Ele tem o porte de um SUV como o Nissan Kicks (João Mantovani/Quatro Rodas) O uso de carros elétricos no Brasil ainda vive o estágio experimental. Mas não está longe o dia em que eles serão vistos com frequência nas ruas de nossos centros urbanos. Apesar das dificuldades já conhecidas, como os custos elevados e a falta de infraestrutura, o lançamento do novo Chevrolet Bolt EV, modelo 100% elétrico, dará grande impulso nesse sentido. Neste momento, a GM trabalha nos preparativos para a chegada do carro ao Brasil, que deve ocorrer em 2019. A unidade que aparece nas fotos é uma das que a empresa trouxe para avaliações. A GM global baseia sua estratégia de futuro em três pilares – eletricidade, conectividade e compartilhamento – e a filial brasileira está seguindo à risca essas diretrizes. O torque de 36,8 mkgf garante agilidade (João Mantovani/Quatro Rodas) O Bolt foi lançado nos EUA no início de 2017 e já tem planos ousados para o Brasil – recentemente o presidente da GM Mercosul, Carlos Zarlenga, declarou que não se surpreenderia ao ver o Bolt sendo fabricado no Brasil nos próximos dez anos. Não custa lembrar que a marca foi pioneira na oferta de centrais multimídia nos segmentos de entrada no país e que iniciará neste ano a operação comercial de sua subsidiária de compartilhamento de veículos, a Maven. Criada em janeiro de 2016, nos EUA, a Maven atua experimentalmente por aqui desde junho de 2016 – o Brasil é o primeiro lugar em que a empresa se instalou fora do país-sede. Distância entre-eixo mede 3,1 metros (João Mantovani/Quatro Rodas) O Bolt EV é apenas a parte mais visível dos planos da GM para pavimentar as estradas dos elétricos no Brasil. Seus porta-vozes ainda não falam claramente como o carro será oferecido no mercado nacional. Esse é o tipo de coisa que ainda está em estudos, segundo eles. Mas se a fábrica replicar aqui o modelo de negócios americano, o Bolt EV será vendido e também alugado pela Maven, sistema este que resolverá o problema do custo de propriedade do veículo, uma vez que o motorista poderá usar o Bolt sem precisar comprá-lo. Nos EUA, o Bolt tem preço básico de US$ 37.500, e pode ser alugado por US$ 8/hora. Por aqui, baseado nesses valores e considerando câmbio, custos de transporte, margens e impostos, poderíamos estimar que ele custaria cerca de R$ 250.000 (o BMW i3 parte de R$ 159.950). Mas, com mudanças no conteúdo e nos impostos (se o governo reduzir a carga dos veículos híbridos e elétricos, como esperam os fabricantes), o preço pode cair. Baterias sob o piso liberam espaço na cabine (João Mantovani/Quatro Rodas) No que diz respeito ao aluguel, temos a referência do valor cobrado pela Maven em relação ao Cruze, que é de R$ 35/hora (na atual fase experimental, os carros da Maven são alugados só para os funcionários da GM). A locação se dá por meio de aplicativo, via celular, igual ao que já ocorre hoje com as bicicletas compartilhadas que vemos em diversas cidades brasileiras. O motorista só precisa baixar o aplicativo, escolher o local para a retirada (o mesmo de devolução) e o veículo preferido. Cabine comporta 5 pessoa (João Mantovani/Quatro Rodas) Lá fora, a Maven disponibiliza diferentes tipos de automóveis das linhas da GM, em quatro categorias: Eco (Bolt, Volt), Compact (Spark, Cruze), Sedan (Malibu, Buick Regal) e SUV (Cadillac Escalade, GMC Yukon). As portas dos carros são destravadas pelo celular (as chaves se encontram no interior do veículo) e a taxa de aluguel já inclui seguro, combustível e os serviços do sistema de monitoramento OnStar, também disponível no Brasil. Chevrolet Bolt EVO banco traseiro bipartido é item de série (João Mantovani/Quatro Rodas) A GM nos deu apenas um dia para rodar com o Bolt. Apesar das baterias carregadas – o que, segundo o EPA (a versão americana da nossa Cetesb), dá para rodar 383 km –, iniciamos o test-drive preocupados com a autonomia. Se a ideia fosse