Novidades

11 MAI

Maio Amarelo: um mês dedicado à conscientização no trânsito

Blitz antiálcool: após a Lei Seca, há mais gente que bebe e dirige (Acervo/Quatro Rodas)

Em uma polêmica recente, Valentino Rossi, uma lenda da motovelocidade, disse que não se sentia seguro em estar na mesma pista com o rival Marc Márquez.

Rossi acusava o espanhol de tirá-lo da pista de propósito. Ainda bem que Rossi não pilota pelas ruas brasileiras, senão já teria desistido da sua moto.

Principalmente porque os motoristas brasileiros se comportam de um modo que deixaria o italiano de cabelos em pé.

Entre gente alcoolizada, imprudente, que fala ou escreve ao celular, dirige com sono ou anda acima da velocidade, a taxa de acidentes causados diretamente pelo jeito como dirigimos chega a quase 65%, segundo dados do Programa Volvo de Segurança no Trânsito (PVST).

Ou seja 65% dos acidentes seriam facilmente evitáveis se os brasileiros dirigissem responsavelmente.

É por isso que o movimento Maio Amarelo, um mês inteiro de conscientização sobre o trânsito, é tão importante para o país.

QUATRO RODAS não poderia deixar de dar todo o apoio possível para tornar mais seguro um dos trânsitos que mais matam no mundo.

Campanha de conscientização do maio amarelo (Divulgação/Divulgação)

Realizado em 27 países, o Maio Amarelo é promovido no Brasil pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), que este ano tem apoio da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

O ONSV começou sua campanha em 2013, mobilizando imprensa, fabricantes, governo e sociedade em torno da segurança no trânsito.

A abordagem é semelhante à adotada por órgãos de saúde na promoção de meses de prevenção de doenças, como o Outubro Rosa, contra o câncer de mama, o Dezembro Vermelho, contra a disseminação da Aids.

Como nestes movimentos, o Maio Amarelo também usa um laço como símbolo, mas amarelo.

O ONSV escolheu esse mês por ter sido em 11 de maio de 2011 que a Organização das Nações Unidas (ONU) decidiu que esta seria a Década de Ação para Segurança no Trânsito.

Em 2016, 35.708 pessoas morreram nas rodovias brasileiras. É quase uma Guerra no Golfo, que matou cerca de 40.000 pessoas (Maio Amarelo/Divulgação)

A cor simboliza a necessidade de atenção ao problema.Vale lembrar que, ao lado de doenças cardiocirculatórias e de câncer, acidentes são uma das principais causas de mortes no Brasil.

Claro que evoluímos de lá para cá. Desde 2012, o número de mortes nas rodovias brasileiras tem diminuído.

Caiu de 46.051 em 2012, ano mais sangrento dos últimos dez anos, para 35.708 em 2016, segundo dados preliminares do DataSUS.

É uma redução de 22,5%, mas ainda assim o número atual é alarmante.

Só para entender o que significa isso, a Guerra do Golfo (1990 a 1991) matou cerca de 40.000 pessoas. Assim, quando se diz que o Brasil vive uma guerra no trânsito, não é exagero.

Só na semana entre Natal e Ano-Novo de 2017, morreram mais pessoas em acidentes de carro por aqui do que em um ano inteiro na Suécia (cerca de 300).

Com uma população de 127 milhões e uma frota de quase 61 milhões de carros, o Japão perdeu em acidentes pouco menos de 3.700 vidas em 2017. Os exemplos destes dois países mostram o quanto ainda temos a avançar.

A amostragem do PVST, feita apenas com dados de rodovias federais, considerados os mais confiáveis pelo programa, mostra que, das muitas causas de acidentes mapeados, as derivadas do comportamento dos motoristas são as mais letais.

Exemplo disso são ultrapassagens indevidas.

Apesar de serem responsáveis por 2,41% dos acidentes, elas são causadoras de 7,97% das mortes.

Rodar em velocidade incompatível foi a fonte de 12,79% dos acidentes, mas de 14,29% das mortes.

