Novidades

07 NOV
Como é “não dirigir” um carro autônomo?

Como é “não dirigir” um carro autônomo?

É possível ver alguns sensores no para-choque do C4 Picasso (Divulgação/Citroën)

O sonho de ter carros capazes de andar sozinhos é antigo. E já há estudos sobre carros autônomos desde 1970. Mas só recentemente esse tipo de tecnologia se tornou realidade com data para chegar ao mercado.

Na classificação da Sociedade dos Engenheiros da Mobilidade (SAE), automóveis com um ou mais sistemas de assistência, como piloto automático, alerta de saída de faixa ou alerta de pontos cegos, pertencem ao primeiro nível de automação.

Já na categoria SAE 2, o carro é capaz de permanecer na faixa sozinho, tem piloto automático que se adapta ao fluxo da via e freia sozinho para evitar colisão. Entram na conta as versões mais caras de Ford Focus, Chevrolet Cruze e Volvo XC90.

Esses modelos, em teoria, permitem que o motorista tire as mãos do volante por curtos intervalos de tempo.

Mas no terceiro nível (SAE 3), o motorista não só pode tirar as mãos do volante, como tem a possibilidade de fazer qualquer outra coisa sem medo, como se fosse um passageiro.

Para experimentar a sensação de ser um carona mesmo diante do volante, fomos ao centro técnico da PSA (Peugeot Citroën), em Vélizy, na França.

O C4 Grand Picasso é um dos protótipos usado pela PSA; este exemplar tem dois volantes redundantes (Divulgação/Internet)

É lá que o grupo desenvolve seu programa de autônomos, o AVA (de “veículos autônomos para todos”, em inglês). O protótipo que usamos é um C4 Grand Picasso. A empresa ainda tem protótipos baseados nos Peugeot 3008 e 5008, que nas ruas também passariam como um carro familiar comum.

O que difere cada um destes veículos daqueles que estão nas lojas são os mais de 20 dispositivos entre câmeras, radares, sensores ultrassônicos e lasers instalados ao redor da carroceria. E, em vez de uma terceira fileira de bancos e bagagem, há vários processadores lotando o porta-malas.

Tanta eletrônica é fundamental para processar em tempo real todas as informações obtidas, criando um cenário virtual que é exibido na tela instalada no console central. Ali o carro mais parece um personagem de Mario Kart com marcação dos “oponentes” em um raio de até 200 metros.

Para ativar o modo autônomo, basta estar em uma rodovia e pressionar o botão HAD (de “direção automatizada para estradas”) no volante e se afastar dos comandos do carro.

Da última vez que havia feito isso, caí da bicicleta e quebrei um braço. Mas até me acostumei rápido com a condição de passageiro diante do volante girando sozinho.

Duro foi não sentir o tédio com o carro cuidando de tudo para manter os 90 km/h – o sistema opera assim até os 130 km/h.

Poderia usar meu celular ou ler um livro, mas preferi aguardar os alertas do carro. Isso porque ele identifica placas de velocidade, mas depende de seu aval para ir mais rápido ou devagar.

Mesma coisa para ultrapassagens: ou você permite a manobra ou ele seguirá o veículo da frente, mesmo que esteja abaixo da velocidade máxima da via. No nível SAE 4, isso não é necessário: o carro passa a ter impulsos próprios e processa sozinho tais manobras.

Dois volantes, um para o motorista e outro para um especialista da PSA. Mas o que se espera é não ter que usar nenhum (Divulgação/Citroën)

O plano da PSA é ter seu sistema autônomo SAE 3 disponível em carros da Peugeot, Citroën e DS até 2021. Diz ser para todos os segmentos, pois a produção em escala permitirá uma importante redução dos custos da tecnologia.

O primeiro carro de produção com automação nível 3, porém, é o novo Audi A8, que chega ao Brasil no ano que vem. Seu modo autônomo funciona até os 60 km/h. Se o motorista dormir, o carro emitirá alerta sonoro e, em último caso, estacionará em lugar seguro.

Essa é apenas uma das variáveis às quais os carros autônomos estão sujeitos. Por isso a PSA também trabalha em uma nova arquitetura eletrônica que prevê até o uso de internet 5G.

A rede será usada para troca de informações entre os veículos, complementando os sensores, e também para que esses dados sejam cruzados com uma base Big Data. A PSA quer usar essa base de dados para registrar a forma como os motoristas dirigem seus carros no dia a dia e usar essas informações para nortear as decisões do sistema autônomo.

