Novidades

22 MAR

McLaren 600LT: aceleramos supercarro que só 4 brasileiros poderão comprar

Pacote com teto de fibra de carbono é opcional (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Era uma manhã nublada de sexta-feira, mais convidativa a se ficar na cama do que qualquer outra coisa.

Mas o alarme do celular gritava e era necessário acordar, porque a missão do dia seria muito, muito especial: ser o primeiro jornalista a acelerar em solo brasileiro o McLaren 600LT.

Estamos falando de uma derivação (ainda mais) envenenada do 570S e com produção limitada, que terá apenas quatro unidades destinadas ao nosso mercado. Preço? R$ 2,7 milhões.

Definitivamente, um brinquedo que poucos felizardos poderão comprar.

Porta tipo tesoura abre suave com auxílio elétrico (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Durante todo o trajeto até o autódromo da Capuava, em Indaiatuba (SP), as nuvens insistiam em dominar o céu, e a previsão para o dia era de chuva.

Na cabeça, um único pensamento: alô, São Pedro, tudo bem? Sei que nunca conversamos antes, mas você poderia ser legal comigo hoje e segurar o aguaceiro pelo menos por algumas horas?

Chegamos à pista, eu e o fotógrafo Christian Castanho. E lá estava ele, o 600LT, parado na reta principal com as portas estilo tesoura abertas.

Nem mesmo a pintura cinza, que deixava mais discretos seus traços em meio ao dia plúmbeo, tirava do superesportivo o ar imponente.

Faróis e lanternas trazem assinatura em bumerangue (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Ligaram, então, o motor e aos ouvidos chegou o ronco alto e grave do V8 biturbo de 3,8 litros, cujo bloco remonta à família Nissan VRH (usada em corridas). Bateu aquele frio na barriga.

No 600LT, saídas de escape ficam acima do motor (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Embora permita emplacamento, o 600LT é um carro feito de fato para o circuito fechado.

A carroceria utiliza muitas partes de fibra de carbono, incluindo opcionalmente um pacote preparado pela McLaren Special Operations, divisão de desempenho do fabricante, que inclui o composto em substituição ao alumínio no teto, arcos da capota e para-choques.

Conhecendo a máquina

Tudo nesta configuração é voltado à redução de peso e ao ganho aerodinâmico: os recortes do para-choque frontal, as tomadas de ar laterais, posicionadas em meio às portas para refrigerar os radiadores do motor, o voluptuoso difusor traseiro…

Também chamam a atenção as duas saídas de escape posicionadas acima do propulsor, emitindo gases por cima do aerofólio traseiro para ajudá-lo a estolar nas retas.

A cabine é quase a de um carro de corrida, pois traz mais elementos de fibra de carbono, incluindo painéis, além de revestimentos de Alcantara para guarnições, bancos e volante.

Cabine é simples como um carro de pista deve ser (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Por falar em bancos, estes são do tipo concha e vêm emprestados do primo maior P1, sendo feitos de… fibra de carbono, de novo. Opcionalmente o comprador pode incluir os assentos do McLaren Senna, ainda mais leves.

Também é opcional a presença ou não de ar-condicionado, caso a intenção seja aliviar ainda mais o peso.

Na configuração mais leve possível, o 600LT pesa 1.247 kg, ou seja, 96 kg a menos do que seu irmão 570S Coupé.

Isso mesmo sendo 7,4 cm mais comprido, devido ao balanço traseiro estendido – daí a nomenclatura LT, de Longtail (cauda longa, na tradução do inglês).

Quadro de instrumentos 100% digital apresenta o conta-giros em modo convencional ou “pista” (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Ao mesmo tempo, utiliza uma especificação 30 cv mais potente do V8 biturbo, alcançando 600 cv de potência a 7.500 rpm e 63,2 mkgf de torque (entre 5.500 e 6.500 rpm).

O sistema de transmissão é similar ao de um Fórmula 1, com tração traseira e câmbio do tipo SSG (embreagens de discos múltiplos), com sete marchas e cárter seco.

As suspensões, de braços duplos triangulares com amortecedores adaptativos nos dois eixos, utilizam braços de alumínio forjado e triângulos herdados do primo maior 720S.

A construção só não é mais primorosa porque os encaixes de alguns elementos possuem incorreções milimétricas, que você não enxergará numa Ferrari. Vale lembrar que o 600LT é produzido quase artesanalmente em Woking, Reino Unido.

Comandos são todos muito diretos e intuitivos para que o piloto se distraia o mínimo possível (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Seja no painel ou no console central, os comandos são todos muito diretos e intuitivos: tudo para que o piloto se distraia o mínimo possível em relação ao que acontece à sua frente (provavelmente a altas velocidades).

Central ultrapassada

Atrás do volante há só duas suntuosas aletas para trocas sequenciais das marchas, ao estilo carro de rali, além de chaves para ligar faróis e limpadores de para-brisa.

Seletores giratórios controlam modos de rigidez da suspensão, câmbio e atuação das assistências eletrônicas – controles de tração, estabilidade e largada.

A central multimídia parece ultrapassada perto das oferecidas hoje em qualquer carro de entrada, mas vale pelo sistema de telemetria, que permite cronometrar tempos e conferir a força g resultante do contorno mais forte de uma curva.

Pneus têm dimensões específicas para o LT (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Chega de só observar. É hora de engrenar a primeira marcha e ir para a pista.

