Novidades

04 FEV

Teste: Volvo V60 é uma alternativa de luxo aos fãs de SUVs

A perua antecipa o sedã S60, que chega ao Brasil em 2019 (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Sempre que alguma novidade chega à minha garagem, tento convidar o maior número possível de cobaias para andar no banco do passageiro e dar alguns pitacos sobre o carro.

Afinal, nenhuma avaliação deve levar em consideração apenas as preferências do jornalista. Então, é claro que não seria diferente com a recém-lançada Volvo V60.

Para ser sincero, eu e boa parte dos colegas de QUATRO RODAS ficamos entusiasmados com a chegada de mais uma perua ao mercado brasileiro.

Só que, para a minha realidade de hoje – morador de São Paulo (SP), a apenas 5 km do trabalho e sem filhos – até o Smart ForTwo é o carro ideal. Mas será que o modelo sueco convence o consumidor comum? E os atuais fãs de SUVs?

Linha descendente do teto garante o visual esportivo (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Por dentro, não há muitas novidades quando comparada ao irmão (literalmente) maior, o SUV XC60. O painel segue o mesmo desenho, com direito a central multimídia com tela de 9 polegadas, quadro de instrumentos digital e até os mesmos materiais de acabamento.

Mas basta sentar no banco para notar a principal diferença: a posição de dirigir é baixa e esportiva.

Apesar do estilo refinado, faltam equipamentos à V60 (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Essa vocação agressiva se torna ainda mais óbvia com a ficha técnica em mãos. O motor 2.0 turbo a gasolina com 254 cv de potência e 35,7 mkgf de torque, aliado ao câmbio automático de oito marchas, é igual ao usado no XC equivalente.

Se esse conjunto já empolga no SUV (que tem tração integral), imagine quando aplicado à nova embalagem até 197 kg mais leve e 7,4 cm mais próxima do chão.

Bancos dianteiros têm ajustes elétricos (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Pensei que essa personalidade mais emotiva e passional pudesse cativar meu pai, primeiro convidado para experimentar o banco do passageiro – justamente ele, típico comprador de utilitários esportivos.

“E de que adianta ser bom ao dirigir, se ele raspa todas as vezes que saio da garagem?”, perguntou minha cobaia em tom de desafio. E admito que o sr. Fernando realmente tinha razão.

Quadro de instrumentos digital é oferecido de série no Brasil (Christian Castanho/Quatro Rodas)

E olha que a V60 surpreendeu na pista de testes, onde só levou 7,3s para chegar a 100 km/h. Mais que isso, manteve o bom acerto da suspensão dos Volvo mais recentes: confortável na cidade, sem reduzir a estabilidade na estrada.

E a direção progressiva também vai bem nos dois cenários. Até tentei convencê-lo com a economia de R$ 55.000 – ela custa R$ 199.950 na versão única T5 Momentum.

Segunda fileira tem bom espaço para apenas dois passageiros por conta do túnel central elevado (Christian Castanho/Quatro Rodas)

E pouparia combustível: a V60 fez 8,8 km/l na cidade e 13,7 km/l na estrada, contra 8,1 e 11,6 do SUV. Até poderia ser um ótimo negócio se a perua não tivesse perdido itens importantes do XC60.

Quer exemplos? Não há a câmera de ré (que, de tão básico, é difícil de acreditar não ser de série) e o teto solar panorâmico. Já a chave presencial só vem nas versões mais caras do SUV.

Motor 2.0 turbo a gasolina rende 254 cv de potência (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Mas não dá para dizer que ela veio pelada ao nosso mercado. Há condução semiautônoma, frenagem de emergência, alerta de mudança de faixa que pode atuar no volante, proteção ativa contra saída da estrada, ar-condicionado digital com duas zonas, bancos dianteiros com regulagens elétricas (e memória para motorista), além dos sensores de estacionamento nos para-choques dianteiros e traseiros. 

“Não adianta ter tudo isso, se parece que estou debaixo de todos os outros carros no trânsito”, insistiu meu pai. E, de fato, essa reclamação parece ter se tornado cada vez mais comum entre as pessoas que convido para andar nos carros de passeio convencionais.

Porta-malas cresceu quase 100 litros em relação à geração anterior e agora tem capacidade de 529 litros (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Nem meu irmão mais novo, que ficou confinado à segunda fileira, gostou de voltar ao degrau abaixo dos SUVs.

Talvez meu maninho, apesar de ter só 9 anos de idade, tenha se sentido incomodado com o teto mais baixo quando comparado ao XC60 – ele também foi meu passageiro quando o SUV passou pela garagem lá de casa.

E ainda pesa contra a novidade o túnel central elevado, que acaba reduzindo o bom espaço atrás para apenas duas pessoas, que ao menos têm saídas de ventilação exclusivas nas colunas.

Rodas de liga leve têm 18 polegadas (Christian Castanho/Quatro Rodas)

No fim das contas, nenhum dos meus convidados, infelizmente, trocaria o utilitário da Volvo pelo V60, apesar da economia na ponta do lápis.

Com isso, percebi que o principal problema das peruas foi a evolução dos SUVs: eles se tornaram veículos versáteis, são agradáveis de dirigir, transmitem segurança nas ruas e já não são trambolhos com chassi de picape.

Na cadeia alimentar automotiva, foi suficiente para engolir outros segmentos (como hatches médios e até alguns sedãs). É provável que as peruas sobrevivam como nicho de mercado, a exemplo dos discos de vinil, mas alguns perguntarão: “Quem ainda compra esses carros?”    

