O GTS foi o último modelo do 911 a entrar na era do turbo (Leo Sposito/Quatro Rodas) Puristas, tremei: a família Carrera, última representante dos 911 com motor aspirado, já não é mais a mesma. Agora, pulsa no cofre traseiro um biturbo 3.0 de 450 cv. Este é nosso segundo contato com o esportivo: a primeira vez com o 911 GTS foi durante seu lançamento mundial, realizado na África do Sul. O reencontro, com direito à teste em nosso campo de provas, em Limeira (SP), deixou uma clara mensagem aos pilotos mais conservadores: está na hora de rever conceitos. Acelerações e retomadas cumpridas com vigor, consumo de combustível contido: o GTS atesta sua evolução com números. Na pista, acelerou de 0 a 100 km/h em 3,6 segundos (a Porsche divulga 3,5 segundos, ante 4 segundos do GTS aspirado). Com tração traseira, este 911 vai de 0 a 100 km/h em 3,6 segundos (Leo Sposito/Quatro Rodas) O turbo lag – o curtíssimo período em que a turbina leva para trabalhar otimizada – pode ser sentido, mas apenas sob tocada intermediária, quando as marchas são trocadas em regimes médios de rotação. Sob direção econômica, o câmbio PDK (automatizado de dupla embreagem banhada a óleo) providencia as mudanças a menos de 2.000 rpm, fazendo o esportivo se comportar como um pacato sedã. A suspensão, toda construída em alumínio, reforça essa impressão de carro familiar. O design do 911 mantém-se clássico sem ser ultrapassado há cinco décadas (Leo Sposito/Quatro Rodas) É bom ter versatilidade e eficiência, mas num Porsche o tema principal sempre será a alta performance. Ainda mais neste caso, onde o downsizing levou à troca da alimentação aspirada pela turbocomprimida. Dirigido de maneira mais quente, apenas pilotos com muita experiência em pista – justamente a clientela dos Carrera GTS – deverão detectar alguma condição em que o turbo lag se faça mais perceptível, como uma saída de curva de baixa velocidade, por exemplo. E, mesmo assim, o breve apagão certamente será compensado (com sobra) pela descarga de potência e torque extras do 3.0 biturbo de 450 cv e 56,1 mkgf frente ao 3.8 de 430 cv e 44,9 mkgf. Cabine é completa, mas a decoração é sóbria e discreta (Leo Sposito/Quatro Rodas) Este 911 Carrera GTS tem tração apenas nas rodas traseiras, por isso a melhor dica que eu posso dar é: não se atreva a desligar os assistentes de tração e estabilidade até que esteja minimamente familiarizado com a maneira como ele despeja a força do motor no asfalto. Apesar do conjunto gigante de pneus (245/35 na frente e 305/30 atrás, ambos aro 20), as rodas patinam com facilidade, tamanha é a potência do seis cilindros boxer biturbo. Em saídas de curva, qualquer leve abuso precoce coloca você no sentido contrário da pista. Pneus especialmente feitos pela Pirelli calçam as rodas aro 20 (Leo Sposito/Quatro Rodas) Os pneus, aliás, são especiais, do tipo UHP (Ultra High Performance). Produzidos pela Pirelli, eles têm construção e composto otimizados para pista, mas aprovados para circulação em rua. No quadro de instrumentos, conta-giros em destaque (Leo Sposito/Quatro Rodas) Para quem vê na eletrônica um meio de acentuar a esportividade – e não de anestesiar a direção–, o GTS é um parque de diversões. Pessoalmente, vejo o controle de largada como o melhor de todos os brinquedos. Com o modo Sport Plus ativo, basta afundar o pé no freio e no acelerador simultaneamente. Câmbio PDK: sob condução econômica, suave e aliado da economia; na pista, rápido como um tiro (Leo Sposito/Quatro Rodas) Em vez de o giro subir, o motor “trava” na rotação ideal para obtenção da máxima performance de largada. Câmbio, controle de tração, acelerador e até o volante têm seu funcionamento otimizado para ajudar no bote perfeito. Bancos: esportivos, com Alcantara e ajuste elétrico (Leo Sposito/Quatro Rodas) Depois da largada, o 3.0 biturbo vai fazer você chegar bem rápido à curva. Não se assuste, pois os freios são devoradores de velocidade. No console, teclas para incremento de performance e, quem diria, start-stop (Leo Sposito/Quatro Rodas) Em nosso teste, por exemplo, foram apenas 55,3 metros para o GTS cumprir a frenagem de 120 km/h a 0. E faz isso de maneira extremamente segura, quase sem balanço da carroceria. Hora de contornar a curva. Assim como nas frenagens, o GTS impressiona em trechos sinuosos. Você fica sempre com aquela sensação de “poderia ter feito bem mais rápido”. Essa entrega do carro se dá pelos inúmeros dispositivos de controle dinâmico da carroceria e, claro, pela construção e acerto primorosos da suspensão. Você sente o carro “querendo” contornar a curva. Motor 3.0 biturbo tem 450 cv e 56,1 mkgf (Leo Sposito/Quatro Rodas) Como de costume, o novo GTS virá ao Brasil com uma configuração completa. Mas a Porsche sempre ressalta as múltiplas possibilidades de personalização de cores (interna e externa), rodas, revestimento e equipamentos. Nesses casos, claro, o tempo de espera sobe para cerca de três a quatro meses. Preços do 911 GTS no Brasil começam em R$ 687.000 (Leo Sposito/Quatro Rodas) Mas se você tiver R$ 687.000 e se der por satisfeito com o pacote que a filial estipulou para o mercado brasileiro, tudo bem: levará para casa um esportivo muito competente. E eficiente! A GTS é a versão de entrada da linha que conta ainda com as versões 4 GTS (R$ 721.000), GTS Cabriolet (R$ 729.000), 4 GTS Cabriolet (R$ 763.000) e Targa 4 GTS (R$ 763.000).