A nova arquitetura eletrônica ainda permitirá troca de informações entre os sistemas do carro em velocidade até 100 vezes mais veloz. E, claro, possibilitará que todos os computadores instalados no porta-malas sejam reduzidos a um pequeno módulo.

Computadores no porta-malas: tudo isso logo será reduzido a um módulo, do tamanho de um aparelho de som automotivo (Divulgação/Citroën)

Também já se discute na Europa um modelo de caixa-preta para registrar informações do veículo, o que será muito útil para saber quem estava no controle em caso de acidente. E também de quem é a culpa.

Isso também ajudará a convencer as seguradoras. Mesmo que 90% dos acidentes sejam resultantes de falha humana, ainda não existe cobertura de seguro para veículos autônomos.

Mas algumas questões também dependem da legislação de cada país. A Convenção de Viena de 1968, que estabeleceu regras internacionais de segurança no trânsito, precisa ser revisada para internacionalizar regras para a condução autônoma.

Só quando tudo isso estiver acertado será possível chegar ao nível SAE 5, o do carro 100% autônomo, que nem sequer terá volante. Dizem que as ruas serão mais seguras com eles.

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

19 JUN

Aneel decide que distribuidoras não serão responsáveis por dano em carro elétrico

As distribuidoras de energia não serão responsabilizadas por danos em carros elétricos causados por variações na rede elétrica. A definição está em um regulamento sobre abastecimento de veículos elétricos aprovado nesta terça-feira (19) pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Hoje as distribuidoras são obrigadas a ressarcir os consumidores quando algum equipamento elétrico queima devido, por exemplo, a queda no fornecimento de energia. No caso do carro... Leia mais
19 JUN

Ducati Monster 797 chega às lojas do Brasil

A Ducati Monster 797 já está nas lojas da empresa no Brasil. Apresentada no Salão Duas Rodas 2017, o modelo custa R$ 39.900 e é a verdadeira sucessora da antiga 796, que saiu de linha para a chegada da Monster 821. Ao contrário do modelo 821, a montadora italiana volta a utilizar o motor refrigerado a ar tradicional da linha Monster na 797. Com 2 cilindros e 803 cc, o motor rende 75 cavalos de potência a 8.250 rpm e 69 Nm de torque a 5.750 rpm. O modelo resgata as principais... Leia mais
19 JUN

Renault enxuga versões do Logan na linha 2019

Antes ofertada como série limitada, a Expression Avantage agora passa a ser a única opção do catálogo do Logan (Renault/Divulgação)Quem quiser comprar um Renault Logan 2019 terá inúmeras versões de acabamento disponíveis, desde que sejam Expression Avantage.A Renault reduziu o número de versões do Logan e fez isso nas pontas da tabela: tanto o pacote inicial Authentique quanto o topo de linha Dynamique não são mais oferecidos.O catálogo agora se resume apenas às variantes... Leia mais
19 JUN

Honda registra sedã compacto Brio Amaze no Brasil

A Honda pediu e obteve o registro do sedã compacto Brio Amaze no Brasil. A concessão foi publicada na revista do Instituto Nacional da Propriedade Industrial, o Inpi, desta terça-feira (19). O Brio Amaze é um sedã vendido em mercados asiáticos, como Índia e Filipinas. Ele ganhou uma nova geração em maio deste ano - esta versão que foi registrada no Brasil. Vale lembrar que, apesar de obter o registro de um veículo no país, isso não significa que ele será lançado por... Leia mais
19 JUN

Segredo mundial: vazam versões inéditas do BMW Série 8

Versão conversível terá capota elétrica de lona (INPI/Internet)A BMW revelou apenas duas versões do novo BMW Série 8 por enquanto. Mas um documento público do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) antecipou novas variantes do modelo antes da hora.As imagens mostram as inéditas versões conversível e Gran Coupe (sedã com perfil de cupê) do novo Série 8.Versões de entrada do Série 8 terão para-choques mais simples (INPI/Internet)O arquivo também revelou as linhas... Leia mais
19 JUN

Volkswagen nomeia interino para a Audi após prisão de presidente

A Volkswagen anunciou a nomeação de presidente interino para a divisão de carros de luxo Audi, após a prisão na véspera do executivo Rupert Stadler em meio ao escândalo em que a empresa é investigada por acusações de fraude em testes de emissões de poluentes de veículos. A Audi afirmou que Stadler, 55, pediu afastamento temporário de sua posição e indicou para o lugar o executivo de vendas Abraham Schot, interinamente. A prisão de Stadler colocou a Volkswagen de novo... Leia mais