Novidades

26 SET

Teste: Mitsubishi Eclipse Cross tem motor 1.5 turbo por R$ 149.990

Dianteira carrega a identidade visual dos modelos mais recentes da marca (Leo Sposito/Quatro Rodas)

Minha mãe é daquelas bem atenciosas, que ligam todos os dias para o filho – e, é claro, em alguns momentos inoportunos. E lá estava eu, ajustando o banco do Eclipse Cross antes de encarar 300 km de testes pelas estradas sul-rio-grandenses, quando o meu celular tocou pela quarta vez durante uma breve passagem por Porto Alegre (RS).

Explico: viajei ao Sul do país para conhecer a novidade que chegará em novembro.

– E aí, filho. Qual é mesmo o carro que você vai testar hoje?
– É um lançamento da Mitsubishi, mas ainda não está à venda no Brasil. Procura “Eclipse Cross” no Google e vê se você gosta – disse para minha mãe, que tem o perfil típico da média dos compradores de SUV.
– Nossa, até que é bonitinho. Só que essa traseira é esquisita.
– Um pouco, dona Carol – nessa hora, não contive o riso –, mas garanto que ele é bem mais agradável pessoalmente.

Traseira polêmica lembra o Pontiac Aztec, considerado o carro mais feio já feito (Leo Sposito/Quatro Rodas)

Confesso que não tinha gostado do SUV pelas fotos. A dianteira era como a de qualquer outro modelo recente da marca. Já a traseira estava mais para Pontiac Aztek, considerado o carro mais feio já feito. Mas quer saber? Ao vivo, após algum tempo, já estava gostando. Mais tarde percebi que outras pessoas tiveram a mesma impressão.

– E ele tem aquele sistema que acelera e freia sozinho? – o controle de cruzeiro adaptativo é o atual sonho de consumo da minha mãe.
– Sim, mãe. Mas você ia gostar mesmo do teto solar panorâmico, que vai até o banco de trás. E tem ar-condicionado bizona, chave presencial, bancos de couro com aquecimento e ajustes elétricos para motorista e sensores dianteiros e traseiros.

Versão topo de linha HPE-S tem faróis de led como item de série (Leo Sposito/Quatro Rodas)

Preferi não citar os sete airbags, incluindo a bolsa para o joelho do condutor, alerta de mudança involuntária de faixa, frenagem de emergência, assistente de partida em rampa, sensor de tráfego cruzado e um sistema que previne aceleração involuntária (contra obstáculos móveis e até uma parede, por exemplo).

Minha mãe nem se importa com motor, então não detalhei o 1.5 turbo com 165 cv e 25,5 mkgf, que tem duplo comando de válvulas variável, além dos sistemas de admissão direta e indireta. Ou então falei do câmbio CVT que simula oito marchas e tem borboletas fixadas na coluna de direção, como em alguns esportivos.

Vidro traseiro dividido em duas parte amplia o campo de visão (Leo Sposito/Quatro Rodas)

Esse conjunto precisou de 10 s para chegar aos 100 km/h na nossa pista. Bem mais lento que os 8,8 s do New Tucson, com um 1.6 turbo de 177 cv. Já o Jeep Compass 2.0 turbodiesel de 170 cv demorou 11,4 s. E o novato desapontou no consumo: 8,6 km/l na cidade e 11,4 km/l na estrada, contra os 11,1 km/l e 13,9 km/l, respectivamente, do rival da Hyundai (também movido somente a gasolina).

Mais que o desempenho, impressiona a sensação que o SUV transmite ao volante. Em parte, o bom comportamento se deve à tração integral S-AWD, que tem diferencial central de acoplamento eletromagnético e três modos de atuação: automático, terra e terrenos escorregadios. Em condições normais, a divisão de torque é 50:50. E pode chegar a 0:100.

Modelo testado foi trazido dos EUA com central multimídia diferente do Brasil (Leo Sposito/Quatro Rodas)

O volante é leve para manobras e ganha peso à medida que a velocidade aumenta. No começo da viagem, principalmente nas retas da rodovia Freeway, a dianteira parecia flutuar. Porém, foi só chegar aos trechos sinuosos de serra para perceber que ela era bem direta. Já o pedal de freio teve respostas lentas – que passa uma sensação meio borrachuda.

