Novidades

09 JUN

Decisão do STJ que permitiu reter carteira de motorista de devedor vale para todos os casos? Veja perguntas e respostas

A decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) da última terça (5), que admitiu a retenção da carteira de motorista (CNH) de um devedor, para forçá-lo a quitar seu débito, gerou uma série de dúvidas sobre como a medida poderá ser aplicada em casos semelhantes.

Na decisão, o STJ reconheceu o poder do juiz para aplicar medidas não previstas expressamente na lei e que vão além dos meios tradicionais para convencer uma pessoa a pagar a dívida.

Para isso, os ministros se basearam no artigo 139 do Código de Processo Civil, que permite ao juiz “determinar todas as medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias necessárias para assegurar o cumprimento de ordem judicial, inclusive nas ações que tenham por objeto prestação pecuniária”.

O G1 analisou a decisão com ajuda dos advogados Marcelo Abelha e Fábio Quintas, especialistas no assunto, para esclarecer as dúvidas nesta série de perguntas e respostas:

Quando o devedor terá a carteira retida?

A existência de uma dívida qualquer não leva automaticamente à retenção da CNH. A medida dependerá sempre, nessas situações, de uma decisão judicial emitida por um juiz dentro de uma ação na Justiça movida pelo credor da dívida.

A decisão deve ser bem fundamentada e proporcional, isto é, dizer não só os motivos, mas também a necessidade, adequação e razoabilidade para atingir o fim buscado: o pagamento.

Além disso, uma medida do tipo, em geral, só poderá ser tomada depois que o juiz usar os meios previstos em lei para o pagamento. Antes, o juiz vai verificar se o devedor tem dinheiro em conta ou bens suficientes que podem ser usados para quitar a dívida.

A retenção da CNH pode ocorrer, por exemplo, quando se constatar que o devedor está escondendo o patrimônio e age na tentativa de evitar o pagamento. É nesse tipo de situação, que o juiz poderá tomar medidas mais contundentes para forçar o pagamento.

De qualquer forma, o tempo e o modo como o recolhimento será ou não feito depende das circunstâncias de cada caso, numa avaliação do juiz após ouvir os argumentos do devedor e do credor envolvidos no processo.

Quem vai reter a carteira?

A ordem para recolhimento da carteira de motorista, nesses casos de dívida, parte do Judiciário, que, por sua vez, determina ao Detran a suspensão da pessoa do direito de dirigir.

Se a pessoa estiver com a carteira recolhida e for flagrada dirigindo, terá o carro apreendido e responderá por crime, cuja pena é de detenção de seis meses a um ano, multa e cassação definitiva da CNH.

Após a retenção da carteira, como é possível recuperá-la?

A forma mais rápida de recuperar a carteira é pagar a dívida e provar a quitação do débito junto à Justiça dentro do processo que ordenou o recolhimento. Se o devedor, porém, quiser contestar a medida sem pagar a dívida, será possível por meio de recurso à instância judicial superior.

Se a ordem partir de um juiz de primeira instância, caberá recurso ao Tribunal de Justiça (TJ), de segunda instância, por exemplo.

A Justiça pode recolher outros documentos, como o passaporte?

Pelo entendimento do STJ, isso é possível, mas mais difícil de ocorrer que a retenção da CNH, por restringir o direito de ir e vir de uma pessoa. Em relação à CNH, o tribunal considerou que a retenção não afeta o direito de locomoção, já que o devedor teria outros meios de se transportar que não na condução do veículo.

Para o STJ, o recolhimento da CNH busca somente o “convencimento” para pagamento das dívidas e não significa uma punição ao devedor.

De qualquer modo, a medida só deve ocorrer quando o devedor descumprir decisão judicial que ordene o pagamento da dívida e tente fugir da obrigação; mesmo assim, ele poderá contestar a medida dentro do próprio processo.

Quando a CNH for necessária para o trabalho do devedor, pode haver recolhimento?

A decisão do STJ deixa claro que quando a condução de veículos é fonte de sustento do devedor, “a possibilidade de impugnação [contestação] da decisão é certa”, numa indicação de que a retenção, nesse caso, se torna muito difícil de ocorrer.

Nessa situação, a retenção da CNH seria contraproducente, porque impediria a pessoa de obter renda inclusive para pagar a dívida. A retenção, num caso desses, deveria ser ainda melhor justificada, demonstrando que a pessoa usa o documento para evitar pagar a dívida, por exemplo.

