Novidades

21 MAR

Impressões: Toyota Corolla 2020 é tiozão com cara moderna (e motor também)

De motivo de piadas pelo conservadorismo, o Corolla será o pioneiro entre os híbridos no Brasil (Divulgação/Toyota)

Você deve se lembrar do New Civic, lançado no Brasil em 2006, não é? Com painel em dois níveis, visual futurista… E qual era o Corolla daquele mesmo ano? Você provavelmente errou a resposta, admita.

Não se sinta culpado: o sedã da Toyota é um fenômeno de vendas – ele lidera o segmento no Brasil há anos – e tem inúmeros fãs por aqui, mas nunca foi tão revolucionário.

Só que o jogo virou. Agora, além de visual moderno e da lista de equipamentos mais generosa, ele chegará ao Brasil no fim deste ano como o primeiro híbrido flex do mundo (e fabricado aqui!).

Não é tão difícil perceber que essa nova geração é a mais esportiva das últimas 11 encarnações do modelo. E não estou falando apenas de estilo, como naquele sedã apresentado pelo Brad Pitt em 2002 nos comerciais de TV.

O ex-vovô ganhou a moderna plataforma modular TNGA, igualzinha à do Prius, o que permitiu que a carroceria ficasse mais baixa.

Plataforma TNGA emprestada do Prius deixou o sedã mais baixo e largo (Divulgação/Toyota)

O que isso significa? Além do jeitão mais parrudo, menor consumo de combustível e centro de gravidade 1 cm mais baixo para melhorar a estabilidade.

Também há outras evoluções invisíveis ao consumidor comum, mas igualmente bem-vindas: a rigidez da carroceria aumentou 60% graças à combinação de alumínio aos aços com ultra-alta resistência, aos adesivos para junção de componentes e ao aumento das soldagens de ponto.

E, ao menos na Europa, a suspensão traseira é independente – como no Civic por aqui. Mais refinada (e cara), ela melhora o comportamento em curvas sem comprometer o conforto.

A dianteira do nosso Corolla não será tão ousada quanto a do modelo vendido nos Estados Unidos (Divulgação/Toyota)

Durante o lançamento europeu, em Palma de Maiorca, na Espanha, escolhi logo a versão que realmente interessa aos brasileiros, a híbrida com motor 1.8 a gasolina e 122 cv de potência combinada.

É basicamente o mesmo conjunto utilizado pelo Prius, mas haverá novidade antes de chegar ao mercado nacional, afinal ele poderá ser abastecido com etanol. E por pouco não levou o título de primeiro eletrificado feito no país, que ficou com o Mercedes C 200 EQ Boost.

Antes de assumir o volante, aproveitei para bisbilhotar o espaço interno – fiquei curioso, já que o entre-eixos é o mesmo do antecessor, com 2,70 m, enquanto o teto baixou 3 cm.

Na segunda fileira, quem tiver até 1,85m poderá viajar tranquilo, porque há altura suficiente para a cabeça e conforto de sobra para as pernas.

Além disso, o modelo tem saídas de ventilação exclusivas para quem está nos bancos de trás e túnel central relativamente baixo. O porta-malas tem 471 litros, quase igual ao atual.

Novo desenho do painel rompeu completamente com a geração atual do modelo. (Divulgação/Toyota)

Já no lugar do motorista, não restam dúvidas de que o acabamento ficou mais caprichado. Os revestimentos do painel são, quase sempre, suaves ao toque e há uma variedade de materiais na cabine, com apliques que imitam metal e detalhes em preto brilhante.

Por isso mesmo, os parafusos à mostra na coluna de direção destoam tanto. Custava a Toyota colocar algumas tampinhas de plástico? No geral, a impressão que fica é de solidez e boa montagem das peças.

Direção é bem mais comunicativa (Divulgação/Toyota)

Quanto à lista de equipamentos, é claro que muita coisa pode mudar até a chegada ao Brasil, mas é importante ressaltar que o modelo testado era bem completo.

Na Espanha, o sedã tinha à disposição central multimídia com tela sensível ao toque de 8 polegadas, head-up display, sistema capaz de carregar o celular sem cabos e freio de estacionamento eletrônico.

Entretanto, para decepção de quem esperava um quadro de instrumentos totalmente digital, os mostradores se mantiveram analógicos.

Tudo pronto para ir à estrada, pressiono o botão de partida e… nada! Só um aviso no painel alerta que o carro já está pronto para acelerar.