A chuva ainda não chegara, e aí pude viver uma experiência que está acima do que qualquer carro comum consegue proporcionar, mesmo em versões M (BMW), AMG (Mercedes) e RS (Audi).

A rapidez de resposta da direção, a rigidez do chassi, a aderência dos Pirelli P Zero Trofeo R semi-slicks (225×35 R19 à frente e 285×35 R20 atrás), a sensibilidade dos gigantescos freios carbono-cerâmicos microperfurados…

Som premium é opcional. Bancos vêm do P1 (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Aos poucos, a máquina dá confiança para arriscar uma curva mais forte, acima de 150 km/h, e alcançar 220 no fim da curta reta principal. E olha que eu ainda estava bem longe da máxima de 328 km/h.

O único pecado (além da proibição da McLaren de fazer medições na pista) é não oferecer cinto de cinco pontos. O de três pouco faz para segurar o motorista em meio a tanta velocidade.

Termina a experiência. Dez minutos depois, começa a chover. O trânsito para voltar a São Paulo será terrível, mas tudo bem. São Pedro foi generoso comigo quando mais precisei.

Um supercarro voltado para quem gosta de se divertir na pista, e nada mais. Esqueça conforto ou requinte. Claro que um brinquedo desses chamará a atenção por onde passar, mas o lema aqui é pagar R$ 2,7 milhões, sentar e acelerar.

McLaren 600LT – R$ 2.700.000

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

24 SET
Após escândalo da Volkswagen, países europeus refazem testes

Após escândalo da Volkswagen, países europeus refazem testes

Uma semana após o escândalo da fraude em carros a diesel da Volkswagen estourar nos Estados Unidos, países da Europa anunciaram que vão refazer testes nesse tipo de veículo. A Alemanha, berço da montadora, afirmou que os modelos Volkswagen 1.6 e 2.0 litros têm o software que burla testes de emissão de poluentes e serão testados de forma aleatória. França e Reino Unido também anunciaram medidas.   ESCÂNDALO NA VW Volkswagen é acusada de fraudar... Leia mais
24 SET
SeP coloca Volkswagen sob vigilância para possível rebaixamento

SeP coloca Volkswagen sob vigilância para possível rebaixamento

A agência de classificação financeira de risco americana Standard and Poor's (SeP) anunciou nesta quinta-feira (24) que colocou o grupo automotivo alemão Volkswagen sob "vigilância negativa", a etapa prévia a uma possível redução da nota da dívida da empresa.   ESCÂNDALO NA VW Volkswagen é acusada de fraudar testes cronologia do caso fraude em... Leia mais
24 SET
Além da Scrambler, Ducati terá novas Multistrada e 1299 Panigale no Brasil

Além da Scrambler, Ducati terá novas Multistrada e 1299 Panigale no Brasil

A Ducati prepara ao menos 3 grandes novidades para o Salão Duas Rodas 2015, de 7 a 12 de outubro no Anhembi, em São Paulo. Além da Scrambler, apresentada no país na noite desta quarta-feira (24), a marca vai levar ao evento as novas Multistrada 1200 e a 1299 Panigale, ambas evoluções de motos já vendidas no Brasil. "Ainda teremos mais novidades", afirmou Antonino Labate, novo diretor-executivo da marca no Brasil, sem revelar do que se trata. Dentre os lançamentos, a Scrambler... Leia mais
24 SET
Jeep faz recall de 671 unidades do Cherokee por possível incêndio

Jeep faz recall de 671 unidades do Cherokee por possível incêndio

A Jeep, marca do grupo FCA (Fiat Chrysler), convocou nesta quinta-feira (24) o recall do Cherokee, ano/modelo 2014 e 2015. De acordo com a empresa, 671 unidades do veículo podem apresentar dois defeitos e este primeiro chamado é apenas um alerta. Haverá uma segunda fase do chamado, para o reparo, assim que as peças estejam disponíveis para sanar o problema.VEJA CHASSIS ENVOLVIDOS:com numeração de chassis (não sequenciais) De 1C4PJMBSOFW641849 a 1C4PJMDSXFW666769   ... Leia mais
24 SET

Manipulação dos veículos da Volkswagen afeta a Europa, diz Berlim

O governo da Alemanha parte da base que entre os 11 milhões de veículos da Volkswagen afetados pelo escândalo de manipulação nas emissões poluentes há automóveis que circulam pela Europa e espera da montadora que detalhe as marcas e modelos envolvidos.   ESCÂNDALO NA VW Volkswagen é acusada de fraudar testes cronologia do caso fraude em 11... Leia mais
23 SET
Ducati Scrambler é lançada no Brasil; preço sai no Salão Duas Rodas

Ducati Scrambler é lançada no Brasil; preço sai no Salão Duas Rodas

A Ducati lançou nesta quarta-feira (23) a inédita Ducati Scrambler no Brasil. Moto mais aguardada da marca em 2015, o modelo só terá o preço divulgado no Salão Duas Rodas, que abre as portas no próximo dia 7 de outubro. A Scrambler deve se tornar a opção mais acessível da empresa. Outra expectativa é que seja também a mais vendida da marca por aqui. O posicionamento da Scrambler será abaixo da Monster 821, que custa R$ 43.900. A chegada da moto já era esperada e, em agosto... Leia mais