Novidades

11 ABR

Toyota melhor que Ferrari? Sim, quando se trata do sistema de som

Sistema do Lexus LS 500h, sedã da marca de luxo da Toyota, conquistou 38 dos 40 pontos possíveis (Christian Castanho/Quatro Rodas)

O sistema de som dos carros premium representa o que há de melhor na indústria, com amplificadores de última geração, alto-falantes de alta qualidade e projetos assinados por fabricantes de equipamentos renomados, que prometem trazer para as cabines a sonoridade das salas de concertos.

Aqui avaliamos o sistema de nove modelos para conferir o que existe no mercado e o que cada um oferece.

Reunimos carros da Audi, BMW, Ferrari, Lamborghini, Lexus, Maserati, Mercedes, Porsche e Rolls-Royce em um comparativo em que analisamos qualidade sonora, fidelidade na reprodução, oferta de ajustes e controles e a interface com o usuário.

Para testar os equipamentos, contamos com a consultoria do especialista Luciano Vassão, que é músico e engenheiro de masterização – trabalho que consiste no tratamento final dos sons gravados após a mixagem para posterior reprodução e duplicação.

Vassão usou músicas de diferentes estilos que ele próprio masterizou ou de artistas que ouve regularmente.

A trilha incluiu David Foster, Coldplay, Jotta A, Michael Bublé, MV Bill, Sergio Saas e Priscilla Alcantara. Ao final das audições, foram dadas notas de 0 a 10, em cada um dos quatro itens analisados, somando no máximo 40 pontos.

Como o teste foi feito no último Salão do Automóvel de São Paulo, ficaram de fora os modelos das marcas premium Jaguar, Land Rover e Volvo, que não participaram do evento.

9. Ferrari 488 Spider – 29 pontos

Spider ficou em nona opção (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Diz a lenda que a Ferrari nunca ligou para os sistemas de som porque sempre considerou mais importante (e suficiente) ouvir o ronco dos motores ao volante de seus carros. De fato, lendas como 250 GT, Testarossa e F40 nunca tiveram equipamento de som.

E, no caso da 488 Spider, lançada em 2015, embora o sistema de som da JBL seja do tipo hi-end (alta qualidade) com 1.280 watts e 12 alto-falantes, há sinais evidentes de que o equipamento ficou em segundo plano.

Interface fica em segundo plano no painel onde reina o conta-giros (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Começa pela visualização minimalista. O painel de instrumentos é dominado pelo conta–giros, cabendo ao som uma pequena tela (multifunção) à direita. O sistema tem recursos como equalizador mas que parecem decorativos, segundo Vassão.

Graficamente, a interface é simples e os ajustes são pouco efetivos. “O botão do volume apresenta uma demora entre o comando e a resposta”, avalia.

Em relação à reprodução, o engenheiro gostou de ouvir a voz da cantora Priscilla Alcantara. “Mas o som não tem profundidade e não envolve.” Somando 29 pontos no total, a 488 ficou no nono lugar.

Ficha técnica – Ferrari 488 Spider

8. Mercedes – AMG GT 63 S – 30 pontos

GT 63 S ficou em oitava posição (Christian Castanho/Quatro Rodas)

O sistema Burmester de 1.450 watts e 23 alto-falantes do Mercedes-AMG apresentou virtudes e defeitos em iguais proporções, durante o teste.

Entre os pontos fortes, a reprodução dos sons agudos e médios bem definidos agradou, assim como a distribuição equilibrada do som pelos quadrantes da cabine, conforme relatou o avaliador.

O lado negativo ficou por conta dos graves exagerados.

“O grave está em excesso em todos os programas preestabelecidos (Puro, Easy Listening, Live, Surround e 3D-Sound)”, explica Vassão, que percebeu até uma vibração incômoda nos alto-falantes durante a reprodução das baixas frequências.

Equipamento da Mercedes tem cinco modos de audição (Christian Castanho/Quatro Rodas)

“Esta música da Laura Pausini não tem tudo isso de grave”, afirmou o especialista enquanto ouvia e tentava corrigir o som, diminuindo o ajuste de graves e aumentando o de agudos. “Se estou fazendo isso, alguma coisa está errada”, falou.

“O grave exagerado pôs tudo a perder porque descaracterizou demais o som original”, concluiu. Pelo conjunto do que foi apresentado, o Mercedes-AMG ficou em oitavo lugar.

Ficha técnica – Mercedes – AMG GT 63 S

7. Audi A8 L – 31 pontos

Audi ficou em sétima posição (Christian Castanho/Quatro Rodas)

As avaliações dos equipamentos não seguiram uma duração-padrão.