Rodar em velocidade incompatível foi a fonte de 12,79% dos acidentes (Christian Castanho/Quatro Rodas)

O PVST até faz um cálculo próprio sobre as causas. “Quando avaliado o que chamamos de Índice Médio de Gravidade, a causa mais letal foi a ultrapassagem indevida (6,9), seguida pela desobediência à sinalização (5,0). Isso evidencia que a imprudência ao volante e comportamentos inadequados ainda são as principais causas dos acidentes”, diz Anaelse Oliveira, coordenadora do PVST.

Ainda há muito chão para coibir as más atitudes ao volante, mesmo com legislação específica para isso, como a Lei Seca. Sancionada em 2008, ela tem resultados controversos.

Apesar de teoricamente impedir que motoristas embriagados dirijam, a falta de consistência na fiscalização fez com que mais gente admitisse beber e dirigir de 2015 para 2016, por exemplo.

Enquanto 5,5% da população das capitais confessavam que bebiam e dirigiam em 2015, esse índice subiu para 7,3% em 2016. Pode parecer pouco, mas foi um aumento de 32%.

Enquanto 5,5% da população das capitais confessavam que bebiam e dirigiam em 2015, esse índice subiu para 7,3% em 2016 (Roberto Setton/Quatro Rodas)

Os dados do Vigitel Brasil (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), do Ministério da Saúde, também revelam algo estarrecedor: pessoas com 12 ou mais anos de estudo são as mais propensas a beber e dirigir.

Entre elas, 12,3% admitiram que contrariam a lei.

É evidente que o índice de fatalidade é preocupante, mas não são apenas as mortes que precisam ser reduzidas. Outra consequência negativa é o número de feridos e inválidos que o trânsito produz.

Segundo estudo da Escola Nacional de Seguros (ENS) de 2015, dados do DPVAT indicariam que 52.226 pessoas morreram em decorrência de acidentes.

Esses dados do DPVAT apontam que, para os 52.226 mortos em 2014, houve 595.693 inválidos permanentes e 115.446 feridos que se recuperaram completamente.

Isso dá, apenas em 2014, um total de 763.365 pessoas afetadas diretamente pela violência no trânsito.

O estudo da ENS também aponta que os acidentes em 2014 deram um prejuízo de R$ 220 bilhões, algo como 4% do PIB.

Para ter dimensão do que isso representa, o rombo da Previdência em 2017 foi estimado em R$ 269 bilhões.

Com o que poderíamos ter poupado nos acidentes, daria para cobrir boa parte do desequilíbrio no pagamento de aposentadorias. Além de ser uma barbárie, a violência no trânsito mostra também que é um péssimo negócio para o país.

Não bastasse isso, o Brasil ainda sofre com estatísticas pouco confiáveis. As 52.226 pessoas que morreram de acordo com o DPVAT, por exemplo, são bem diferentes de outra fonte oficial do próprio governo: o DataSUS indica 44.823 mortes.

E não custa lembrar que toda essa tragédia deve estar subdimensionada, pois o que sabemos hoje pode ser um retrato apenas parcial da realidade.

O fato de o PVST só lidar com mortes em estradas federais ou de termos apenas informações já muito antigas, diz muito sobre nossa deficiência em ter dados precisos e de modo rápido.

O DataSUS dispõe apenas de números preliminares sobre 2016.

E nada há ainda sobre 2017 – no Japão, os dados oficiais de 2017 já estão disponíveis há algum tempo.

Tudo isso é um problema quando se sabe que todos esses dados são usados para criar estratégias para reduzir acidentes de trânsito.

Como se pode notar, o quadro é grave e os meios de diagnóstico são falhos, ainda que não escondam que é preciso tomar medidas urgentes para remediar a situação. Talvez devêssemos ter mais que só um mês de reflexão, mas o ano inteiro.

Para ficar amarelos de medo por circular em pistas onde Valentino Rossi não se arriscaria a colocar os pés.

E vermelhos de vergonha por termos deixado a coisa chegar a esse ponto. Sempre é tempo de corrigir.

