Novidades

15 FEV

Clássicos: BMW 327, um dos primeiros esportivos com foco na aerodinâmica

O 327 era um meio-termo entre o sedã 326 e o roadster 328 (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Estrela do Salão de Berlim de 1936, o modelo 326 foi o primeiro automóvel da Fábrica de Motores da Bavária (BMW) criado com ênfase na aerodinâmica.

Desenvolvido pelos engenheiros Fritz Fiedler e Alfred Böning, o bem-sucedido sedã serviu de base para um dos mais belos esportivos dos anos 30: o BMW 327.

Apresentado em 1937, o conversível trazia linhas ainda mais harmoniosas, do projetista Peter Szymanowski.

Os cuidados com a fluidez aerodinâmica eram identificados nos faróis, integrados entre os para-lamas salientes e a grade bipartida, introduzida em 1933. As saídas de ar laterais do capô eram mantidas.

Para-brisa bipartido era basculante para melhorar a ventilação (Christian Castanho/Quatro Rodas)

A bela carroceria era produzida pela Ambi-Budd em Berlim e então enviada para a fábrica da BMW em Eisenach e, então, montada num chassi com entre-eixos 12 cm mais curto que o do modelo 326.

Uma de suas maiores inovações era a lubrificação central, acionada pelo motorista por meio de um pedal.

O 327 cupê chegou em 1938 com o mesmo para-brisa inclinado e bipartido em ângulo, outro indício de uma aerodinâmica apurada.

Sua principal diferença para o conversível eram as portas com abertura invertida, conhecidas como suicidas. A traseira era tomada pelo estepe e não havia acesso externo ao porta-malas.

Carroceria conversível foi a mais popular (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Bem construído, o interior trazia bancos individuais e alavanca do câmbio no assoalho, como convém a um esportivo.

Por trás do volante de três raios, um painel de instrumentos com fundo claro, com velocímetro, marcador de combustível, termômetro de água, manômetro de pressão do óleo e um pequeno conta-giros.

Sob o capô estava o motor M78, o primeiro seis-cilindros automotivo da BMW. Tinha 2 litros, válvulas no cabeçote, taxa de compressão mais alta e dois carburadores Solex.

Seus 56 cv chegavam pelo câmbio Hurth de quatro marchas, com roda livre nas duas primeiras e sincronização nas duas últimas.

Painel de instrumentos completo para a época (Christian Castanho/Quatro Rodas)

A tração traseira era beneficiada pelas eficientes suspensões, sendo a dianteira independente por braços articulados e mola semielíptica transversal e a traseira com eixo rígido e molas semielípticas longitudinais.

Era um conjunto adequado para a velocidade máxima de 126 km/h: os freios a tambor nas quatro rodas possuíam acionamento hidráulico. Precisa, a caixa de direção já adotava o sistema de pinhão e cremalheira.

Mas Fritz Fiedler desejava mais. A solução foi adotar o motor M328, desenvolvido para o roadster 328 em 1936.

Baseado no M78, o novo propulsor tinha cabeçote de alumínio com câmaras de combustão hemisféricas para chegar a impressionantes 80 cv. Rebatizado 327/28, o novo BMW era capaz de chegar aos 140 km/h.

O câmbio foi trocado por um ZF completamente sincronizado.

Traseira sem abertura para o porta-malas (Christian Castanho/Quatro Rodas)

O novo padrão de desempenho fez o 327 disparar na preferência de oficiais da Wehrmacht, superando os Horch, Mercedes-Benz e Maybach e seus enormes motores de 5 litros.

Há pelo menos um registro do BMW 327 nas imediações do Berghof, a casa de veraneio de Adolf Hitler e Eva Braun nos Alpes bávaros de Obersalzberg.

No total, menos de 2.000 unidades do 327 e 327/28 foram fabricadas até 1941, ano em que a produção foi encerrada em função da Segunda Guerra Mundial.

Antes disso, o 327 foi produzido em pequenas quantidades pela inglesa Frazer Nash, representante britânica da BMW, administrada pelos irmãos Harold, Donald e William Aldington.

Após o término do conflito, a fábrica de Eisenach ficou sob influência soviética e produziu cerca de 500 unidades do 327 sob a marca EMW (Fábrica de Motores de Eisenach).

Na Inglaterra, Harold Aldington juntou a Frazer Nash com a divisão automotiva da Bristol Aeroplane Company: completamente revisto, o BMW 327 deu origem ao Bristol 400 de 1947.

