Novidades

07 AGO

Como Fiat, Volkswagen e Ford deixaram seus compactos mais caros

Reestilizações e mudanças nas versões vem ajudando as fabricantes a encontrar o público de cada compacto (Arte/Quatro Rodas)

Entre sedãs e hatches, compactos respondem por pouco mais de 60% das vendas de automóveis no Brasil. São os carros mais baratos, com maior número de versões e inseridos em segmentos com vários concorrentes.

Mas muitas vezes os grandes rivais convivem nas mesmas concessionárias.

Na Fiat, a faixa de preço entre os R$ 30.000 e os R$ 60.000 é ocupada por Mobi, Uno e Argo. Na Volkswagen, por sua vez, há Gol, Up!, Fox e Polo. A Ford divide suas atenções entre o Ka e o Fiesta.

O problema está em estabelecer a faixa de preço de cada modelo sem que exista canibalização, ou seja, que eles disputem os mesmos clientes. Nessas horas, vale até mesmo usar o método da tentativa e erro.

A Fiat nunca havia tido problema para vender compactos. Até quatro anos atrás, suas concessionárias vendiam, ao mesmo tempo, duas gerações do Uno, duas gerações do Palio, Punto e Idea.

Os seis carros se transformaram em três: Mobi, Uno e Argo. A gama enxuta, porém, não ajudou a definir o posicionamento de cada um.

Versão de entrada do Mobi ficou R$ 2.100 mais barata (Reprodução/Internet)

O Fiat Mobi vai bem como carro de entrada, mas sua gama de versões passou por duas mudanças desde o lançamento, em abril de 2016.

Primeiro perdeu as versões Easy On, Like On e Way On, substituídas por pacotes de opcionais nas versões Easy, Like e Way. Recentemente, na linha 2019, o básico Mobi Easy ficou mais barato (baixou R$ 2.100, para R$ 32.590) e surgiu a versão Easy Comfort, com ar-condicionado (que não existia para o Easy), por R$ 35.690. 

No outro extremo está o Mobi Drive. Além de ter opcionais exclusivos, troca o motor 1.0 Fire quatro cilindros pelo tricilindrico 1.0 Firefly, mais potente e eficiente. Mas custa R$ 43.590 – mais caro que um Uno, que lhe emprestou a plataforma. 

O visual do Uno 2019 não foi alterado (Divulgação/Fiat)

O Uno Attractive relançado em maio por R$ 42.990 usa o motor Fire. A outra versão é a Drive com motor 1.0 três cilindros e uma lista de opcionais maior, por R$ 44.820. E só.

Vale voltar no tempo: meses depois do lançamento do Mobi, no final de 2016, o Uno foi responsável por estrear os novos motores 1.0 e 1.3 Firefly em todas as suas versões, que também ficaram mais completas. Foi uma ousadia que não durou muito.

Após o lançamento do Fiat Argo os Uno Sporting e Way não faziam mais sentido. Mesmo hoje a diferença do Uno Drive para o Argo 1.0 é de R$ 170, menos que o tanque cheio de gasolina.

Versão 1.0 é a mais vendida do Argo (Christian Castanho/Quatro Rodas)

O Argo 1.0 custa R$ 44.990 e sua lista de equipamentos opcionais se limita a um simples rádio e a lavador e limpador traseiros.

Enquanto isso um Uno Drive completo pode ter até controle de estabilidade e monitor de pressão dos pneus. Difícil é pagar R$ 52.770 por ele quando o Argo Drive 1.3 custa R$ 53.990 – e passa a R$ 55.490 com controle de estabilidade e start-stop.

Será que o Uno está sobrando?

Ka e Fiesta sempre estiveram muito próximos. O primeiro Ka era baseado na quarta geração do Fiesta (a primeira fabricada no Brasil). O Ka atual, por sua vez, usa a mesma plataforma do Fiesta que está em linha.

Alterações mais significativas do Fiesta foram feitas na grade e no para-choque (Ford/Divulgação)

Parecia fácil: o Ka ocuparia o posto de carro de entrada com motores 1.0 e 1.5 e o Fiesta, com motor 1.6 ou 1.0 turbo, com opção de automatizado de dupla embreagem, assumiria um posicionamento mais premium.

O Ka vai tão bem como carro de entrada que as versões mais vendidas do hatch são, de longe, as 1.0: 89,2% das vendas do hatch no primeiro semestre. Para o sedã, 35,6%. Mas a culpa do Ka 1.5 vender pouco não é do Fiesta, que foi reestilizado no final de 2017.

