Novidades

16 MAI

Grandes Comparativos: Fittipaldi e Chapman testam 6 carros nacionais

Emerson Fittipaldi e Colin Chapman: os campeões testaram seis carros brasileiros: Puma, Opala S, VW TL, Charger RT, Corcel GT e o Landau (Jorge Butsuem/Quatro Rodas)

A cena se tornaria clássica na Fórmula 1: sempre que Emerson Fittipaldi recebia a bandeirada final em primeiro lugar, Colin Chapman, o chefão da Lotus, à beira da pista, jogava o boné para o alto em um gesto de comemoração.

Das 14 vitórias conquistadas na categoria, Emerson festejou nove com o dono da Lotus (as outras foram na McLaren).

Poucas duplas de piloto e dirigente da F-1 personificaram tão bem a sintonia existente entre Emerson e Chapman, que morreu em 1982.

Apesar desse entrosamento que conduziu o brasileiro ao título de 1972, nem sempre eles concordavam em tudo.

QUATRO RODAS comprovou isso em março de 1971, quando os convidou para avaliar seis carros nacionais no autódromo de Interlagos: Ford Corcel GT, Dodge Charger R/T, Ford LTD Landau, Puma 1800, Chevrolet Opala SS e Volks TL.

Dentro e fora dos carros, os dois comentaram todos os detalhes (Jorge Butsuem/Quatro Rodas)

Ao assumir o volante do Corcel GT, o todo-poderoso da Lotus fez elogios: “Linhas razoáveis e boa distribuição de espaço interno”.

Bastou passar um pouco mais de tempo lá dentro para desaprovar o acabamento, culpando os frisos internos da porta pelo barulho. E foi além: “O motor fica muito na frente, prejudicando o comportamento do Corcel nas curvas”.

Na reta da pista, chegou a 132 km/h, velocidade que caiu para 70 km/h na subida do boxe.

“Falta potência, acho que não vamos chegar nunca”, brincou.

Emerson foi mais generoso. Tirando o motor de 80 cv pouco potente para os 940 kg do carro e os instrumentos do painel de difícil leitura, gostou do conjunto. Elogiou os freios, a estabilidade e a posição de dirigir.

A exemplo do que aconteceria com os demais automóveis, Fittipaldi superou Chapman na velocidade máxima: 142 km/h.

E fez as curvas sempre no limite, corrigindo facilmente a tendência do Corcel de sair de frente.

Ficha técnica

O Charger R/T foi o carro que mais teve pontos em comum no julgamento do futuro campeão e de seu chefe.

O estilo agradou Chapman, que apontou como virtudes o teto rebaixado na traseira e os faróis embutidos.

A crítica veio no fim do retão, a 160 km/h, quando acionou os freios: eram insuficientes para a potência e o bom desempenho do carro.

Por fim, disse que os pedais estavam muito próximos e numa posição elevada: “Em um esportivo, os comandos precisam ser adequados para responder depressa aos movimentos rápidos do motorista”, explicou.

E ambos divergiram sobre o Charger R/T (Jorge Butsuem/Quatro Rodas)

Ao contrário de Chapman, Fittipaldi só usou os freios 100 metros antes da curva, no fim da maior reta de Interlagos.

No miolo do antigo traçado do autódromo paulista, exigiu ainda mais do R/T. Gostou do que viu – e sentiu.

Nas curvas, não ameaçou sair de frente ou de traseira. No entanto, também fez restrições aos pedais, muito altos e perto uns dos outros, o que dificultava as manobras mais rápidas.

Ficha técnica

Quando notou que o ponteiro do velocímetro do Landau não passaria dos 140 km/h, Chapman não disfarçou a frustração. Esperava melhor desempenho do motor de um carro hidramático e de luxo.

Também não gostou da posição de dirigir e da estabilidade, porque a cada curva o LTD se inclinava demais.

Uma coisa ele não negou: tratava-se de um automóvel excepcionalmente silencioso e confortável. “Além disso, tem o melhor acabamento de todos”, sentenciou.

