Grades dianteiras: hexagonal no R8, e com 15 frisos verticais no GT R (Christian Castanho/Quatro Rodas) Apenas analisando a ficha técnica, Audi R8 V10 Plus e Mercedes-AMG GT R dão a impressão de que são parecidos. As fábricas descrevem seus carros da mesma forma: projetos inspirados em modelos de corrida, com motores poderosos, emprego de materiais como alumínio e fibra de carbono para reduzir peso e aerodinâmica ativa. Os dois são versões anabolizadas de esportivos – o Audi R8 V10 Plus deriva do Audi R8 e o Mercedes-AMG GT R, do Mercedes-AMG GT. E mais uma semelhança: chegam ao Brasil na mesma faixa de preço. O Audi custa R$ 1.170.990 e o Mercedes sai por R$ 1.199.900. Mas será que eles são tão iguais assim? O Mercedes ousa ao colocar apêndices aerodinâmicos e aumentar a largura da carroceria na frente e atrás (Christian Castanho/Quatro Rodas) O Audi é mais discreto e fiel ao visual do original (Christian Castanho/Quatro Rodas) Alinhados, esses superesportivos nascidos da tecnologia das pistas demonstraram tantas coisas em comum quanto o príncipe Charles e o cantor Ozzy Osbourne. Além de ricos e famosos, esses dois cidadãos ingleses são pessoas do mesmo sexo, casados, nascidos em 1948 e com mesmo grau de instrução. Pela descrição, parecem a mesma pessoa. Só que um é o Príncipe de Gales e o outro é conhecido como o Príncipe das Trevas. Assim como Charles e Ozzy, R8 e AMG GT R têm atributos que os fazem únicos. No mundo das corridas, o R8 herdou a experiência que a Audi refinou nas 24 Horas de Le Mans (foram 13 vitórias). Já a Mercedes trouxe para o GT R o que aprendeu no seu tricampeonato na F-1. No design, o Audi é mais discreto e fiel ao visual do original, enquanto o Mercedes rompe com o GT, ao colocar no GT R apêndices aerodinâmicos e aumentar a largura da carroceria na frente e atrás. Na cabine, a história se repete: o sóbrio Audi tem painel compacto formando um nicho, como se o motorista estivesse no comando de um caça, e o Mercedes, exagerado, exibe o painel espalhado horizontalmente e o console largo. Vários comandos do GT R ficam localizados no console (Christian Castanho/Quatro Rodas) Visor digital fica entre mostradores analógicos (Christian Castanho/Quatro Rodas) No acabamento, há equilíbrio: couro e fibra de carbono dão o tom. Mas o R8 capricha nos dispositivos com o painel de instrumentos reproduzido em uma tela digital configurável e a central multimídia com conexão à internet – recurso inexistente na central do rival. Cockpit do R8 abraça o motorista como a cabine de um caça (Christian Castanho/Quatro Rodas) Tela configurável reúne todas as informações (Christian Castanho/Quatro Rodas) O estilo é revelador, mas aprofundando a comparação outras diferenças ainda mais contundentes vêm à tona. Enquanto o Audi tem um V10 5.2 aspirado, o Mercedes traz um V8 4.0 biturbo. No R8, o motor está instalado na posição central traseira. No GT R, está na central dianteira. A cabine do Audi é avançada. A do Mercedes, recuada. E o R8 tem tração 4×4, enquanto o GT R é 4×2 traseiro. A experiência ao volante de um é completamente diferente da do outro. No Audi, o motorista se senta bem à frente, próximo do eixo dianteiro. No Mercedes, ele viaja quase em cima do eixo traseiro. A cabine fica recuada junto ao eixo traseiro (Christian Castanho/Quatro Rodas) Rodando pela cidade, o Mercedes é mais confortável. Sua direção é um pouco indireta e sua suspensão mais macia. No Audi ocorre o inverso: a direção é mais pronta e a suspensão mais dura. Cabine fica em posição avançada e a tração é integral (Christian Castanho/Quatro Rodas) Como os dois possuem seletor de modos de condução que ajustam as respostas de motor, transmissão, direção e suspensão, na estrada usamos principalmente a opção Comfort. Abaixo dos 4 segundos Na pista de testes, onde usamos os ajustes mais esportivos, o Mercedes continuou mais confortável, com a carroceria oscilando mais nas curvas (rolling). Mas seu amortecimento pode ganhar ainda uma calibragem mais rígida, por meio da regulagem da carga das molas, o que é feito manualmente no alto das torres de suspensão (recurso que veio das corridas), segundo a preferência pessoal do motorista. Costuras do banco e cinto são amarelos (Christian Castanho/Quatro Rodas) Outra diferença de comportamento evidente é o maior equilíbrio do R8 graças à tração integral Quattro. Desde as primeiras voltas, o