experimentar o carro apenas na cidade, não haveria dúvidas. Mas nossa vontade era rodar com o Bolt na cidade e ainda levá-lo para um teste exclusivo na nossa pista de testes de Limeira (SP), a cerca de 200 km da fábrica da GM em São Caetano do Sul (SP). A solução encontrada foi mandar o carro para a pista em um guincho plataforma. A escassez de pontos de recarga é um problema. Mas o motorista consegue administrar a situação abastecendo em casa. Nos EUA, o Bolt traz um carregador para conexão em tomada industrial (240 volt/32 ampere) que, de acordo com a fábrica, carrega em uma hora a energia suficiente para rodar 40 km. Carregador de uso doméstico é item de série (João Mantovani/Quatro Rodas) E há ainda um kit opcional de carga rápida (de corrente contínua) que permite abastecer o necessário para rodar 144 km em apenas 30 minutos. O Bolt tem baterias de lítio com capacidade de 60 kWh. São 288 células agrupadas em três conjuntos instalados sob o piso da cabine. O motor e a tração são dianteiros. Refrigeração do motor de 150 kW (200 cv) se dá pela parte inferior do para-choque dianteiro (João Mantovani/Quatro Rodas) Mesmo tendo dirigido outros carros elétricos, não deixei de estranhar o silêncio assim que apertei o botão de partida e a palavra Ready (pronto) surgiu na tela central, enquanto o funcionário da GM sentado a meu lado me olhava. Fingindo familiaridade, destravei o freio, pisei no acelerador e o carro arrancou. O Bolt tem duas telas. A menor, de 8 polegadas, fica em frente ao volante e, além da velocidade e das informações do computador de bordo, traz um indicador da quantidade de carga nas baterias e a autonomia com estimativa de alcances mínimo e máximo, em razão das condições de uso. Além da velocidade, o painel mostra autonomia, consumo instantâneo e luzes dos sistemas de segurança (João Mantovani/Quatro Rodas) A maior, de 10,2, abriga a central multimídia (sistema de som, GPS, ar-condicionado) e um aplicativo com o histórico do consumo desde o último carregamento, com informações de como a energia foi consumida (em função de rodagem, climatização da cabine, uso de acessórios e refrigeração da bateria). Central multimídia tem sistema que informa o quanto e como a energia das baterias foi consumida (João Mantovani/Quatro Rodas) Há ainda um placar indicando qual o peso tiveram no rendimento do carro o modo de dirigir do motorista, as condições do terreno (relevo) e o clima (chuva e temperatura). Saí da fábrica com 340 km de autonomia, mas, antes de seguir para Limeira, na plataforma, rodei por São Caetano do Sul, junto com o fotógrafo, para a produção das fotos mostradas aqui, aproveitando para ter as primeiras impressões ao dirigir. No trânsito, me esqueci rapidamente que o Bolt era elétrico. Subi, desci, virei à esquerda, à direita, mudei de faixa e ultrapassei (com 200 cv de potência e 36,9 mkgf de torque, o Bolt responde prontamente), tudo como se estivesse a bordo de um veículo comum. Visão 360 graus é item de série (João Mantovani/Quatro Rodas) Em movimento, a ausência de ruídos e vibrações não é total porque ainda existem partes mecânicas na transmissão da força do motor às rodas. E o motor produz um som parecido com o dos trens de metrô quando se freia regenerando energia. Além disso, ouve-se o barulho dos pneus em contato com o asfalto e do vento lambendo a carroceria. O Bolt recebe bem seus convidados. A posição de dirigir é correta, o painel tem detalhes brancos que dão leveza ao ambiente e o espaço interno é amplo para cinco ocupantes. Além do piso plano, quem viaja atrás encontra boa distância para as pernas e assentos mais altos que os da dianteira, produzindo efeito de auditório. No porta-malas cabem 478 litros e o espaço é dividido em dois níveis por uma base de material sólido mas leve. O tampão é uma tela e não há estepe – seus pneus são do tipo autosselante. A direção elétrica é leve e precisa, mas a