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

12 SET
O homem que constrói sozinho carrinhos a pedal de até R$ 40.000

O homem que constrói sozinho carrinhos a pedal de até R$ 40.000

Ronaldo com um dos seus xodós: a Ferrari American Retro Race da década de 60 (Fernando Pires/Quatro Rodas)Executivo de uma grande empresa de soluções de impressão 3D, Ronaldo Prado, 53 anos, é um apaixonado por carros. Seu trabalho consiste em tirar do papel criações da indústria automotiva e transformá-las em realidade. “Aqui fazemos protótipos de modelos que serão lançados daqui a cinco anos”, explica ele. Mas seu hobby são veículos bem menores e mais antigos do que está... Leia mais
12 SET
Hyundai divulga primeira imagem do novo HB20S, a versão sedã do HB20

Hyundai divulga primeira imagem do novo HB20S, a versão sedã do HB20

A Hyundai divulgou nesta quinta-feira (12) a primeira imagem do HB20S, a versão sedã do HB20. A segunda geração da "família" vai ser apresentada na próxima segunda (16). A frente dos dois modelos já foi revelada na semana passada. Como ficou o HB20 hatch: FOTOS;Onix também muda; veja nova cara do hatch e do sedã Por ora, a única informação divulgada sobre o novo HB20S é que ele terá um porta-malas maior que a versão anterior, passando de 450 para 475 litros, com... Leia mais
12 SET
Chevrolet Onix Plus: confira todas as versões, equipamentos e preços

Chevrolet Onix Plus: confira todas as versões, equipamentos e preços

– (Divulgação/Chevrolet)O novo Chevrolet Onix Plus foi apresentado hoje, mas preços e lista de equipamentos ainda não tinham sido divulgados pela marca. Quer dizer… Até agora, porque QUATRO RODAS descobriu todos os detalhes do sedã.Diferentemente do hatch, que terá motor 1.0 aspirado nas versões de entrada, o três volumes será oferecido apenas com o novo motor 1.0 turbo flex, também com três cilindros, capaz de render até 116 cv e 16,8 mkgf com... Leia mais
12 SET
Chevrolet Onix Plus tem gabarita Latin NCAP antes das normas mais rígidas

Chevrolet Onix Plus tem gabarita Latin NCAP antes das normas mais rígidas

O Onix Plus sedã foi testado duas semanas antes da divulgação dos resultados (Latin NCAP/Divulgação)O Onix Plus sedã foi testado duas semanas antes da divulgação dos resultados (Latin NCAP/Divulgação)A Chevrolet foi uma das marcas que correram para aproveitar o procolo atual do Latin NCAP, menos rigoroso do que as normas confirmadas para estrearem em janeiro de 2020.A marca patrocinou o teste do sedã Onix Plus junto à entidade, e conseguiu obter a nota de cinco estrelas para... Leia mais
12 SET
Este é o novo Chevrolet Onix hatch, e ele parte de R$ 51.590

Este é o novo Chevrolet Onix hatch, e ele parte de R$ 51.590

 (Divulgação/Chevrolet)– (Divulgação/Chevrolet)Conforme antecipado por QUATRO RODAS na semana passada, a GM revela nesta quinta-feira (12) não apenas o Chevrolet Onix Plus, sedã que substitui o Prisma (e cujo nome foi revelado em primeira mão por nossa reportagem).Apresenta também a segunda geração do Onix hatch, embora esta demore um pouco mais para chegar às lojas.– (Leonardo Felix/Quatro Rodas)Onix LT 1.0 aspirado manual (hatch): R$ 51.590; Onix LTZ AT 1.0 turbo automático... Leia mais
12 SET
Honda CG 160 2020 chega às lojas; veja os preços

Honda CG 160 2020 chega às lojas; veja os preços

A Honda CG 160 2020 chegou às concessionárias da marca no Brasil mantendo o mesmo conjunto da linha 2019. Como novidades, a moto mais vendida do Brasil ganhou apenas novas cores e grafismos. Motos 2019: veja 20 modelos esperados até o fim do ano Veja os preços da CG 2020: CG 160 Start: R$ 8.990 (custava R$ 8.432)CG 160 Fan: R$ 9.990 (custava R$ 9.990)CG 160 Titan: R$ 11.090 (custava R$ 10.752 Novas cores e grafismos Topo de linha, a CG 160 Titan ganhou novos grafismos,... Leia mais