 459.990

Preço inicial do SUV elétrico será de R$ 459.990, mas só como venda direta (Divulgação/Audi)O novo Audi e-tron, primeiro modelo elétrico da marca já tem preço definitivo no Brasil: R$ 459.990. Por enquanto, o SUV está em campanha de reserva apenas para vendas diretas, com chegada às lojas prevista para primeira metade de abril.Por aqui, o SUV será oferecido em duas versões (Performance e Performance Black, que ainda não teve valores definidos), ambas equipadas com dois motores... Leia mais