Ótima ao dirigir e mais barata que o XC60, a perua é uma boa opção familiar, mas falta a versatilidade dos SUVs no dia a dia.

Aceleração
0 a 100 km/h: 7,3 s
0 a 1.000 m: 7,3 s – 198,1 km/h

Velocidade máxima
235 km/h*

*Dados de fábrica

Retomada
D 40 a 80 km/h: 3 s
D 60 a 100 km/h: 3,7 s
D 80 a 120 km/h: 4,5 s

Frenagens
60/80/120 km/h – 0 m: 13,6/23,6/54,7 m

Consumo
Urbano: 8,8 km/l
Rodoviário: 13,7 km/l

Preço: R$ 199.950
Motor: gasolina, dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, turbo, 16V, 1.969 cm3; 82 x 93,2 mm, 10,8:1, 254 cv a 5.500 rpm, 35,7 mkgf a 1.500 rpm
Câmbio: automático, 8 marchas, tração dianteira
Suspensão: duplo A (dianteira)/multibraço (traseira)
Freios: disco ventilado (dianteira/traseira)
Direção: elétrica, 11 m (diâmetro de giro)
Rodas e pneus: liga leve, 235/45 R18
Dimensões: comprimento, 476,1 cm; largura, 185 cm; altura, 142,7 cm; entre-eixos, 287,2 cm; altura livre do solo, 14,2 cm; peso, 1.729 kg; tanque, 55 litros; porta-malas, 529 litros

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

12 SET
Renault Mégane R.S. é o hot hatch que sonhamos ver no Brasil

Renault Mégane R.S. é o hot hatch que sonhamos ver no Brasil

Equipado com motor de Alpine A110, o Mégane R.S. tem 280 cv (Renault/Divulgação) Franceses dominam a arte de fazer bons hatches esportivos. E a nova geração do Mégane R.S. foi apresentada no Salão de Frankfurt apenas para provar isso. Como em todo bom esportivo, o hatch vem com uma motorização de respeito. Trata-se de um 1.8 com quatro cilindros em linha e turbocompressor vindo do Alpine A110, a reencarnação do clássico esportivo... Leia mais
12 SET
Porsche exibe 911 GT3 Touring e confirma novo Cayenne no Brasil

Porsche exibe 911 GT3 Touring e confirma novo Cayenne no Brasil

O GT3 Touring Package perde equipamentos mas tem apenas câmbio manual (Ulisses Cavalcante/Quatro Rodas) A Porsche resolveu agradar seus clientes mais puristas e apresentou no Salão de Frankfurt o 911 GT3 Touring Package. Em resumo, é um 911 GT3 (historicamente a versão do 911 mais próxima de um carro de corrida) com câmbio manual de seis marchas, tração traseira, motor aspirado e sem aerofólio traseiro. O nome Touring Package (TP)... Leia mais
12 SET
Mercedes-AMG Project ONE: motor de F-1 e 1006 cv livres nas ruas

Mercedes-AMG Project ONE: motor de F-1 e 1006 cv livres nas ruas

Hiperesportivo tem motor V6 1.6 da Formula 1 (Ulisses Cavalcante/Quatro Rodas) Foi com a intenção de dar a sensação de pilotar um carro de corrida que surgiram clássicos como a Ferrari F40 e o McLaren F1. Esta também é a proposta por trás do Mercedes-AMG Project ONE, um hiperesportivo com motor da F-1 e mais quatro motores elétricos que, juntos, geram mais de 1000 cv. O Project ONE ainda está na fase de conceito e marca os 50 anos... Leia mais
11 SET
Renault Kwid reservado agora pode ficar para depois do Carnaval

Renault Kwid reservado agora pode ficar para depois do Carnaval

Quem comprar Kwid a partir de agora deve receber o carro só a partir de dezembro (Christian Castanho/Quatro Rodas) Desde meados de julho os interessados em comprar o Renault Kwid devem, antes de mais nada, fazer reserva online e pagar um sinal de R$ 1 mil. Mas quem fizer o pedido a partir deste mês de setembro corre o risco de só receber o compacto no final de fevereiro, depois do carnaval. Para esta nova fase, a Renault diz ter... Leia mais
11 SET
Programado para 2020, Volkswagen ID Crozz ganha segunda versão

Programado para 2020, Volkswagen ID Crozz ganha segunda versão

Modele elétrico chega a partir de 2020 (Divulgação/Volkswagen) Na véspera da abertura do Salão de Frankfurt à imprensa, a Volkswagen revelou uma atualização de design do conceito ID Crozz. A produção do crossover elétrico começará em 2020. Em relação à primeira versão do conceito apresentada em abril, o Crozz teve atualização nos faróis, agora interligados por uma linha de LEDs que corta o logo da VW na dianteira. ... Leia mais
11 SET
Segredo: Chevrolet Spin terá visual parecido com o do Cobalt

Segredo: Chevrolet Spin terá visual parecido com o do Cobalt

Dianteira será parecida com a do Cobalt (Du Oliveira/Quatro Rodas) No início do mês, a GM anunciou investimentos de R$ 1,4 bilhão para modernizar a fábrica de Gravataí (RS) e desenvolver novos carros. Segundo apuramos, esses novos modelos são nove modelos: dois hatches, dois sedãs, um SUV, uma picape, um crossover e duas minivans (5 e 7 lugares). Serão os frutos da nova plataforma GEM (Global Emerging Markets), para mercados... Leia mais