Novidades

03 AGO
Eficácia do simulador divide opiniões de alunos onde ele é obrigatório

Eficácia do simulador divide opiniões de alunos onde ele é obrigatório

A eficiência do simulador de direção para a formação de motoristas divide opiniões de alunos onde o aparelho é obrigatório. Atualmente, 4 estados exigem que os futuros motoristas passem horas no aparelho durante o processo de tirar a carteira de habilitação: Acre, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Sul. Mas, a partir de 1º de janeiro do ano que vem, o simulador será obrigatório em todo o Brasil.

O G1 ouviu alunos de autoescolas nos estados que já adotam o treino virtual. De acordo com o Conselho Nacional de Trânsito (Contran), das 25 horas de aulas práticas que compõem o processo para tirar a CNH na categoria B (carros), um mínimo de 5 deverá ser cumprida no simulador. Esse treino deve ocorrer antes das aulas no trânsito, que devem somar, no mínimo, 20 horas, sendo 4 noturnas.

A direção é dura, e muitas vezes não obedece o seu comando. A máquina que usei, para engatar a primeira marcha, tinha que tirar todo o pé da embreagem para depois acelerar"
Fernanda Minussi,
que tirou a CNH em Porto Alegre

No Rio Grande do Sul, mais de 1,3 milhão de aulas já foram aplicadas no equipamento. A comerciante Fernanda Minussi, de 30 anos, que recebeu a primeira habilitação em março deste ano, viu poucos benefícios no uso do simulador.

"É igual a um fliperama, desses que tem no shopping. A direção é dura, e muitas vezes não obedece o seu comando. A máquina que usei, para engatar a primeira marcha, tinha que tirar todo o pé da embreagem para depois acelerar", descreveu.

"O único proveito é aprender a colocar o cinto de segurança, arrumar os espelhos, puxar o freio de mão, essas coisas. E sem contar que, se chegar 10 minutos atrasada para aula, a máquina trava e tem que pagar o valor de outra aula e agendar outro dia."

A experiencia é boa pra quem não tem prática porque passa confiança. Há uma diferença entre o simulador e o carro. Tanto que achei muito mais complicado fazer a baliza na vida real"
João Rocha,
aluna de autoescola de Alagoas

A estudante, Carina Menezes, 25 anos, do Acre, diz que a experiência no simulador é interessante para conhecer a parte física do carro, mas não ajuda a ter noção de espaço. "No simulador, podemos até lidar com pistas molhadas, mas não dá para saber que distância preciso manter do outro carro, ou como agir numa situação de direção imprudente. Não se compara a uma aula prática", relatou.

Em Alagoas, o estudante João Rocha, de 18 anos, que passou pelo treinamento no equipamento antes de pegar a direção de um carro de verdade, aprovou o uso da tecnologia. "A experiencia é boa pra quem não tem prática porque passa confiança. No entanto, há uma diferença entre o simulador e o carro. Tanto que achei muito mais complicado fazer a baliza na vida real", disse.

Você sabe que, se bater, não vai ter problema e acaba ficando mais tranquila. Dá pra ter uma noção do carro, mas eu tive muita dificuldade de fazer curva na prática, por exemplo. Diferente do simulador, onde era mais fácil"
Mariana Dutra, que fez aulas na Paraíba

Mariana Dutra, de 22 anos, também estudante, da Paraíba, bateu o "carro" várias vezes, usando o aparelho. “Você sabe que, se bater, não vai ter problema e acaba ficando mais tranquila. Dá pra ter uma noção do carro, mas eu tive muita dificuldade de fazer curva na prática, por exemplo. Diferente do simulador, onde era mais fácil”, comparou.

Para Orlando Soares, diretor de operações do Detran da Paraíba, o aparelho permite que o aluno se veja em situações que dificilmente enfrentará nas aulas que fará no trânsito.

"Como a própria palavra diz, ele simula situações que o aluno não vai passar nas aulas práticas, como chuva, frenagem brusca, animal atravessando a pista e até se o condutor tiver ingerido bebida alcoólica", enumerou. "O candidato que não tinha familiaridade com o veículo já inicia pelo simulador. Em vez de ter o primeiro momento num carro de verdade, tem no simulador. Ele perde até o medo de ir para a rua."

"Para aquelas pessoas que têm mais ansiedade de ir para o trânsito, ele auxilia bastante. É um recurso pedagógico que permite se familiarizar com o veículo, tudo isso dentro de uma condição segura, em um ambiente controlado, supervisionado”, avaliou Letícia Lemos, chefe da divisão de habilitação do Detran-RS.

Ficou mais caro?
Nos 4 estados, o preço para tirar a carteira de habilitação na categoria B aumentou após a obrigatoriedade do simulador.

Em Alagoas, no entanto, o Sindicato dos Centros de Formação de Condutores (CFCs) afirmou que o reajuste se deveu ao aumento da carga horária para tirar a CNH, determinado pelo Contran também em 2014, para todo o país, nessa categoria.

O presidente do Sindicato das Auto Moto Escolas de São Paulo, Aldari Onofre Leite, disse acreditar que a obrigatoriedade do simulador em nível nacional, no ano que vem, não vai gerar aumento no processo para tirar a CNH porque não haverá nova alta na carga horária. "Pode até haver reajustes em janeiro, por outros fatores, como alta de taxas, dissídios que saem no início do ano, mas não pelo simulador", afirmou.

Para o presidente da Associação dos Detrans e diretor do Detran do Paraná, Marcos Traad, em alguns estados pode haver aumento, mas há soluções para amenizá-lo.