FICHA TÉCNICA
BMW 327 1938

Motor: 6 cilindros em linha de 2 litros; 56 cv a 4.500 rpm
Câmbio: manual de 4 marchas
Carroceria: aberta, 2 portas, 4 lugares
Dimensões: comprimento, 450 cm; largura, 160 cm; altura, 142 cm; entre-eixos, 275 cm; peso, 1.080 kg
Desempenho: velocidade máxima de 126 km/h

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

28 DEZ
Quais as vantagens da dobradiça pantográfica no porta-malas?

Quais as vantagens da dobradiça pantográfica no porta-malas?

Mitsubishi Lancer é um dos poucos carros equipados com dobradiças pantográficas (Marco de Bari/Quatro Rodas) Qual a vantagem da dobradiça pantográfica no porta-malas? – Vanderson Spinelli, Cotia (SP) Sua principal virtude é não ocupar o compartimento de bagagens quando o porta-malas está fechado, ao contrário da tradicional estrutura “pescoço de ganso”. Essa não é sua única vantagem. Uma série de partes articuladas... Leia mais
27 DEZ
Comparativo: Ford Fiesta x VW Polo, choque de gerações

Comparativo: Ford Fiesta x VW Polo, choque de gerações

O Polo é um carro todo novo. Já o Fiesta, nem tanto (Christian Castanho/Quatro Rodas) Pode procurar com calma. É difícil identificar onde estão as mudanças do novo Ford Fiesta. Se você ainda não achou, fica a dica: olhe a frente. Faróis, grade e para-choque são diferentes do modelo fabricado no Brasil desde 2013. Curiosamente, o fim da sintonia com o europeu ocorre apenas alguns meses após a estreia do novo Polo, lançado quase... Leia mais
27 DEZ
À venda, só que não: esses são os carros mais difíceis de vender

À venda, só que não: esses são os carros mais difíceis de vender

O anúncio desse Chevrolet Astrovan é o mais antigo (e na ativa) do Webmotors: 3010 dias (Reprodução/Internet) Oito anos atrás, essa Astrovan americana 1993 teve sua foto divulgada na internet. À época, a van tinha 16 anos – nem havia terminado o Ensino Médio. O dono, Luiz Carlos Diegues, aos 62 anos (em 2017), decidiu passar adiante o Chevrolet e ainda não achou um novo dono, mas permanece firme à espera por esse momento mágico.... Leia mais
26 DEZ
Evite a empurroterapia e não seja enrolado na revisão

Evite a empurroterapia e não seja enrolado na revisão

É possível se livrar de despesas a mais na hora da revisão (Alexandre Battibugli/Quatro Rodas) O receio de ser enrolado por profissionais nem tão profissionais paira sob todos os donos de carros – inclusive mecânicos. Receber orçamentos com serviços “extras” e uma conta salgada na visita à concessionária chega a dar calafrios. Mas dá para evitar alguns sustos. Procuramos os consultores Amos Lee Harris Junior, da Universidade... Leia mais
26 DEZ
Impressões: Mitsubishi Eclipse Cross chega ao Brasil em 2018

Impressões: Mitsubishi Eclipse Cross chega ao Brasil em 2018

Goste ou não do visual, é preciso reconhecer: haja personalidade! (Divulgação/Mitsubishi) Ninguém duvida do poder dos SUVs. De acordo com a Mitsubishi, em 2016, na Europa, eles responderam por 77% das vendas. E metade desse gigantesco bolo era de versões 4×4. É com foco nessa realidade que a Mitsubishi está reformulando sua gama no mercado europeu. Na prática, essa história começa com o SUV deste post, o Eclipse Cross, e seguirá... Leia mais
26 DEZ
Os pneus de SUVs são mais resistentes do que os dos sedãs?

Os pneus de SUVs são mais resistentes do que os dos sedãs?

Não há necessidade de reforços adicionais para os pneus utilizados em SUVs (Marco de Bari/Quatro Rodas) Os pneus de SUVs são mais resistentes do que os dos sedãs? Há outras diferenças? – Coutinho, Goiânia (GO) Na média, a estrutura dos pneus usados pelos SUVs não exigem reforços adicionais em comparação com os utilizados em sedãs de porte equivalente. Entretanto, a borracha usada neles tem uma leve tendência a escorregar... Leia mais