Os primeiros metros seguem em silêncio – dá para chegar aos 55 km/h sem gastar combustível –, mas bastou uma pressão extra sobre o pedal direito para despertar o motor a combustão.

Ele não tem injeção direta de gasolina, por exemplo, mas não pense que falta tecnologia: o ciclo Atkinson é mais eficiente e econômico.

Há peças suaves ao toque por toda a cabine e central multimídia mais moderna, porém quadro de instrumentos é só parcialmente digital (Divulgação/Toyota)

Graças aos 16,6 mkgf de torque instantâneo do motor elétrico, despejados de uma só vez, não dá para dizer que falta fôlego às arrancadas do Corolla. Isso, sem contar os 14,5 mkgf do motor convencional.

O problema é o câmbio CVT, velho conhecido por aqui, e que foi mantido para a nova geração do sedã.

Por deixar o motor a combustão sempre na rotação ideal de eficiência, basta ser um pouco mais entusiasmado para superar os 4.000 rpm e ser obrigado a conviver com um barulho realmente irritante, que invade a cabine do carro.

Não chega a ser um defeito de fato, eu sei, ainda que a própria Toyota tenha lançado um novo câmbio automático continuamente variável (CVT) – que não está disponível para a carroceria sedã na Europa.

Para mim, essa é a prova de que minhas críticas têm fundamento.

Bancos são de couro (Divulgação/Toyota)

De fato, quando dirigi o Corolla Touring Sports, com motor 2.0 a gasolina e conjunto híbrido de 180 cv (versão que não teremos no Brasil), o novo CVT foi bem mais silencioso – também ajudaram os vidros dianteiros mais espessos e o isolamento interno no capô, inexistente na configuração que dirigi.

Surpreendente mesmo é o ótimo acerto dinâmico do modelo: a direção ficou muito mais comunicativa, enquanto a suspensão manteve a carroceria sob controle nas curvas, sem deixar de absorver as imperfeições do asfalto.

Ou seja, o conforto continua como palavra de ordem a bordo do sedã, mesmo quando o condutor seleciona o modo Sport – há ainda o Normal e o Eco –, que muda o tempo de resposta do acelerador e o peso do volante, com assistência elétrica.

Foram quase 120 km de convivência com a novidade por estradas vicinais e pequenos vilarejos da ilha espanhola, trajeto no qual a autonomia foi de 16,6 km/l.

É uma média de consumo interessante, porém distante dos 22,2 km/l homologados na Europa com o ciclo WLTP (mais rigoroso) e 29,4 km/l no ciclo NEDC.

Com isso, há indícios de que o Corolla avaliado não chegou perto de ficar 100% elétrico em metade do caminho, como garantia a Toyota – e olha que o propulsor “ecologicamente correto” pode atuar a até 115 km/h em descidas e velocidades constantes.

Motor híbrido será importado do Japão, ao menos no início das vendas, enquanto a empresa avalia a receptividade das novas versões (Divulgação/Toyota)

No momento de devolver o carro, não entendi por que é tão difícil encontrar no painel as informações de distância e tempo sem emitir poluentes (ainda mais considerando que há dados disponíveis para fluxo de energia, gráficos com médias e até pontuação para condução eficiente).

Veja só que ironia: o carro que já foi apelidado de “Vovorolla” no Brasil agora restringe alguns números apenas a quem já tem instalado um aplicativo no celular – então, é melhor você se lembrar disso caso queira limpar sua consciência após um passeio com o sedã.

Porta-malas ganhou apenas mais 1 litro de capacidade de carga em relação ao carro brasileiro (Divulgação/Toyota)

De fato, fiquei impressionado com a evolução desse Toyota: o desenho está mais atraente, o acabamento interno nem se compara ao do antecessor e a lista de equipamentos de série, ao menos na Europa, é recheada.

O comportamento ao volante também é digno de elogios, porém sem desapontar quem gosta da geração atual – um erro que a Honda cometeu lá atrás, quando apresentou o marcante New Civic.

Para falar a verdade, melhor que isso, apenas se os japoneses abrissem mão do motor 1.8 emprestado do Prius e utilizassem novo 2.0, que, além de ser bem mais potente, já tem câmbio CVT atualizado.

Por aqui, o Corolla deverá ter estepe, diferentemente do modelo vendido na Europa (Divulgação/Toyota)

Para o mercado brasileiro, essa configuração híbrida topo de linha com 180 cv é ainda mais distante da realidade que para os europeus, considerando que o atual motor 2.0 flex com 154 cv continuará à venda.