Nos seis primeiros meses de 2018 o Fiesta teve 10.455 unidades, pouco mais do que o Ka vendeu por mês no mesmo período. É tão pouco que ficou atrás do Chevrolet Cruze. Isso o hatch, porque o sedã teve 1.420 emplacamentos na primeira metade do ano – contra 1.666 do Toyota Prius.

Fiesta tem interior com acabamento de melhor qualidade (Christian Castanho/Quatro Rodas)

A Ford tinha duas opções: recriar as versões de entrada do Fiesta com motor 1.5 Sigma, abandonadas em 2016, ou equipar o Ka para tirar dele o aspecto de carro de entrada. Optou pelo segundo caminho.

Agora o Ka tem versões com central multimídia, airbags laterais e de cortina (totalizando seis), câmera de ré, partida sem chave e até bancos de couro. Ficaram muito próximos dos Fiesta mais caros. E o Ka 1.5 está mais potente e tem câmbio automático convencional (com conversor de torque), cada vez mais importante entre os compactos.

Reestilização leva visual do Ka Freestyle à toda a linha (Ford/Divulgação)

O moderno três cilindros 1.5 Ti-VCT, lançado pelo EcoSport, não foi para o Fiesta mas foi para o Ka. Saltou de 110/105 cv e 15/14,9 mkgf no 1.5 Sigma de quatro cilindros para 136/128 cv e 16,1/15,6 mkgf. E pode ser combinado ao mesmo câmbio automático de seis marchas do EcoSport.

Hoje o Fiesta é vendido com os 1.6 16V de 128/125 cv e 16/15,8 mkgf ou o 1.0 12V Turbo com injeção direta de 125 cv e 17,3 mkgf exclusivo da versão SEL Style. O câmbio automático é sempre o Powershift de dupla embreagem com fama de problemático.

Os preços ficaram próximos, mas a Ford conseguiu evitar o cruzamento de preços. O Ka automático mais barato é o SE, de R$ 56.490. O SE Plus automático passa para R$ 58.990, mais perto dos R$ 62.390 cobrados pelo Fiesta SE Plus 1.6 Powershift, que usa exatamente as mesmas calotas do Ka.

Pela primeira vez o Ford Ka passou a contar com transmissão automática (Christian Castanho/Quatro Rodas)

O Ka hatch mais caro é o Titanium 1.5 AT, de R$ 68.990. Já o Fiesta Titanium 1.6 Powershift sai por R$ 71.190 com um airbag a mais (sete), ar-condicionado automático e direção ajustável em profundidade e não apenas em altura.

O que só o futuro poderá dizer é se a Ford quer apenas aumentar as vendas do Ka 1.5 ou está se mexendo para acabar com o Fiesta – hoje, o único Ford feito na unidade se São Bernardo do Campo (SP).

A linha de compactos da Volks já esteve mais embolada. Com alguns ajustes nos preços e cortes de versões, hoje ela pode ser dividida em dois times. O dos projetos antigos, com Fox e Gol, e o dos novos, com Up! e Polo.

O Gol perdeu as versões mais caras e ganhou a mesma frente da Saveiro (Divulgação/Volkswagen)

Esqueça dimensões e pacote de equipamentos. Os carros com preços mais interessantes da Volkswagen hoje são os velhos.

O Gol passou pela terceira reestilização em 10 anos e perdeu as versões mais caras, como Comfortline e Highline. Restou apenas a Trendline, que com o motor 1.0 três cilindros de 84 cv custa R$ 44.990. Não existe Volks mais barato que ele, pois o Up! perdeu a versão Take, que custava R$ 40.890.

O resultado já apareceu: o Gol voltou a ser o Volkswagen mais vendido do Brasil.

Mesmo perto do fim, o Fox ainda rende bons números para a Volkswagen (Divulgação/Volkswagen)

Depois dele vem o completinho Fox, que foi salvo do ostracismo com a versão Connect 1.6. Por R$ 49.990, tem ar-condicionado, direção hidráulica, faróis de neblina, vidros elétricos, rodas de liga leve e até central multimídia.

O custo x benefício é imbatível. Um Gol 1.6 manual não tem metade dos equipamentos do Fox e custa R$ 51.040. Não foi à toa que, mesmo com 15 anos nas costas, esse Fox ficou em décimo no ranking das versões mais vendidas do Brasil no primeiro semestre.

Mesmo na versão básica o Polo tem visual quase idêntico ao de seus pares mais equipados (Divulgação/Volkswagen)

Agora, até o Polo tem versão mais barata que Up!. Isso porque o Polo 1.0 MPI parte dos R$ 50.670 e o Move Up! com motor aspirado está tabelado em salgados R$ 51.290.