O tempo gasto nas audições variou em função do reconhecimento dos recursos de cada modelo, da facilidade de uso, da checagem das impressões obtidas e, em algumas vezes, daqueles momentos em que, satisfeito, o engenheiro se permitia desfrutar do som que ouvia.

Agradou também na reprodução de sons graves e médios (Christian Castanho/Quatro Rodas)

No caso do sistema Bang e Olufsen de 1.920 watts e 23 alto-falantes do A8 L, Vassão usou quase todo o repertório que trouxe (Coldplay, Sergio Saas, Michael Bublé) até chegar a uma conclusão.

Audi se saiu bem nos quesitos interface/acesso e controles e ajustes (Christian Castanho/Quatro Rodas)

“O som não está parecendo como é no original”, disse. “Os graves estão muito bem resolvidos, mas não gostei dos agudos”, afirmou.

Vassão achou interessante o recurso 3D, para criar efeitos de profundidade, mas classificou o resultado como artificial, assim como o equalizador “meio plástico”.

“Pode ser que agrade algumas pessoas, mas não é natural”, disse. Apesar dessa avaliação, o sistema do Audi ainda ficou em sétimo lugar, graças a uma nota9 em interface/acesso e outra 8, em controles e ajustes.

Ficha técnica – Audi A8 L

6. Maserati Granturismo – 33 pontos 

Granturismo ficou na sexta posição (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Apesar de ser o projeto mais antigo dos nove alinhados (o Maserati GranTurismo Sport estreou em 2012), apresentar menos recursos (como modos de audição e efeito 3D) e ter visual mais conservador, o sistema de 900 watts e dez alto-falantes da Harman Kardon surpreendeu positivamente.

“Olha que diferença”, disse Vassão, enquanto a Laura Pausini soltava a voz na gravação.

Segundo o especialista, o som do sistema soava com naturalidade, e a reprodução era fiel à gravação original. Vassão achou a separação do som entre dianteira e traseira muito acentuada, com prioridade para a frente da cabine.

O projeto do Maserati satisfez pela reprodução natural (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Mas ele entendeu essa opção do projetista, uma vez que o GranTurismo tem carroceria 2+2, em que os bancos traseiros são praticamente decorativos.

Por fim, o especialista elogiou também os alto-falantes e a facilidade de operação do sistema. “Para quem gosta de áudio, essa é a melhor coisa que existe.”

Por algum tempo, o Maserati sustentou o primeiro lugar no teste, mas terminou em sexto prejudicado pela escassez de recursos e pela simplicidade da interface. 

Ficha técnica – Maserati Granturismo Sport

5. Porsche Panamera – 34 pontos

Panamera ficou em quinta posição (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Projeto da mesma marca que equipa o Mercedes-AMG, o sistema Burmester de 1.455 watts e 21 alto-falantes do Porsche Panamera também apresenta altos e baixos.

Começando pelos pontos fortes, o destaque é para a opção de pacotes surround, incluindo o modo 8D, que cria um ambiente de 360 graus em torno do ouvinte, possibilitando uma experiência imersiva que imita a realidade.

O pacote 8D do Porsche cria ambiente imersivo (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Outros aspectos positivos apontados pelo especialista foram a qualidade refinada dos alto-falantes e a acústica envolvente.

Entre os negativos, está uma certa artificialidade dos pacotes preestabelecidos e a ausência de ajustes básicos para sons com frequências altas (agudos) e médias.

O menu representado por uma clave de fá só permite ajustar as baixas frequências (graves). “Este sistema tinha possibilidade de arrasar, mas essa limitação é uma falha grave”, afirmou.

O resultado da variação de prós e contras se manifestou na audição, com o Coldplay soando bem e a voz do Michael Bublé ficando meio apagada, sem brilho, na avaliação do engenheiro.

Ficha técnica – Panamera Turbo S e-Hybrid

4. BMW 750 Li – 35 pontos 

750 Li conquistou a quarta posição (Christian Castanho/Quatro Rodas)

O que mais agradou nosso consultor no sistema de som Bowers e Wilkins de 1.400 watts e 16 alto-falantes do BMW 750Li Pure Excellence foi o recurso do equalizador gráfico com nove bandas de ajuste. Coisa que nenhum dos outros sistemas possuía.

“Isso, sim, é ter controle da situação”, elogiou Vassão. “Assim, tenho a possibilidade de deixar como eu quero”, disse.

A sonoridade do equipamento também foi aprovada. Com os ajustes de graves, agudos e médios na posição neutra, o veredicto foi de que a reprodução soava bem.

Painel conta com cinco modos de audição: Studio, Concerto, On Stage (Christian Castanho/Quatro Rodas)

“Tem só uma característica do som que me incomodou mas não é defeito, que é a personalidade desse tipo de alto-falante.”

