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03 JAN
Conheça uma das maiores coleções de Cadillac do país

Conheça uma das maiores coleções de Cadillac do país

São 65 modelos, quase todos americanos

São 65 modelos, quase todos americanos (Leo Sposito/Quatro Rodas)

Em uma cidade do interior paulista, chego a uma bonita casa, que parece abrigar uma família. Ao entrar, porém, me surpreendo com a cena – nada lembra uma residência.Parece um cenário de filme: o interior reproduz uma lanchonete americana dos anos 50, decorada com jukebox, lambreta e bar temático.

Mas o melhor ainda estava por vir: protegido por uma porta de vidro, um autêntico showroom de concessionária. A diferença é que, no lugar de carros zero-quilômetro, havia vários Cadillac Eldorado conversíveis, a perder de vista.

A coleção foi sendo construída ao longo de 40 anos

A coleção foi sendo construída ao longo de 40 anos (Leo Sposito/Quatro Rodas)

Amealhado ao longo de quatro décadas, o acervo pertence a um empresário paulista que prefere permanecer no anonimato. “Minha predileção sempre foi pelos conversíveis americanos: as grandes dimensões dos Cadillac me encantam”, conta.

Cadillac Eldorado 1959: igual ao carro que sempre aparecia nas fotos de Elvis Presley

Cadillac Eldorado 1959: igual ao carro que sempre aparecia nas fotos de Elvis Presley (Leo Sposito/Quatro Rodas)

O interior do 1959 é um dos mais requintados e chamativos

O interior do 1959 é um dos mais requintados e chamativos (Leo Sposito/Quatro Rodas)

O primeiro da coleção, porém, foi outro Chevrolet: “Durante toda minha vida, ouvi do meu pai que o Chevrolet Impala 1961 V8 quatro marchas foi o melhor carro que ele teve na vida. Para mim, virou uma questão de honra encontrá-lo e fazer uma surpresa para ele”, relembra.

O empresário não localizou exatamente o mesmo veículo, mas comprou um Impala do mesmo ano. “O carro do meu pai era branco com interior vermelho. Comprei um azul com interior branco, mandei pintar a carroceria, mudei o estofamento e presenteei meu pai em seu aniversário. Ele ficou muito emocionado.”

Após o Impala, o colecionador começou a adquirir os carros dos seus sonhos: os Cadillac Eldorado. Ao todo são 13 modelos conversíveis, em sua maioria das décadas de 50 e 60. “Tenho orgulho de dizer que todos foram perfeitamente restaurados por oficinas brasileiras.” Diz ainda que prefere comprar os carros no Brasil.

O Cadillac Eldorado 1956 é uma das estrelas da coleção de clássicos

O Cadillac Eldorado 1956 é uma das estrelas da coleção de clássicos (Leo Sposito/Quatro Rodas)

A prova da qualidade das reconstruções são os prêmios conquistados nos encontros de automóveis clássicos, como o de Araxá, e um recente concurso de elegância promovido em São Paulo.

“O meu prazer não está no processo de restauração, mas em ver o resultado final e poder passear com eles”, explica o empresário.

O Packard 1930 foi premiado em um concurso de elegância paulista

O Packard 1930 foi premiado em um concurso de elegância paulista (Leo Sposito/Quatro Rodas)

Ele mantém os 65 veículos que guarda no galpão em ordem de marcha. Para isso, três funcionários cuidam de fazer todos os veículos funcionarem ao menos uma vez por semana. “Quero ter a liberdade de bater a chave e ligar o motor.”

Além dos Cadillac, avaliados no mercado em cerca de R$ 170.000 cada um, o acervo traz Corvette, Camaro, Mustang, Pontiac Firebird 400, Romi- -Isetta, Fusca e um Packard 1930, todos com restaurações impecáveis.

Um dos modelos mais emblemáticos da coleção é o Cadillac 1967 Fleetwood Limusine Série 75. No dia 4 de setembro de 1969, ele levava o então embaixador dos EUA no Brasil, Charles Elbrick, que foi sequestrado em Botafogo, no Rio de Janeiro, por um grupo do qual participavam o ex-deputado Fernando Gabeira e o jornalista Franklin Martins.

Cadillac 1967 foi do embaixador dos EUA

Cadillac 1967 pertenceu ao embaixador dos EUA (Leo Sposito/Quatro Rodas)

O galpão só pode ser visitado por alguns poucos amigos, devidamente orientados a não fotografar e muito menos postar qualquer informação sobre sua localização nas redes sociais.

“Adoro receber os amigos que compartilham da mesma paixão por clássicos, mas preciso colocar algumas regras para evitar constrangimentos que já existiram”, conta.

Ele confessa que prefere receber apenas adultos, mas quando eventualmente há crianças no local, fica com o coração na mão acompanhando cada movimento delas. “Há peças nos carros que são muito difíceis de substituir”, argumenta entre risos.

Fonte: Quatro Rodas

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