Quem sustenta o Up! aspirado é o câmbio automatizado I-Motion, que ainda tem seus adeptos. Mas são as demais versões, com motor 1.0 TSI – que respondem por 65,5% das vendas – que justificam a existência do modelo. O Move Up! TSI parte dos R$ 56.850.

Preços do Up! TSI começam em R$ 56.850. O Pepper, da foto, custa R$ 60.820 (Leo Sposito/Quatro Rodas)

A novidade na linha é o primeiro Gol com câmbio automático convencional da história. Custa R$ 54.580 e tem motor 1.6 16V (120 cv) e câmbio automático de seis marchas. É mais barato que o Polo 1.6 MSI: R$ 57.190 manual e R$ 62.690 com a mesma transmissão.

Agora, cada carro parece ter seu público. O Up! atende quem busca a esportividade e o desempenho do 1.0 TSI. O Gol mira em quem quer um carro barato, seja ele o 1.0 básico ou o 1.6 automático. O comprador do Fox visa um carro equipado barato. Por fim, o Polo atende quem quer um carro moderno e espaçoso.

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

01 FEV
Novo Audi TT RS chega ao Brasil com desempenho de Ferrari

Novo Audi TT RS chega ao Brasil com desempenho de Ferrari

Cupê 2+2, 400 cv e tração integral: receita de sucesso para os entusiastas (Divulgação/Audi) Fãs de esportivos alemães ganharam mais uma alternativa para rechear a garagem. A Audi lançou nesta quinta (01) no Brasil o novo TT RS. O cupê superesportivo adota a plataforma modular e o trem de força do novo RS 3, mas custa quase R$ 100 mil a mais. O TT RS tem preço sugerido de R$ 424.990, em versão única. Seu 2.5 de cinco cilindros... Leia mais
01 FEV
Hyundai revela imagens da nova geração do Santa Fe

Hyundai revela imagens da nova geração do Santa Fe

Modelo adota nova identidade visual da marca (Divulgação/Hyundai) São apenas esboços, mas a Hyundai divulgou as primeiras imagens da nova geração do Santa Fe. O design é semelhante ao do Hyundai Kona, SUV compacto que estreou uma nova identidade visual da marca em 2017. A dianteira irá adotar faróis com estilo mais fino e separados. No centro, o Santa Fe também terá a grade  em cascata, já visto em outros modelos da Hyundai. ... Leia mais
01 FEV
Dez inovações tecnológicas para seu carro

Dez inovações tecnológicas para seu carro

Vanguarda europeia – (Divulgação/Aston Martin) Não há dúvida de que o Aston Martin Lagonda tinha um interior esquisito, mas para 1976 ele era bem futurista. Considerado o primeiro carro de produção com um painel digital, ele trocou os comandos móveis tradicionais por botões sensíveis ao toque. Mão boba O que pode ser mais moderno que ativar um recurso sem pressionar nenhum botão? Por isso a indústria já inventou o comando por... Leia mais
01 FEV
Novo Jeep Renegade concentra novidades no interior

Novo Jeep Renegade concentra novidades no interior

Novo Renegade europeu é quase igual ao modelo atual (Divulgação/Jeep) Coube à divisão europeia da FCA revelar a primeira versão do novo Jeep Renegade. O modelo completa em 2018 quatro anos de mercado (três no Brasil) e passará por sua primeira reestilização. O destaque, aqui, fica por conta das diferentes versões de design que ele terá, algo pouco comum na Jeep. Notar as mudanças do Renegade 2019 europeu exige um olhar atento ou... Leia mais
31 JAN
Volkswagen perde para Renault-Nissan liderança de vendas em 2017

Volkswagen perde para Renault-Nissan liderança de vendas em 2017

Comércio mundial de veículos tem novo líder (APPA/Divulgação) O título de maior vendedor de veículos do mundo tem um novo dono: a aliança Renault-Nissan, com o reforço da Mitsubishi, ultrapassou o Grupo Volkswagen em 2017. Para ficar à frente da alemã (que também é dona de Audi, Porsche, Seat, Skoda, Lamborghini e Bugatti), as três marcas contabilizaram apenas automóveis e comerciais leves, somando 10,61 milhões de veículos... Leia mais
31 JAN
Garantia de 12 meses está em decadência no Brasil

Garantia de 12 meses está em decadência no Brasil

Se depender das fabricantes, os clientes vão frequentar por mais tempo a oficina das concessionárias (Alexandre Battibugli/Quatro Rodas) Números apresentados pela consultoria Jato Dynamics no Workshop Planejamento Automotivo 2018, da revista Automotive Business, reforçaram a rápida evolução do mercado nacional nos últimos três anos. Entre os destaques está no aumento exponencial da oferta do câmbio automático, de sistemas... Leia mais