A suspensão independente nas quatro rodas (multilink atrás) tem ajuste firme e três barras estabilizadoras, o que ajuda a conter rolagens nas curvas. E isso não comprometeu a capacidade de absorver os buracos.

Eclipse Cross trará uma série de recursos de segurança (Leo Sposito/Quatro Rodas)

– E a “telinha” é boa, filho?
– Você não vai acreditar, mãe, mas não pude provar. A Mitsubishi trouxe esses carros dos Estados Unidos para testarmos antes do lançamento. Quase tudo é igual ao carro que será vendido aqui, menos a central multimídia e o velocímetro em milhas.

– Mas o que você achou da cabine? O carro parece ser bem luxuoso.
– Na verdade, o interior não é tão luxuoso assim. Boa parte do painel é emborrachado, só que os plásticos prateados têm aspecto simples.

Bancos dianteiros têm bons apoios laterais (Leo Sposito/Quatro Rodas)

É uma sensação parecida com a de outras marcas japonesas, como Toyota e Subaru. Inexplicável é o vidro com um toque só para motorista.

Se o Eclipse Cross não surpreende pelo acabamento, não dá para dizer que a Mitsubishi se esqueceu de dar atenção ao interior. A segunda fileira fica sobre trilhos e avança 20 cm para dar espaço às bagagens. Mas não há milagre: o porta-malas tem 473 litros com os bancos para a frente.

Falta espaço para os ombros na segunda fileira (Leo Sposito/Quatro Rodas)

E o encosto traseiro (que pode ser reclinado em oito ângulos) tem apoios de cabeça e saída superior do cinto de segurança embutidos para aumentar a visibilidade de trás. Pensando nisso, a marca fixou os retrovisores externos nas portas, rebaixou a linha de cintura na tampa do porta-malas e dividiu o vidro traseiro em duas partes.

– Mas, filho, o tamanho é meio parecido com aquele ASX.
– Olha só! Você realmente percebeu, mãe? Sim, eles têm muito em comum e a estrutura é quase igual. Só que o Eclipse Cross teve atualizações.

Porta-malas pequeno é um dos pontos negativos do SUV (Leo Sposito/Quatro Rodas)

Desisti de resumir o conceito de plataforma por telefone, porém o novo SUV tem a mesma base do ASX que chegou ao Brasil há sete anos. Mas ainda há uma dose de refinamento, como prova a nota máxima nos testes de colisão da Euro NCAP.

– Você acha que esse carro vai vender bem? Quanto custa?
– Esse é o problema, mãe. Varia de R$ 149.990 a R$ 155.990. A única diferença é a tração integral na mais cara. Ele é importado do Japão e isso acaba jogando o preço para o alto.

Sistema de tração S-AWD á a única diferença entre as duas configurações à venda (Leo Sposito/Quatro Rodas)

– E vão fabricar no Brasil?
– A Mitsubishi disse que agora não, mas estuda a possibilidade. E diz que pode trazer versões mais baratas. Pelo menos o SUV tem as revisões a preços fixos, o que dá um pouco mais de racionalidade na escolha.

– Você compraria, filho? – essa é uma das perguntas mais complicadas, já que a decisão de compra envolve muitos fatores pessoais.
– Eu me surpreendi, mãe, principalmente com a sensação ao volante. O problema é que ele está muito caro nessa versão topo de linha HPE-S. Tudo bem que nenhum dos rivais tem o controle de velocidade adaptativo, por exemplo. Mas o Eclipse Cross também é menos espaçoso, apesar de ter o tamanho do Compass.

Rodas de liga leve aro 18 diamantadas vêm de série no Eclipse Cross (Leo Sposito/Quatro Rodas)

– Eu não teria dúvidas. Prefiro pagar mais por um carro que seja completo – confessou minha mãe.
– Eles esperam que 300 pessoas pensem assim todos os meses. Só que não é tão fácil justificar os preços, que colocam o SUV para disputar até com modelos da própria marca.

