Novidades

21 FEV

Prefeito de São Bernardo estima queda de R$ 18,5 milhões em arrecadação com fechamento da Ford

O fechamento da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo, anunciado pela empresa na terça-feira (19), vai reduzir em R$ 18,5 milhões por ano a arrecadação municipal, segundo estimativa do prefeito Orlando Morando (PSDB).

Ao G1, Morando afirmou que o município vai perder R$ 14,5 milhões em ICMS (1,7% do total arrecadado com o imposto) e R$ 4 milhões de ISS (0,8% do total).

Segundo o prefeito de São Bernardo, o maior impacto não é fiscal, mas na mão de obra. De acordo com ele, a cidade não tem capacidade de absorver os funcionários da Ford.

“No dois últimos anos, a Scania contratou mil trabalhadores e opera em três turnos. As outras montadoras também estão operando com toda a capacidade. Não temos de condições de realocação."

Morando deve se reunir com o governador João Doria (PSDB) e com o presidente da Ford, Lyle Watters, para discutir a continuidade das atividades da empresa na região, que fica no ABC paulista. A reunião estava prevista para a manhã desta quinta-feira (21).

“O efeito seria devastador para a cidade. Estamos dispostos a negociar e ceder. Se não pudermos resolver com negociação, tomaremos outras medidas.”

O fechamento da fábrica possui um efeito cascata, afeta os funcionários e toda uma cadeia ligada à indústria automobilística. São fábricas que produzem peças automotivas, prestadores de serviços, restaurantes e comércio das redondezas.

Já o Sindicato dos Metalúrgicos calcula que cada emprego da Ford gera outros 9 fora dela. Ou seja: 30 mil pessoas poderiam ficar sem trabalho. Segundo o sindicato, este número também pode ser revisto.

As fábricas de autopeças e o comércio da região estimam perdas de até 40% com o fechamento da planta da montadora. O anúncio já gera queda no movimento e em contratos, segundo relatos de comerciantes da região ao G1.

Empregos afetados

Além do impacto na arrecadação municipal, segundo a estimativa do Dieese, cerca de 27 mil empregos estão ameaçados.

São 4,3 mil funcionários e terceirizados da Ford e outros 22,5 mil trabalhadores de setores ligados à produção.

  • 2,8 mil funcionários da Ford;
  • 1,5 mil funcionários terceirizados da fábrica;
  • 22,5 mil trabalhadores de setores relacionados.

O encerramento das atividades possui um efeito cascata sobre empresas e setores ligados à cadeia de produção automotiva, como o de partes e componentes, químico, de prestadores de serviços, manutenção e montagem de veículos, segurança e limpeza.

Funcionários de postos de gasolina e restaurantes do entorno da fábrica ainda não entraram nessa conta, portanto o número de postos de emprego atingidos deve aumentar. São setores que não possuem relação direta com a atividade, mas são impactados por ela.

“O número de empregos afetados irá subir muito mais”, afirma Luís Paulo Bresciani, técnico do Dieese, que deverá fazer uma revisão da estimativa.

Queda no comércio

Comerciantes e empresários dizem já sentir o impacto da notícia de que a Ford vai fechar a fábrica. Zenir Camargo da Silva e o marido compraram uma padaria perto da entrada da Ford imaginando que estariam investindo com segurança os mais de 20 anos de economias.

"Faz seis meses que compramos a padaria. Jamais imaginava isso, inclusive, um dos motivos para comprarmos o ponto é porque é do lado da Ford, são muitos funcionários, e quando vem uma notícia dessa é preocupante", diz a comerciante.

"Para ter uma ideia, no dia do anúncio do fechamento nós servimos 80 refeições. Um dia depois, servimos apenas 30. Já estamos sentindo o efeito desse fechamento."

Segundo ela, cerca de 50% dos clientes da padaria são funcionários da Ford.

Ariane Corso Yasuda, gerente de um mercado vizinho à montadora, disse que ficou tensa com o anúncio de fechamento da Ford.

"Vai impactar em todos os sentidos, vai cair clientela. Temos muitos clientes que são funcionários, vendemos muito marmitex para eles. Já estamos de cabeça quente. Estamos aqui há 33 anos e só com os rumores já sentimos uma redução do movimento."

Impactos além da Ford

Segundo a professora Adriane Marotti, da Faculdade de Economia e Administração da USP, alguns fornecedores de peças e componentes e prestadores de serviços, como transporte e manutenção, trabalham dedicados a montadoras específicas.

“A Ford trabalhava com algumas empresas em regime de exclusividade, que certamente serão afetadas”, explica.

A empresas mais impactadas serão das áreas que comercializam diretamente com a montadora, seja na produção ou na venda de produtos:

  • Indústria de autopeças
  • Concessionárias

Setores relacionados à produção também sofrerão reflexos da decisão, de maneira mais branda:

  • Químico
  • Plástico e borracha
  • Metal
  • Têxtil

E também os que não estão ligados à produção, mas se relacionam indiretamente com a atividade:

  • Alimentos
  • Logística
  • Serviços
  • Combustíveis
  • Imobiliário

O Dieese estima perda de R$ 4,8 bilhões em faturamento no ano com o fechamento da fábrica, sendo R$ 3 bilhões do setor de caminhões e R$ 1,8 bilhão, de automóvel.

“O número ainda está sujeito a revisões, mas são quase R$ 5 bilhões que vão deixar de serem movimentados na cidade para pagamento de salários, contratação de serviços e conversão em arrecadação para o município”, diz o técnico Luís Paulo Bresciani.

