Novidades

22 JAN

Empresas de ônibus pedem fim do Uber Juntos e ressarcimento por perda de passageiros

Depois da disputa com os táxis, o Uber agora está na mira dos ônibus. Desta vez, o motivo de discórdia é o Uber Juntos, modalidade do aplicativo que permite a usuários que percorrem trajetos parecidos compartilharem a mesma corrida.

As empresas de ônibus alegam que o serviço configura transporte coletivo irregular e já acionaram o poder público em 15 cidades para tentar barrá-lo. Em São Paulo, consórcios pedem compensação por prejuízos em função da perda de passageiros e a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) diz que no ano passado apreendeu carros ligados a apps em situação de clandestinidade.

Já foram apresentadas queixas em São Paulo, Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Fortaleza (CE), Aracaju (SE) e Maceió (AL), além de nove cidades da região metropolitana do Rio de Janeiro. Nas duas últimas capitais citadas, o serviço ainda não está disponível.

As companhias de ônibus dizem que o Uber Juntos faz concorrência direta e "predatória" com os coletivos sem estar submetido às mesmas regras que eles, como a necessidade de contrato por licitação, regulação e preços fixados, a obrigatoriedade de rodar em regiões e horários de pouco movimento, além da gratuidade para idosos e estudantes.

Elas argumentam que perdem passageiros e temem que as viagens compartilhadas por aplicativo evoluam para veículos com capacidade para transportar mais passageiros, como já existe na China.

A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) estima que a fuga de demanda pode ficar entre 5% e 7%, a princípio. "Isso pode crescer se o modal sair do automóvel e passar para uma van, por exemplo. Esses são os riscos que a gente tem pensado", diz o presidente Otávio Cunha. Para ele, o Uber Juntos "é o táxi lotação travestido de nova tecnologia". A entidade coordena o movimento e já apresentou carta à Frente Nacional dos Prefeitos.

A Uber se defende dizendo o Juntos não é uma modalidade de transporte coletivo, mas "um sistema que combina viagens individuais com trajetos convergentes para compartilhar o mesmo veículo". A companhia afirma, em nota, que o serviço foi criado para "colocar mais pessoas em menos carros” e que "complementa o transporte público, ampliando o acesso dos usuários à rede pública principalmente na região central."

Compensação financeira

Em São Paulo, as quatro concessionárias que operam as linhas que ligam a capital às regiões metropolitanas pedem, além de que o Uber Juntos seja coibido ou submetido às mesmas regras que os ônibus, uma compensação financeira pela suposta queda na arrecadação em função da perda de passageiros para o aplicativo.

As companhias solicitaram à Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), que fiscaliza e regulamenta o transporte na região metropolitana, a instauração de um processo administrativo para "recompor o equilíbrio financeiro" em seus contratos de concessão.

"O Uber Juntos faz a mesma coisa [que o ônibus], que é chegar a alguns destinos a partir de pontos em que ele passa, sem ter que arcar com os ônus da regulação. Quando [o carro] pega quatro, cinco pessoas [em uma mesma corrida], muitas vezes o valor se aproxima do do transporte público. Isso tira passageiros e interfere em todo o cálculo complexo da tarifa", diz Ivan Lima, advogado do Setpesp, sindicato que representa os consórcios.

"[Se houver prejuízo], vai implicar em uma tarifa maior no próximo reajuste tarifário", emenda Lima.

Outra possibilidade, segundo ele, é de que esse ressarcimento seja feito em forma de pagamento direto da diferença pelo estado às empresas.

O último reajuste tarifário passou a valer neste domingo (20) e ficou em 6,45%, na média, acima da inflação oficial para o ano passado, de 3,75%. A correção dos valores varia de linha para linha.

Carros irregulares apreendidos

A EMTU confirma o recebimento da notificação das companhias. A gerenciadora diz, no entanto, que os contratos em vigor já contêm cláusulas que garantem o equilíbrio financeiro e que não há necessidade de abertura de processo administrativo.

"Uma das obrigações da EMTU/SP para assegurar o equilíbrio econômico dos contratos é a fiscalização sistemática e combate aos serviços de transporte não regulamentados e/ou clandestinos pelo poder concedente", diz em nota.

A EMTU afirma que, para fazer o transporte coletivo metropolitano, condutor e veículo precisam ser cadastrados na Secretaria de Estado de Transportes Metropolitanos (STM). Sem cadastro, o veículo é apreendido. No ano passado, 754 veículos em clandestinidade foram retidos em ações de fiscalização feitas pelo órgão junto da Polícia Militar. Desse total, quase metade (365) eram carros de passeio, "ligados ou não aos aplicativos que oferecem transporte individual".

O Uber Juntos começou a funcionar em São Paulo no dia 30 de outubro. A EMTU não divulgou quantos dos veículos em situação irregular foram apreendidos depois dessa data nem quantos eram relacionados aos apps.

O SPUrbanuss, que representa as empresas que operam o transporte público dentro da capital, também apresentou queixa contra o Uber Juntos à Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes. A pasta confirma o recebimento da carta e diz que "analisa as informações recebidas".