Em tese, o novato deveria ficar entre o ASX e o Outlander, só que acaba brigando até com as versões 2.0 16V do modelo maior (na versão Comfort, intermediária, ele custa R$ 153.990). Antes de me despedir e devolver as chaves para voltar a São Paulo (SP), cheguei à conclusão de que o produto é realmente bom. Só que ainda falta uma versão de entrada no Brasil.

É bem equipado e ótimo ao volante. Mas falta espaço interno, capacidade no porta-malas e versões de entrada para baixar o preço.

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

09 OUT
Ferrari planeja vender cerca de US$ 10 bilhões em ações em bolsa nos EUA

Ferrari planeja vender cerca de US$ 10 bilhões em ações em bolsa nos EUA

A fabricante italiana de automóveis esportivos de luxo Ferrari, filial da Fiat Chrysler Automobiles (FCA), planeja vender cerca de US$ 10 bilhões em ações na bolsa de Nova York, segundo documentos enviados nesta sexta-feira (9) a um organismo que supervisiona o mercado de valores de Wall Street (SEC) - equivalente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no Brasil. A marca, que se prepara para dar seus primeiros passos na Bolsa dos Estados Unidos após anos de rumores, espera vender... Leia mais
09 OUT
Brasil e Colômbia fecham acordo no setor automotivo

Brasil e Colômbia fecham acordo no setor automotivo

Brasil e Colômbia assinaram nesta sexta-feira (9) acordos para aumentar o comércio e os investimentos entre os dois países, incluindo no setor automotivo, que permitirão reduzir, ao menos em parte, o impacto da desaceleração de suas economias devido à queda dos preços das commodities. Com a medida, o imposto de importação para veículos de passeio e comerciais leves entre os países será zerado. No primeiro ano, a cota nestas condições será de 12 mil unidades. No segundo, o... Leia mais
09 OUT
Preço médio da gasolina nos postos subiu mais de 5%, diz ANP

Preço médio da gasolina nos postos subiu mais de 5%, diz ANP

  O reajuste de 6% no preço da gasolina nas refinarias foi repassado quase que integralmente para os consumidores, segundo pesquisa semanal de preços da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis). O levantamento da ANP mostra que o preço médio do combustível nas bombas subiu 5,11% em uma semana. O preço médio do litro da gasolina nos postos do país subiu de R$ 3,287 na semana de 27 de setembro a 03 de outubro para R$ 3,455 entre os dias 4 a 10 de outubro.  ... Leia mais
09 OUT
BMW inicia produção nacional do Mini Countryman

BMW inicia produção nacional do Mini Countryman

A BMW iniciou nesta quinta-feira (8) a produção nacional do Mini Countryman. O crossover é o primeiro Mini feito em solo nacional, e o quinto modelo a ser montado na planta de Araquari (SC). A fábrica, aliás, que completa um ano neste mês de outubro, completou o cronograma estipulado pela marca. De lá, já saem os BMW Série 1 e 3 e os crossovers X1 e X3. Voltando ao Countryman, o carro nacional será oferecida nas versões Top e ALL4, sempre no catálogo S, que traz motor 1.6... Leia mais
09 OUT
Moto BMW de baixa cilindrada terá 'preço competitivo e mais versões'

Moto BMW de baixa cilindrada terá 'preço competitivo e mais versões'

A BMW apresentou a sua primeira moto de baixa cilindrada da era atual no Salão Duas Rodas 2015, que vai até o próxima segunda-feira (12), no Anhembi, em São Paulo. Ainda como conceito, a G 310 Stunt chamou a atenção do mundo todo ao Brasil, país escolhido para a estreia mundial do modelo, inclusive, ostentando bandeiras do país nas carenagens.   DUAS RODAS 2015 Salão é o maior de motos da Am. Latina ... Leia mais
09 OUT

AutoEsporte mostra as novidades do Salão Duas Rodas 2015

Neste domingo (11), o AutoEsporte visita o Salão Duas Rodas 2015, o maior evento sobre motos da América Latina. No Salão, o piloto Leandro Mello conhece um simulador da MotoGP. Ele também testa, na pista, 4 modelos lançados no evento. No terceiro episódio da série "Contra o instinto", o repórter César Urnhani ensina como realizar desvios bruscos com carros de grande porte. Em outra reportagem, o piloto explica as características do óleo e a função da viscosidade nessa... Leia mais