Emerson repetiu no Landau o comportamento usado nos outros carros: dirigiu sempre em alta velocidade.

Em uma curva, o carro se inclinou tanto que uma das rodas tocou numa saliência, fazendo a calota decolar.

Alcançou 150 km/h e não se contentou: “O motor poderia ser mais potente”, disse.

Aliás, o motor esquentou muito durante as avaliações de Emerson e Chapman, que não acharam isso grave: “O carro não foi feito para correr”, justificaram.

Ficha técnica

Chapman viu o Puma e adorou. Quando foi informado, em seguida, que o motor tinha 1.800 cm³, entusiasmou-se ainda mais.

Ao acelerar, porém, reclamou do elevado nível de ruído: “Deve ser porque o motor fica bem atrás da gente”.

Também não se sentiu confortável para dirigir. “O curso dos pedais é muito longo e o volante fica alto demais”, disse.

Embora tenha elogiado a estabilidade e a eficiência dos freios, decepcionou-se um pouco com o desempenho. “Ele merecia mais”.

O pupilo aprovou o “toque agressivo” das rodas de magnésio aro 14.

Como Chapman, Emerson incomodou-se com o volante muito alto e enalteceu a estabilidade: “O Puma é firme como uma rocha”.

Piloto e dirigente gostaram do Puma (Jorge Butsuem/Quatro Rodas)

O esportivo chegou a 190 km/h, mas os freios não convenceram o piloto, porque não eram progressivos como deveriam.

Ficha técnica

O Opala SS foi o responsável por um susto em Chapman. Com facilidade, atingiu 170 km/h no fim da reta.

Pisou no freio antes da curva, mas o sistema não respondeu.

Os freios falharam e só começaram a funcionar novamente depois das várias tentativas. “Pode ter sido algum problema de ajuste na montagem dos freios”, afirmou.

Apesar disso, Chapman gostou e disse que, se fosse comprar um carro no Brasil, escolheria o Opala 4100.

“Ele acelera bem, é macio, veloz e estável”.

O desempenho esportivo do Opala chamou a atenção de Fittipaldi, que o levou a 180 km/h.

Ao ser tão exigido, o SS revelou alto nível de ruído. “Ele também poderia ser mais baixo e ter rodas mais largas”, disse. Emerson achou as linhas antiquadas.

E fez uma observação curiosa: “Um carro com esse desempenho deveria ter duas e não quatro portas.

As faixas pretas pintadas nas laterais e no cofre do motor dão um jeito agressivo que não combinam com as quatro portas”.

Ficha técnica

Antes de entrar no Volks TL, Chapman achou o carro alto e desajeitado. Por isso, se impressionou com a estabilidade e os freios.

Emerson e Chapman exigiram muito dos carros nacionais (Jorge Butsuem/Quatro Rodas)

Já o acabamento não mereceu os mesmos elogios: “Deveria ser melhor, pois não está de acordo com o padrão internacional da Volkswagen, muito cuidadosa nesse aspecto”.

Apesar de criticar o estilo e o desempenho do TL, Emerson elogiou a direção e a confortável posição de dirigir.

Também achou que o motor ficou devendo: “Com dois carburadores, o carro deveria arrancar melhor e correr muito mais”.

Correr… Como se viu no ano seguinte, quando ganhou seu primeiro título mundial, Emerson só pensava nisso.

Ficha técnica

 

Capa do teste em março de 1971 (Jorge Butsuem/Quatro Rodas)

Para Emerson, o melhor carro foi o Dodge Charger RT, que ele elogiou pelas linhas modernas, pelo conforto e bom desempenho.

Também gostou muito do Puma, principalmente pela beleza e estabilidade. (…) Só não gostou dos pedais por achar que são muito longos.

Colin Chapman gostou do Opala SS de 4.100 cm³ e disse que, se tivesse de comprar um carro no Brasil, escolheria esse, por seu estilo simpático e bom desempenho.