O sistema do BMW trazia menos recursos que o do Porsche, mas contava com cinco modos de audição: Studio, Concerto, On Stage, Cinema e Longe.

Entre esses, somente o primeiro foi classificado como honesto em relação ao original, com som puro e alta-fidelidade. Os demais desagradaram porque soaram um pouco “fantasiosos”.

Com nota 10 no quesito controles e ajustes, o BMW conquistou o quarto lugar.

Ficha técnica – BMW 750Li P. Excellence

3. Lamborghini Urus – 36 pontos

Urus ficou em terceira posição (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Assim como Porsche e Mercedes, o Lamborghini provocou sentimentos contraditórios no avaliador.

À primeira vista, Vassão se entusiasmou com o acesso aos controles, a clareza das informações e as respostas rápidas dos comandos. A distribuição do som entre dianteira e traseira da cabine também se mostrou satisfatória.

E o equalizador se revelou eficiente por não deformar o som com as mudanças das frequências.

Distribuição equilibrada do som na cabine foram os destaques do sistema do Lamborghini (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Apesar desses aspectos dignos de nota, no entanto, na sequência da avaliação vieram os senões. Ao ouvir a voz de Michael Bublé, o consultor percebeu uma certa artificialidade. Assim como ocorreu com o violão na música de David Foster.

Nos dois casos, o problema era na reprodução das frequências altas (agudos) e médias (médios).

“Há certa fantasia que foge um pouco do natural”, explicou Vassão. Com seu sistema Bang e Olufsen de 1.700 watts e 21 alto-falantes, o Lamborghini largou bem, mas não sustentou o desempenho e, no resumo da avaliação, ficou com o terceiro lugar, perdendo pontos no quesito características sonoras.

Ficha técnica – Lamborghini Urus

2. Rolls-Royce Cullinan – 37 pontos 

Cullinan conquistou a segunda posição (Christian Castanho/Quatro Rodas)

No começo, este jornalista acompanhava o especialista achando todos os equipamentos muito bons – e, realmente, aqui estão os melhores do país.

À medida que as audições aconteciam, passei a ouvir o que o consultor dizia e a perceber diferenças entre os carros avaliados. “Tem que prestar atenção no som e não na música”, ensinou Vassão.

Equipamento do Rolls-Royce dispensou a necessidade de ajustes com o equalizador (Christian Castanho/Quatro Rodas)

De fato, quando se esquece a melodia e se concentra no som, fica mais fácil perceber a qualidade da reprodução.

Fiz esse exercício a bordo do Cullinan, equipado com o sistema Bespoke Audio de 1.300 watts e 18 alto-falantes, e percebi o que o engenheiro dizia.

Com a regulagem de graves, médios e agudos “flat”, o som saiu com perfeição, sem necessidade de correções via equalizador. Como a Rolls é uma marca da BMW, a interface do Cullinan apresentava pontos em comum com o 750Li. Mas as coincidências param aí.

Em relação ao conteúdo, o Rolls trazia menos recursos, mas na sonoridade ele apresentou um áudio melhor, mais vivo, de acordo com o avaliador. Assim, o Cullinan ficou em segundo lugar.

Ficha técnica – Rolls-Royce Cullinan

1. Lexus LS 500h – 38 pontos

LS 500H conquistou a primeira posição (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Toda audição começava com o sistema ligado no modo-padrão, sem filtros e efeitos e com os ajustes de graves, agudos e médios, quando disponíveis, na posição neutra (flat).

Segundo o especialista, fazendo assim era possível avaliar a qualidade dos componentes, como os alto-falantes, e o equilíbrio do projeto como um todo. Com o sistema Mark Levinson de 2.400 watts e 23 alto-falantes do Lexus não foi diferente.

Assim que o teste começou, Vassão anunciou que havia um novo líder do nosso teste. E aqui vale lembrar: a Lexus é uma marca de luxo ligada à conhecidíssima Toyota.

LS 500h é reproduzido com brilho, peso e corpo e sem distorções, (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Com os ajustes na posição neutra, a reprodução apresentava – nas palavras do especialista – brilho, peso e corpo, sem distorções. “Até o sibilar da voz soa natural”, afirmou.

Em relação aos recursos do equalizador e dos efeitos 2D e 3D disponíveis, ele elogiou a suavidade com que esses comandos atuavam, permitindo ajustes de acordo com o gosto pessoal do ouvinte, sem eliminar ou acrescentar frequências indesejadas.

Para terminar, ele ainda aprovou a ergonomia e as respostas do touch-pad no console. O Lexus fez 38 dos 40 pontos possíveis.