O entendimento do STJ pode cair?

Sim. Já tramita desde maio no STF uma ação que visa proibir os juízes de apreender CNH ou passaporte com o objetivo de forçar o pagamento da dívida. A ação também quer derrubar decisões em que magistrados vetam a inscrição de devedores em concursos e licitações.

A decisão caberá ao plenário da Corte, formado por 11 ministros – ainda não há previsão, porém, de data para o julgamento. O relator da ação, Luiz Fux, já pediu a opinião de diversos órgãos sobre o assunto e caberá a ele, após receber os pareceres, liberar a ação para decisão.

Fonte: G1

Mais Novidades

25 SET
Suíça proíbe venda de carros da Volkswagen afetados por escândalo

Suíça proíbe venda de carros da Volkswagen afetados por escândalo

A Suíça anunciou nesta sexta-feira (25) a proibição das vendas no país de veículos novos da fabricante alemã Volkswagen que possam ter motores a diesel equipados com o software de manipulação de emissões de poluentes utilizado pela companhia, um escândalo que provocou a renúncia do presidente do grupo.   ESCÂNDALO NA VW Volkswagen é acusada de fraudar testes cronologia do caso ... Leia mais
25 SET

Bolsas na Europa fecham em alta; Volkswagen cai novamente

O principal índice europeu de ações fechou em alta nesta sexta-feira (25), após testar as mínimas em 2015 na sessão anterior, diante de menores preocupações com a economia global e da desaceleração da queda do setor automotivo. Mas o papel da Volkswagen, montadora no centro de um escândalo que subtraiu mais de € 30 bilhões do valor de mercado do setor, continuou a sofrer, à medida que detalhes emergem sobre como a maior companhia do setor automotivo europeu fraudou testes de... Leia mais
25 SET
Diretor-geral da Porsche é o novo presidente da Volkswagen

Diretor-geral da Porsche é o novo presidente da Volkswagen

O diretor-geral da Porsche, Matthias Müller, é o novo presidente-executivo da Volkswagen. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (25), dois dias após a renúncia de Martin Winterkorn, em meio ao escândalo da fraude de dados de emissões de poluentes. "Minha tarefa mais urgente será recuperar a confiança para o Grupo Volkswagen" Matthias Müller, novo CEO da Volkswagen "Minha tarefa mais urgente será recuperar a confiança para o Grupo Volkswagen sem deixar nenhuma pedra... Leia mais
25 SET
Após fraude da Volkswagen, EUA farão novo teste contra manipulação

Após fraude da Volkswagen, EUA farão novo teste contra manipulação

A agência ambiental dos Estados Unidos (EPA) afirmou nesta sexta-feira (24) que está notificando as montadoras que vendem carros no país de que vai aumentar a vigilância sobre dados de emissão de poluentes de novos modelos. Uma das medidas será testar, de forma aleatória, carros na rua e na estrada, para ver se os níveis de emissão batem com os oficiais.   ESCÂNDALO NA VW Volkswagen é acusada de fraudar testes ... Leia mais
24 SET
Bolsas europeias fecham em queda com escândalo da Volkswagen

Bolsas europeias fecham em queda com escândalo da Volkswagen

O principal índice europeu de ações fechou em baixa nesta quinta-feira (24), com investidores nervosos em relação aos riscos à recuperação econômica da região provenientes do escândalo sobre emissões na Volkswagen O índice FTSEurofirst 300 teve queda de 2,11%, a 1.337 pontos, menor nível desde o início de janeiro. As quedas deixaram os índices europeus perto de suas mínimas em 2015 e aconteceram em meio às perdas em Wall Street devido a preocupações com o crescimento... Leia mais
24 SET
Revista alemã diz que carro da BMW não tem indício de manipulação

Revista alemã diz que carro da BMW não tem indício de manipulação

A revista alemã "Auto Bild" publicou na tarde desta quinta-feira (24), em seu site, que não há indícios de que o BMW X3 xDrive 20d seja um novo caso de fraude em dados sobre poluentes, apesar de ter divulgado mais cedo que, em teste, o utilitário a diesel excedeu os limites de emissões da União Europeia. Em um novo texto, intitulado "Não há indício de manipulação na BMW", a "Auto Bild" esclarece que teve acesso a dados do Conselho Internacional De Transporte Limpo (ICCT, na... Leia mais