Fonte:
Quatro Rodas
Brinquedo eletrônico
Linha completa
Teste: Porsche 911 GTS, evolução turbinada
Mais Novidades
Grandes Brasileiros: Ford Belina Luxo Especial
O requinte externo da Belina estava nos frisos e pneus faixa branca (Xico Buny/Quatro Rodas)
O jacarandá-da-baía é considerado a mais valiosa das madeiras nacionais. A textura lisa e as listras pretas contrastando com o fundo marrom conferem uma estética própria a objetos de decoração, móveis de luxo e instrumentos musicais.
Um material tão belo que foi escolhido pela Ford para a decoração externa da Belina Luxo...
Leia mais
Paulista coleciona mais de 30 caminhões em um galpão de 3.000 m²
Uma parte da coleção grandiosa com direito a Peterbilt (Alexandre Battibugli/Quatro Rodas)
O fascínio por caminhões era tanto que aos 7 anos ele pegou o do pai, um Chevrolet 1950, e foi dar uma voltinha.
“Lembro de enxergar a estrada pela fresta do volante e acionar a embreagem na ponta dos pés. Os caminhoneiros que passavam ficavam assustados ao ver o caminhão andando ‘sozinho’, pois ninguém me enxergava”, relembra o dono de...
Leia mais
Teste: Fiat Argo 1.3 GSR, o problema está no câmbio
Além do Argo, o câmbio GSR já é aplicado em Uno e Mobi (Fiat/Divulgação)
O Argo Drive 1.3 é a versão mais atraente do hatchback da Fiat. Mais refinada do que o Argo Drive 1.0 e não tão cara quanto a configuração Precision 1.8, ele combina bom desempenho com baixo consumo de combustível.
Diante desses fatos, eu estava otimista para dirigir o Argo Drive GSR – principalmente quando soube que a Fiat fez algumas melhorias no...
Leia mais
Renault Kwid tem novo bloqueio de entregas por defeito nos freios
Bloqueio começou em 25 de outubro (Divulgação/Renault)
A Renault bloqueou, mais uma vez, as entregas de novas unidades do Kwid. Desta vez a interrupção foi feita para a substituição dos discos de freio dianteiros de todas as unidades. Alguns também podem ter os cubos das rodas trocados.
Documento ao qual QUATRO RODAS teve acesso informa sobre a necessidade de troca dos discos antes da entrega dos carros aos clientes. Caso sejam...
Leia mais
Por que os motores não aspiram água durante a chuva?
Defletores impedem que a água entre no sistema de admissão de ar (Acervo/Quatro Rodas)
Por que os motores não aspiram água durante a chuva? – Sérgio Henrique, Parnaíba (PI)
O sistema de admissão de ar para o motor de um veículo é projetado para ter sua tomada em um local no qual a ingestão de água seja minimizada.
De acordo com Clayton Zabeu, membro da Comissão Técnica de Motores Ciclo Otto da SAE Brasil, essa tomada fica...
Leia mais
Como é “não dirigir” um carro autônomo?
É possível ver alguns sensores no para-choque do C4 Picasso (Divulgação/Citroën)
O sonho de ter carros capazes de andar sozinhos é antigo. E já há estudos sobre carros autônomos desde 1970. Mas só recentemente esse tipo de tecnologia se tornou realidade com data para chegar ao mercado.
Na classificação da Sociedade dos Engenheiros da Mobilidade (SAE), automóveis com um ou mais sistemas de assistência, como piloto automático,...
Leia mais