Ficha técnica – Lexus LS 500h

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

06 MAR
Clássicos: Mazda RX-7 arrancava suspiros dos japoneses nos anos 90

Clássicos: Mazda RX-7 arrancava suspiros dos japoneses nos anos 90

Nelson Piquet foi um dos ilustres donos do RX-7 (Christian Castanho/Quatro Rodas)A década de 90 foi marcada pela intensa disputa entre o mundo e a indústria automobilística japonesa. Chevrolet Corvette, Porsche 964, Ferrari 348 e Lotus Esprit sentiram o peso da concorrência formada por Honda NSX, Mitsubishi 3000 GT, Nissan 300 ZX e Mazda RX-7.A história do RX-7 começa em 1961, quando a Mazda firmou contrato com a alemã NSU para aprimorar o motor rotativo criado por Felix Wankel. O... Leia mais
05 MAR
O desconhecido esportivo de 1.250 cv que foi sozinho ao Salão de Genebra

O desconhecido esportivo de 1.250 cv que foi sozinho ao Salão de Genebra

– (Czinger/Divulgação)O Salão de Genebra, na Suíça, foi cancelado oficialmente após os casos de Coronavírus como adiantou QUATRO RODAS na última semana.O evento aconteceria entre esta semana e a próxima, mas o governo do país decretou uma lei que proíbe a realização de eventos com mais de 1.000 pessoas reunidas antes do dia 15 de março.Com o cancelamento do evento, todas as marcas desistiriam de ir ao Salão… ou quase todas.– (Czinger/Divulgação)Na contramão de todas as... Leia mais
05 MAR
Quer uma perua? Com fim da Weekend, restam 5, todas acima de R$ 200.000

Quer uma perua? Com fim da Weekend, restam 5, todas acima de R$ 200.000

Desde que a Fiat Weekend foi aposentada no Brasil, já não resta nenhuma perua nacional à venda. E, pior que isso, não há opções abaixo dos R$ 213.950 – o Volvo V60 é o modelo mais barato da categoria atualmente.Para os fãs desses veículos familiares (que não cederam aos SUVs) e não querem levar o modelo sueco a casa, sobram apenas quatro alternativas: Audi A4 Avant e RS 4, Mini Clubman e Porsche Panamera Sport Turismo.Confira os detalhes de cada “sobrevivente”:O modelo atual... Leia mais
05 MAR
Peugeot Landtrek: picape terá motor diesel mais fraco que Hilux, S10 e cia

Peugeot Landtrek: picape terá motor diesel mais fraco que Hilux, S10 e cia

Peugeot Landtrek chega ao Brasil até 2022 (DIvulgação/Peugeot)Anunciada oficialmente no dia 20 de fevereiro, a Peugeot Landtrek, picape que chega para competir com Toyota Hilux, Ford Ranger, Chevrolet S10 e VW Amarok, deve desembarcar no Brasil somente em meados de 2021 ou início de 2022.Entretanto, os detalhes do modelo já foram revelados para o mercado argentino, que receberá primeiro a picape. Haverá versões em cabine simples e dupla com duas opções de motor.Modelo tem carga útil... Leia mais
05 MAR
BMW X6, “pai” dos SUVs cupês, fica maior e mais potente por R$ 514.950

BMW X6, “pai” dos SUVs cupês, fica maior e mais potente por R$ 514.950

– (Divulgação/BMW)A linha 2020 do BMW X6 chegou ao Brasil na versão xDrive40i. O SUV cupê anabolizado da marca alemã é fabricado nos Estados Unidos e desembarca por aqui custando R$ 514.950.O motor seis-cilindros 3.0 TwinPower Turbo dá 340 cv – 34 cavalos a mais que a geração anterior – e 46 mkgf de torque ao veículo. O câmbio é automático com oito marchas e a tração é integral.O trem de força leva o carro à máxima de 250 km/h e gera uma aceleração de 0 a 100 km/h em... Leia mais
05 MAR
Toyota Hilux V6 de 234 cv chega ao Brasil mais barata que versão a diesel

Toyota Hilux V6 de 234 cv chega ao Brasil mais barata que versão a diesel

Versão tem apelo esportivo e tração 4×4 (Divulgação/Toyota)A Toyota já oferece no Brasil a série especial GR-S da Hilux equipada com motor V6 4.0 a gasolina de 234 cv herdado do SUV irmão SW4, conforme anunciado em novembro do ano passado.Provisoriamente a picape média mais potente de nosso mercado – pelo menos até a chegada da VW Amarok V6 recalibrada, que deve ocorrer na próximas semanas –, a Hilux V6 já aparece no site oficial da marca pelo preço sugerido de R$... Leia mais