suspensão vai necessitar de ajustes para rodar nas condições brasileiras. A começar pela altura. Às vezes, o Bolt raspa a dianteira e o piso ao passar por lombadas. Em relação à calibragem, ela é firme, no que a princípio não há nada de errado, mas os pneus verdes (de baixa resistência ao rolamento) nos pareceram duros demais. O Bolt tem dois pedais (freio e acelerador) e uma alavanca de câmbio (P-R-N-D-L), como outros carros automáticos. Mas, ao contrário dos modelos comuns, o motorista pode dirigi-lo usando apenas um pedal, o acelerador, se valendo do freio eletrônico, acionado por meio de uma tecla atrás do volante, do lado esquerdo. A posição L do câmbio propicia uma atuação ainda mais presente do freio (João Mantovani/Quatro Rodas) Optando por esse modo, o reaproveitamento de energia pelo sistema regenerativo é maior porque as frenagens ocorrem de modo gradual. Para quem busca ainda mais economia, a posição L do câmbio (que aqui não significa marcha reduzida) propicia uma atuação ainda mais presente do freio. Nessa posição, o Bolt começa a parar assim que o motorista alivia o pé do acelerador. Se precisar frear rapidamente, o condutor pode acionar o pedal do freio a qualquer momento, deixando o aproveitamento de energia em segundo plano. A GM não informa quanto é a economia de energia nas frenagens eletrônicas. Tomada de recarga fica na lateral do carro (João Mantovani/Quatro Rodas) Na pista de testes, como em todo carro elétrico, não fizemos medições de consumo. Mas, segundo o EPA, que avaliou o carro e usa uma unidade de medida própria para aferir consumo de carros elétricos (baseada na energia contida na gasolina), o Bolt faz a média de 119 mpg-e (milhas por galão equivalente), o que corresponde a 50 km/l, no ciclo misto. É uma ótima marca, superior à do Nissan Leaf (que faz 42 km/l) e que fica ainda melhor quando se conhece os números de desempenho. Em Limeira, o Bolt EV foi de 0 a 100 km/h em 7,5 segundos (a fábrica divulga 0 a 60 mph em 6,5 segundos). É o mesmo que conseguimos com o VW Jetta 2.0 Turbo, de 211 cv. A velocidade máxima é limitada eletronicamente a 148 km. Durante o teste, por meio do indicador de consumo instantâneo, foi possível observar quanto o Bolt gastava em cada regime e quanto o sistema devolvia nas frenagens e desacelerações. Em ponto morto, o consumo é de 1 kW. Em velocidade constante de 50 km/h, sobe para 5 kW. A 100 km/h, é de 15 kW. Nas arrancadas de 0 a 100 km/h, chega a 160 kW. A 148 km/h (depois que a velocidade estabiliza no limite), o consumo fica em 36 kW. Já nas frenagens, de 60 km/h a 0, o retorno chega a 19 kW, e no 100 km/h a 0, é de 37 kW. Retrovisor, que é espelho e câmera de ré, é item de série (João Mantovani/Quatro Rodas) Na chegada à pista, ao descer da plataforma, o Bolt tinha autonomia de 312 km e ao fim do teste ficou em 184 km. Era insuficiente para voltar de Limeira a São Caetano do Sul, mas ainda assim é uma bela reserva, considerando que no teste o carro foi bastante exigido. Deu para ver que uma pessoa que rode cerca de 50 km por dia consegue usar o Bolt durante toda a semana sem precisar recarregar. O Bolt chama a atenção com seu visual incomum, com a grade dianteira fechada, o vinco lateral ascendente e as lanternas traseiras de três dimensões. A versão testada é a top, Premier. Traz como itens exclusivos câmera de ré no retrovisor interno, câmeras com visão 360 graus e bancos de couro. Tomadas USB também é um item de série (João Mantovani/Quatro Rodas) Mas, desde a mais simples, LT, ele já conta com dez airbags, central multimídia (com conexão à internet, GPS, comando de voz), radar de detecção de pedestres, piloto automático adaptativo e assistência para mudança involuntária de faixa. Com todos esses recursos de segurança, o Bolt está a um passo de se tornar autônomo. Recentemente, a GM global anunciou investimentos nessa direção. Mas isso é assunto para um próximo teste.