"Com certeza, o custo das habilitações aumenta. Já existem modelos de simulador em comodato, ou de aluguel, nos quais se paga pelo uso. Não precisa mais adquirir o equipamento. Com o tempo, os centros de formação se organizarão para uso compartilhado do simulador em espaços comuns. É uma estratégia que o pessoal do Paraná já está fazendo", disse.

O receio de gastos elevados levou as autoescolas de Alagoas a entrar na Justiça contra a obrigatoriedade das aulas virtuais no estado. Em março passado, ao derrubar uma liminar em favor delas, um desembargador concordou com o argumento do Detran-AL de que a aula virtual representaria economia, citando, por exemplo, gastos com combustível nos carros que são usados nas aulas práticas.

No estado, os CFCs também optaram por alugar o equipamento, barateando custos que são repassados aos alunos. Um simulador custa cerca de R$ 40 mil e, em AL, a empresa responsável pelo aluguel dos simuladores cobra uma taxa de R$ 19,90 por hora-aula.

Evolução
"Atualmente, 3 ou 4 empresas já estão fabricando, e outras 2 ou 3 estão tentando se credenciar no Denatran. Com a competição, a indústria vai agregar cada vez mais tecnologia. O uso traz uma melhoria no equipamento, como aconteceu com o celular", afirmou Leite, do Sindautoescola-SP. "Participei dos estudos iniciais com a Universidade Federal de Santa Catarina para formatar o primeiro protótipo, que não tinha 50% do que tem hoje. Agora já tem simulador com movimento do banco, para a direita, para a esquerda, com a força centrifuga da curva."

"Claro que existe uma corrente a favor e outra contra, mas a maioria acredita que vai agregar valor. Se for suficiente para salvar uma vida que seja, acho que já é importante", finalizou.

* Colaboraram G1 Acre, G1 Alagoas, G1 Paraíba e G1 Rio Grande do Sul

 

Fonte: G1

Mais Novidades

26 SET
Citroën Jumpy chega ao Brasil por R$ 79.990

Citroën Jumpy chega ao Brasil por R$ 79.990

  Jumpy é a aposta da PSA para segmento de comerciais leves no Brasil (Divulgação/Citroën) O Citroën Jumpy estreia nas concessionárias em outubro com preços a partir de R$ 79.990. O segmento de comerciais leves faz parte da estratégia de mercado do Grupo PSA para o país. Importado da fábrica de Nordex, no Uruguai, a van vem equipada com câmbio manual de seis marchas e motor 1.6 diesel Blue HDi, que produz potência de 115 cv a... Leia mais
26 SET
Quanto custará o novo Polo com os principais opcionais?

Quanto custará o novo Polo com os principais opcionais?

Polo mais básico tem motor 1.0 aspirado e custa R$ 49.990 (Divulgação/Volkswagen) Os preços do novo Volkswagen Polo são, no mínimo, interessantes. Variam entre R$ 49.990 e R$ 69.190, bem na média de valores cobrados por Hyundai HB20, Fiat Argo e Ford Fiesta. Mas até onde estes valores chegam com todos os pacotes de opcionais? A versão de entrada, Polo 1.0 MPI, parte dos R$ 49.990 e tem ar-condicionado, direção elétrica, vidros... Leia mais
26 SET
Teste do especialista: desengraxantes sem uso de água

Teste do especialista: desengraxantes sem uso de água

Produtos ajudam na remoção de fuligem e óleo sem o uso de água (Paulo Bau/Quatro Rodas) Nem sempre água e sabão são suficientes para limpar as mãos depois de mexer no carro. Nesse caso, uma dica simples pode estar nos desengraxantes vendidos na versão em bisnaga. Para nosso teste, convocamos três das marcas mais conhecidas e levamos ao mecânico Roberto Kussano. “Esses cremes desengraxantes são mais indicados para o uso caseiro... Leia mais
26 SET
Novo Polo e Toyota Corolla recebem 5 estrelas no Latin NCAP

Novo Polo e Toyota Corolla recebem 5 estrelas no Latin NCAP

Novo hatch ganhou 5 estrelas de segurança no teste do Latin NCAP (Latin NCAP/Divulgação) Lançado nesta segunda-feira (25), o novo VW Polo conseguiu alcançar cinco estrelas tanto para proteção de passageiros adultos e crianças. O Toyota Corolla, reestilizado há poucos meses, participou da mesma bateria de testes e também atingiu a pontuação máxima. Os testes foram realizados pelo Latin NCAP, órgão independente responsável por... Leia mais
25 SET
Novo VW Polo custará de R$ 49.990 a R$ 69.190 no Brasil

Novo VW Polo custará de R$ 49.990 a R$ 69.190 no Brasil

Preços (sem opcionais) vão de R$ 49.990 a R$ 69.190 (Guilherme Fontana/Quatro Rodas) A sexta geração do Polo enfim foi apresentada oficialmente (com preços!) mo Brasil. Com mecânica moderna, visual (quase) igual ao europeu e cheio de tecnologia, o hatch volta como a maior aposta da Volkswagen no país nos últimos anos junto do sedã Virtus, confirmado para o primeiro trimestre de 2018. Partindo de R$ 49.990, o novo Polo chega com... Leia mais
25 SET
Comparativo: Renault Kwid x Volkswagen Up! x Fiat Mobi

Comparativo: Renault Kwid x Volkswagen Up! x Fiat Mobi

O novato da Renault enfrenta os líderes do segmento: Up! e Mobi (Christian Castanho/Quatro Rodas) Apesar de ter sido homologado como SUV, por conta de suas medidas off-road (ângulos de entrada e de saída e altura livre do solo), o Renautl Kwid tem outras características (como porte, peso e pneus) que demonstram que sua proposta mesmo é de carro urbano. Sem falar no posicionamento de preço, que mira o mesmo consumidor dos hatches... Leia mais