O segundo que ele mais gostou foi o Galaxie LTD Landau, porém achou que ele poderia ter desempenho melhor. Mas elogiou seu luxo e desempenho.”

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

25 MAR

Hyundai Palisade, SUV V6 de 295 cv que leva até 8, é flagrado no Brasil

Hyundai Palisade já está em circulação no Brasil (Thiago Rodrigues/Quatro Rodas)O Hyundai Palisade foi revelado nos Estados Unidos em novembro de 2018, mas já está em testes no Brasil. O leitor Thiago Rodrigues flagrou o modelo camuflado em São Paulo (SP).Principal estrela dos sul-coreanos no Salão de Los Angeles, nos EUA, o SUV tem oito lugares e itens como bancos com rebatimento elétrico e até intercomunicador para passageiros.Motor V6 3.8 tem 295 cv de... Leia mais
25 MAR

Ferrari cria outro superesportivo que só terá uma unidade produzida

A Ferrari parece ter gostado de criar séries exclusivas de apenas uma unidade de seus esportivos – o chamado departamento “one-off”. A mais recente novidade é a P80/C, apresentada nesta segunda-feira (25). O supercarro foi criado pelo Ferrari Stylling Center, em parceria com o próprio cliente, que obviamente não teve a identidade revelada. A marca se limitou a dizer que o futuro dono é “um grande conhecedor do mundo da Ferrari, vem de uma família de entusiastas e... Leia mais
25 MAR

Depois de 23 anos, Fiat terá que indenizar donos de Tipo que pegaram fogo

Depois de 23 anos, proprietários de Fiat Tipo que pegaram fogo finalmente poderão receber a indenização da fabricante italiana. Isso porque a Fiat não poderá mais recorrer em uma ação civil pública movida ainda em 1996 pela Associação de Consumidores de Automóveis e Vítimas de incêndio do Tipo, a Avitipo. A ação foi iniciada pouco tempo depois de várias unidades do modelo pegarem fogo de forma espontânea nos anos 1990. Na época, o hatch médio era um dos modelos... Leia mais
25 MAR

Quarta geração do Jeep Wrangler está em pré-venda por até R$ 274.990

Jeep Wrangler conta, agora, com a opção de tração integral permanente (Divulgação/Jeep)No último Salão do Automóvel de São Paulo do ano passado, a Jeep apresentou duas novidades para este ano. A primeira, foi o Renegade Willys, uma homenagem à marca precursora dos primeiros Jeep. A segunda se refere à chegada da nova geração do Wrangler.Este mês, o grupo FCA anunciou que o jipe já está disponível para reserva, oferecido inicialmente na versão Sahara com duas ou quatro... Leia mais
25 MAR

Kawasaki Ninja ZX-6R chega renovada ao Brasil por R$ 49.990

A Kawasaki ZX-6R vai chegar às concessionários do Brasil a partir da 1ª quinzena de abril por R$ 49.990. O modelo 2020 mantém a base anterior, mas com visual repaginado e ajuste na mecânica. VÍDEO: Saiba como anda a Ninja 400Motos 2019: veja 25 lançamentos esperados A moto continua com o motor de 4 cilindros e 636 cc de cilindrada, que chega a 136 cavalos de potência máxima a 13.500 rpm - 136 cv com RAM air. Em comparação à versão anterior, a Ninja ZX-6R perdeu 1... Leia mais
25 MAR

Vai um hot rod de mais de R$ 100 mil? Oficina em SP é especialista neles

Fã de Boyd Coddington, o brasileiro Donizete Costalonga já construiu mais de 50 hot rods (Alexandre Battibugli/Quatro Rodas)Todo adolescente tem o seu grande herói. Na maioria das vezes, um personagem de história em quadrinhos ou de um filme que toma conta do nosso imaginário. Mas para Donizete Costalonga, construtor de hot rods, hoje com 48 anos, o herói de infância foi Boyd Cod-dington, considerado por muitos como o rei desse tipo de automóvel.Costalonga só não imaginava que, anos... Leia mais