Segundo Marotti, a tendência a curto prazo é ter aumento da informalidade, fechamento de pequenos negócios, sobretudo no entorno da fábrica, e diminuição no consumo das famílias.

Dificuldades de recolocação no mercado

O mercado de caminhões cresceu no Brasil nos últimos dois anos. Segundo dados da Anfavea, associação de fabricantes, a produção no país teve saldo positivo de 27,1% em 2018 em relação a 2017. E a previsão de continuar subindo em 2019, segundo Bresciani. Mas isso não significa reaproveitamento de toda a mão de obra dispensada pela Ford.

“Todas as montadoras discutiram com o sindicato um pacote de investimento para os próximos anos, que preveem aumento das operações na região. Mas as fábricas do ABC (Scania, Volkswagen e Mercedes) não têm, no momento, capacidade de absorver milhares de funcionários ”, avalia o técnico.

A recolocação no mercado esbarra também na remuneração do setor, considerada alta em comparação com outros da economia. O setor automotivo em São Bernardo do Campo tem, juntamente com o Paraná, a renda mais alta da categoria no país, segundo o técnico do Dieese, Altair Garcia.

“A formação de um mercado de reserva pode interferir inclusive na renda de quem está empregado”, avalia.

Para a professora Adriane Marotti, a recuperação do emprego esbarra ainda na dependência industrial da região. “O ABC não tem plano de transição para uma economia mais digitalizada, ainda estamos presos nos modos industriais e isso pode afetar novas ofertas de emprego.”

Fonte: G1

Mais Novidades

24 SET
Após escândalo da Volkswagen, países europeus refazem testes

Após escândalo da Volkswagen, países europeus refazem testes

Uma semana após o escândalo da fraude em carros a diesel da Volkswagen estourar nos Estados Unidos, países da Europa anunciaram que vão refazer testes nesse tipo de veículo. A Alemanha, berço da montadora, afirmou que os modelos Volkswagen 1.6 e 2.0 litros têm o software que burla testes de emissão de poluentes e serão testados de forma aleatória. França e Reino Unido também anunciaram medidas.   ESCÂNDALO NA VW Volkswagen é acusada de fraudar... Leia mais
24 SET
SeP coloca Volkswagen sob vigilância para possível rebaixamento

SeP coloca Volkswagen sob vigilância para possível rebaixamento

A agência de classificação financeira de risco americana Standard and Poor's (SeP) anunciou nesta quinta-feira (24) que colocou o grupo automotivo alemão Volkswagen sob "vigilância negativa", a etapa prévia a uma possível redução da nota da dívida da empresa.   ESCÂNDALO NA VW Volkswagen é acusada de fraudar testes cronologia do caso fraude em... Leia mais
24 SET
Além da Scrambler, Ducati terá novas Multistrada e 1299 Panigale no Brasil

Além da Scrambler, Ducati terá novas Multistrada e 1299 Panigale no Brasil

A Ducati prepara ao menos 3 grandes novidades para o Salão Duas Rodas 2015, de 7 a 12 de outubro no Anhembi, em São Paulo. Além da Scrambler, apresentada no país na noite desta quarta-feira (24), a marca vai levar ao evento as novas Multistrada 1200 e a 1299 Panigale, ambas evoluções de motos já vendidas no Brasil. "Ainda teremos mais novidades", afirmou Antonino Labate, novo diretor-executivo da marca no Brasil, sem revelar do que se trata. Dentre os lançamentos, a Scrambler... Leia mais
24 SET
Jeep faz recall de 671 unidades do Cherokee por possível incêndio

Jeep faz recall de 671 unidades do Cherokee por possível incêndio

A Jeep, marca do grupo FCA (Fiat Chrysler), convocou nesta quinta-feira (24) o recall do Cherokee, ano/modelo 2014 e 2015. De acordo com a empresa, 671 unidades do veículo podem apresentar dois defeitos e este primeiro chamado é apenas um alerta. Haverá uma segunda fase do chamado, para o reparo, assim que as peças estejam disponíveis para sanar o problema.VEJA CHASSIS ENVOLVIDOS:com numeração de chassis (não sequenciais) De 1C4PJMBSOFW641849 a 1C4PJMDSXFW666769   ... Leia mais
24 SET

Manipulação dos veículos da Volkswagen afeta a Europa, diz Berlim

O governo da Alemanha parte da base que entre os 11 milhões de veículos da Volkswagen afetados pelo escândalo de manipulação nas emissões poluentes há automóveis que circulam pela Europa e espera da montadora que detalhe as marcas e modelos envolvidos.   ESCÂNDALO NA VW Volkswagen é acusada de fraudar testes cronologia do caso fraude em 11... Leia mais
23 SET
Ducati Scrambler é lançada no Brasil; preço sai no Salão Duas Rodas

Ducati Scrambler é lançada no Brasil; preço sai no Salão Duas Rodas

A Ducati lançou nesta quarta-feira (23) a inédita Ducati Scrambler no Brasil. Moto mais aguardada da marca em 2015, o modelo só terá o preço divulgado no Salão Duas Rodas, que abre as portas no próximo dia 7 de outubro. A Scrambler deve se tornar a opção mais acessível da empresa. Outra expectativa é que seja também a mais vendida da marca por aqui. O posicionamento da Scrambler será abaixo da Monster 821, que custa R$ 43.900. A chegada da moto já era esperada e, em agosto... Leia mais