Aliás, é importante lembrar que, mesmo feito em Indaiatuba (SP), o sedã será lançado por aqui com o conjunto mecânico eletrificado importado do Japão, o que certamente elevará o preço da novidade – por esse motivo, espere algo próximo dos R$ 125.450 cobrados atualmente pelo Prius.

Para efeito de comparação, o rival Honda Civic chega aos R$ 127.600 na versão Touring com motor 1.5 turbo de 173 cv.

Veredicto

Visual moderno, motor econômico e interior mais requintado. Com todas as melhorias, e sem abandonar as virtudes do atual, o novo Corolla tem tudo para agradar os brasileiros.

Ficha Técnica

Toyota Corolla – R$ 125.000 (estimado)

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

05 OUT
Você sabe trocar um pneu furado?

Você sabe trocar um pneu furado?

Seja devido ao desgaste natural ou a um buraco no asfalto, você eventualmente terá que enfrentar um pneu furado. Para não ficar na mão, é importante aprender a fazer a troca sozinho, e existem formas de fazê-la com praticidade e segurança. Para você se sentir mais seguro, separamos algumas dicas que vão facilitar a troca do pneu do seu carro. 1. Lembre-se de sempre verificar o estado do seu estepe. Se ele está de acordo com as especificações do veículo, se está com a... Leia mais
05 OUT
Honda Pop 110i: primeiras impressões

Honda Pop 110i: primeiras impressões

A recém-lançada nova geração da Pop no Brasil será um dos destaques da Honda no Salão Duas Rodas, que começa nesta terça (6), para a imprensa, no Anhembi, em São Paulo. Partindo de R$ 5.100, o modelo passou de Pop 100 para Pop 110i, indicando o aumento na cilindrada do motor e a adoção de injeção eletrônica. Apesar de ser consideravelmente desconhecida nas Regiões Sudeste e Sul, a Pop pode ser considerada uma "Rainha do Nordeste", sendo capaz de desbancar até a líder de... Leia mais
05 OUT

Entenda por que a troca de óleo nos postos Petrobras é diferenciada

O piloto de testes do Auto Esporte César Urnhani foi um posto Petrobras para mostrar que lá a troca de óleo não é uma simples troca de óleo. O serviço Lubrax + tem dois grandes diferenciais: Primeiro, o carro é cadastrado em um programa especial de computador que indica o prazo exato das trocas e qual o óleo recomendando para o seu carro, conforme as orientações da montadora. O segundo diferencial é um checklist que vai muito além do lubrificante. São revisados 18 itens, como... Leia mais
04 OUT
Saiba o que revisar em seu carro antes de viajar

Saiba o que revisar em seu carro antes de viajar

Não dá para acreditar que você pega a estrada sem revisar o carro. Se nesse momento você está balançando a cabeça em sinal de positivo, trate de abandonar esse hábito. Antes de viajar, é fundamental perder um tempinho checando itens do veículo. Alguns precisam ser vistos por um mecânico dentro das revisões periódicas, como freio e suspensão, por exemplo. Mas você pode evitar muitos problemas dando uma parada no posto de combustível perto de casa ou no caminho para o trabalho. ... Leia mais
02 OUT

Eduardo Araújo é convidado especial do AutoEsporte

O AutoEsporte deste domingo (4) tem como convidado especial o cantor Eduardo Araújo. O astro da jovem guarda fala sobre os carros que já teve e experimenta uma réplica comemorativa aos 50 anos do Cobra, como presente pelos seus 50 anos de carreira. Ainda no programa, o piloto César Urnhani ensina como o motorista deve reagir quando o carro sai de traseira na estrada. No Salão Duas Rodas, o AutoEsporte mostra modelos e ideias para customizar motos. E explica o que acontece quando o... Leia mais
02 OUT

Bolsas europeias sobem após sessão volátil

O principal índice europeu de ações fechou em alta nesta sexta-feira (2), ao fim de uma sessão volátil, impulsionada pelos ganhos da bolsa de Lisboa antes das eleições, apesar de dados fracos sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos. O índice FTSEurofirst 300 teve alta de 0,5%, a 1.371 pontos, enquanto o índice de blue chips da zona do euro Euro Stoxx 50 subiu 0,62%, para 3.088 pontos. Entretanto, a ação da Volkswagen caiu 4,3% para próximo de seu menor nível em quatro... Leia mais