Até agora, segundo a NTU, nenhuma das notificações gerou medidas concretas ou sinalizações de que o serviço pode ser proibido ou obrigado a atender às mesmas exigências que os ônibus.

Outros apps

Das cartas endereçadas ao setor público a que o G1 teve acesso, apenas a das empresas de ônibus de Belo Horizonte cita outro aplicativo de transporte que não o Uber, o 99. A capital mineira é a única cidade onde a empresa opera, ainda em teste, uma modalidade similar ao Uber Juntos, chamada 99Compartilha (antigo 99 Pool+).

A companhia diz que não foi notificada pela prefeitura da cidade ou qualquer outro órgão sobre o tema e que "entende que não há impedimento para o exercício da atividade e, por isso, segue acompanhando regulamentação do transporte por aplicativos e mantém diálogo constante com poder público".

Segundo pesquisa da NTU e da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), em 2017, 2,1% dos passageiros que deixaram de usar ônibus ou passaram a fazer menos viagens migraram para serviços oferecidos por aplicativos de transporte.

"O transporte público jé é mal avaliado pela população. E ainda falam que é caro. Muito pior vai ficar se acontecer essa concorrência predatória", diz Cunha, da NTU.

Fonte: G1

Mais Novidades

01 MAR

Especial Óleo Lubrificante: como escolher a especificação certa

Viscosidade não se vê no óleo escorrendo, mas na embalagem (Christian Castanho/Quatro Rodas)Comprar leite nunca foi uma tarefa tão complicada quanto hoje em dia. Antigamente, você ia até a padaria, pegava um saquinho do tipo A, B ou C e estava tudo certo. Agora a prateleira de leites no supermercado parece um cardápio. Tem leite integral, desnatado, semidesnatado, leite de soja, leite sem lactose, com ferro…  Se para comprar uma simples embalagem de leite já está complicado, o que... Leia mais
28 FEV

GM volta a criar divisão só para América do Sul

A General Motors, dona da Chevrolet, voltará a ter uma divisão para a América do Sul pouco mais de 1 ano após ter unido as operações na região com as do Pacífico e da Ásia -excluindo a China -, todas deficitárias. Esse trio formava a chamada GM Internacional. As demais divisões eram América do Norte e China. Agora, a montadora passará a ter subdivisões. A GM América do Sul será presidida pelo argentino Carlos Zarlenga, que já liderava a fabricante no Brasil e na... Leia mais
28 FEV

Mercedes-Benz renova linha de cabines de caminhões e amplia produção no ABC paulista

A Mercedes-Benz apresentou nesta quinta-feira (28) a renovação da linha de produção de cabines de caminhões na fábrica de São Bernardo do Campo (SP). A modernização custou R$ 100 milhões à montadora, que são parte dos R$ 2,4 bilhões que devem ser investidos no Brasil até 2022. A marca líder em vendas de caminhões também confirmou que começou o ano com 400 novos funcionários na unidade, cujas contratações foram anunciadas ainda em 2018. Mas não divulgou de quanto... Leia mais
28 FEV

Novo Chevrolet Blazer virá ao Brasil com sete lugares, diz site

Modelo foi alongado a partir da porta traseira (Divulgação/Chevrolet)Quando a GM revelou a nova Chevrolet Blazer, a filial brasileira logo se informou que o utilitário esportivo não viria para o Brasil tão cedo. Não era mentira: o modelo que virá é a versão alongada da Blazer, apelidada de XL.Segundo o site GM Authority, a Blazer XL será fabricada na China e vendida em mercados onde ela não concorreria com o SUV grande Traverse — que é o caso do Brasil.O entre-eixos de 2,87 m foi... Leia mais
28 FEV

Audi Q3 deixa de ser feito no Brasil; Q3 Sportback e Q2 estão confirmados

As vendas financiadas da Audi chegaram a 42% em 2017 (Leo Sposito/Quatro Rodas)Com nova geração lá fora, o antigo Audi Q3 deixou de ser produzido em São José dos Pinhais (PR) em janeiro, responsável pelo modelo desde meados de 2016. A unidade segue produzindo o A3 Sedan, além dos Volkswagen Fox, Golf e T-Cross.Isso não significa que o Audi Q3 encerrou sua história no Brasil. CEO da Audi do Brasil, Johannes Roscheck confirmou o lançamento da nova geração do SUV por aqui no final... Leia mais
28 FEV

Suzuki Katana tem patente registrada no Brasil

Um dos principais lançamentos mundiais da Suzuki nos últimos anos, a Katana teve sua patente registrada pela montadora no Brasil. O desenho da motocicleta foi publicada na edição desta semana da revista do Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (Inpi). Motos 2019: veja 25 lançamentos esperados Como aconteceu recentemente com a Honda CB 650R, as patentes são feitas no país por motivos de segurança da propriedade intelectual, mas isso quer dizer que os modelos serão... Leia mais