Fonte:
Quatro Rodas



Aluguel por horas



Silêncio na partida


Som de trem de metrô



Usando um só pedal


Direção autônoma


21 FEV
Teste: Chevrolet Bolt EV, elétrico e acessível
Mais Novidades
Hyundai terá de pagar indenização de R$ 1,6 milhão por propagandas
A Hyundai Caoa terá de pagar indenização equivalente a R$ 1,6 milhão por veicular propagandas que foram consideradas “supostamente enganosas” pelo Ministério Público de São Paulo. O montante será pago por meio da doação de 27 veículos do tipo HR furgão, avaliados em R$ 60,5 mil cada. O pagamento resulta de um Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pela montadora junto a Promotoria de Justiça do Consumidor, que considerou as propagandas um dano moral causado. Para reparar...
Leia mais
Dona da Mercedes-Benz e Nissan iniciam obra de fábrica no México
A Daimler, dona da Mercedes-Benz, e a Nissan assentaram nesta quinta-feira (3) a pedra fundamental de uma fábrica conjunta no México. Dali sairá a próxima geração de veículos compactos premium para a Mercedes e a Infiniti, submarca de luxo da Nissan. O negócio resulta de um investimento de US$ 1 bilhão das duas empresas e criará mais de 3.600 empregos diretos até 2020. É mais um projeto da parceria que já existe entre a Mercedes e a aliança Renault-Nissan. Neste ano, elas...
Leia mais
Renault lança outra picape média, que pode ser feita na Argentina
Se antes a Renault não atuava no segmento de picapes, em menos de um ano, a marca terá dois modelos no mercado. Depois de mostrar a Oroch como conceito no Salão de São Paulo, em novembro passado e confirmar o lançamento no Brasil para outubro deste ano, a marca francesa acaba de apresentar o conceito Alaskan. A picape média será um produto global, com lançamento previsto para o primeiro semestre do ano que vem. Ao contrário da Oroch, que tem visual derivado do SUV Duster, a...
Leia mais
Veja os 10 carros e as 10 motos mais vendidos em agosto de 2015
Pela primeira vez em 2015, o Fiat Palio não fechou um mês como o modelo mais vendido do país. O feito, em agosto, coube ao Chevrolet Onix, que alcançou o topo do ranking de vendas da Fenabrave, a associação das concessionárias, pela primeira vez desde que foi lançado. No mês de agosto, foram 10.998 unidades vendidas do GM, contra 9.259 unidades do Palio. No acumulado do ano, porém, a liderança ainda é do hatch da Fiat, com 83.326 unidades, contra 77.513 do Onix. Entre as...
Leia mais
Aston Martin DB9 GT ganha série limitada Bond Edition
A Aston Martin é praticamente a marca oficial de veículos do agente secreto mais famoso do mundo, James Bond. Desde Agora, o personagem fictício britânico acaba de ser homenageado pela também britânica montadora com uma série especial do DB9. Chamado de DB9 GT Bond Edition, o esportivo tem edição limitada de 150 unidades, que comemora os 50 anos da parceria entre a produtora Eon, responsável pelos filmes, e a Aston Martin. A série também celebra o novo filme de 007, Spectre,...
Leia mais
Onix supera Palio em agosto e lidera vendas no Brasil pela 1ª vez
O Chevrolet Onix desbancou o Fiat Palio nos emplacamentos em agosto e liderou pela primeira vez o ranking mensal dos automóveis e comerciais leves mais vendidos no Brasil, segundo dados divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) nesta quarta-feira (2). O compacto da General Motors (GM) atingiu 10.998 unidades. O Palio obteve apenas 9.259 emplacamentos, somando o atual modelo com os da geração antiga (Palio Fire e Novo Palio), assim como...
Leia mais