R8 transmite muita confiança ao piloto, ao contornar as curvas como se seguisse um trilho. O GT R, ao contrário, exige um tempo maior para que o condutor se acostume a sua dianteira mais longa. Mas, à medida que o motorista aumenta a velocidade, o GT R segue cumprindo a trajetória sem esboçar perda de controle – com o auxílio providencial de seu eixo traseiro direcional e da direção que altera suas respostas (assistência e relação) em função da velocidade e da aceleração lateral (a do Audi só lê a velocidade). Bancos de couro têm costuras vermelhas (Christian Castanho/Quatro Rodas) Na distribuição de peso, o GT R é ligeiramente mais equilibrado, com uma relação de 47% na dianteira e 53% na traseira, face a 42% e 58% do R8. E, nos pneus, ambos trazem a mesma medida (245/30 R20 e 305/30 R20) e o mesmo Pirelli PZero. Analisando o teste de pista, o R8 se mostrou mais rápido na aceleração. Ele foi de 0 a 100 km/h em 3,4 segundos, enquanto o GT R precisou de 3,7 segundos para fazer o mesmo. A vantagem pode parecer pequena, mas não é. Abaixo de 4 segundos, qualquer centésimo só é conseguido a duras penas. Pelo torque disponível, o Mercedes deveria arrancar mais rápido. Seu motor gera 71,4 mkgf de força entre 1.900 e 5.500 rpm, enquanto o do R8 rende 57,1 mkgf a 6.500 rpm. Mas o R8 se valeu da transmissão integral que distribui a força do motor para todas as rodas, favorecida pela maior aderência. O V8 foi instalado na posição central dianteira (Christian Castanho/Quatro Rodas) Durante os testes em nossa pista, usando os dispositivos de controle de largada dos carros, o R8 sempre demonstrava mais determinação nas arrancadas, enquanto o GT R apresentava uma pequena demora. Comparando nossos números com os divulgados pelas fábricas, o R8 também é mais rápido. Segundo a Audi, ele faz de 0 a 100 km/h em 3,2 segundos e, de acordo com a Mercedes, o GT R acelera em 3,6 segundos. Os faróis são de led e as rodas de liga leve (Christian Castanho/Quatro Rodas) O GT R só se recuperou nas retomadas, onde a volume de torque em regimes mais baixos e intermediários faz diferença. Sua maior vantagem foi nas passagens de 60 a 100 km/h, em que ele ficou com o tempo de 1,84 segundos contra 2 segundos do Audi. E essa vantagem se revelou também no consumo. O Mercedes conseguiu as médias de 6,9 km/l, na cidade, e 9,4 km/l, na estrada, diante de 6,2 km/l e 7,1 km/l, do Audi, respectivamente. Por falta de pista adequada a essas velocidades, a máxima nós não medimos, mas, usando números oficiais, o Audi atinge 330 km/h e o Mercedes, 318. E aqui a diferença a favor do R8 se deve a sua potência máxima com 25 cv a mais: 610 cv contra 585 cv. Motor V10 está na parte central traseira (Christian Castanho/Quatro Rodas) R8 Plus e GT R travam um duro embate. O primeiro andou mais e se mostrou dinamicamente mais equilibrado. Mas o segundo não fez feio nem em um aspecto nem em outro. Os faróis são de laser e as rodas de alumínio (Christian Castanho/Quatro Rodas) E considerando que a proposta é parecer o mais próximo possível com um carro de competição, o AMG se destaca com a oferta de mais recursos trazidos das corridas, como o seletor que permite ajustar a assistência do controle de tração em nove gradações, entre outros já citados. E foi por cumprir com mais fidelidade o que promete o material de divulgação que o GT R venceu o comparativo das feras nascidas na pista. Veredicto A escolha pode ser baseada na preferência do comprador levando em conta detalhes como motor aspirado/turbo ou simpatia pelas marcas. Mas o GT R satisfaz mais quem busca adrenalina.
Fonte:
Quatro Rodas
Teste de pista (com gasolina)
R8 V10 Plus
AMG GT R
Aceleração de 0 a 100 km/h
3,4 s
3,7 s
Aceleração de 0 a 1000 m
20,5 s
20,5 s
Retomada de 40 a 80 km/h
1,7 s
1,5 s
Retomada de 60 a 100 km/h
1,9 s
1,7 s
Retomada de 80 a 120 km/h
2 s
1,8 s
Frenagens de 60 / 80 / 120 km/h a 0
14,9/25,7/56,9 m
14,9/24,9/56 m
Consumo urbano
6,2 km/l
6,9 km/l
Consumo rodoviário
7,1 km/l
9,4 km/l
Ficha Técnica
R8 V10 Plus
AMG GT R
Motor
gasolina, central, tras., V10, 5.204 cm3, 84,5 x 92,8 mm, 40V, 610 cv a 8.250 rpm, 57,1 mkgf a 6.500 rpm
gasolina, central, diant., V8, bi-turbo, 3.982 cm3, 83 x 92 mm, 32V, 585 cv a 8.250 rpm, 71,4 mkgf a 1.900 rpm
Câmbio
automatizado, dupla embr., 7 m., 4×4
automatizado, dupla embr., 7 m., traseira
Suspensão
duplo A (diant. e tras.)
duplo A (diant. e tras.)
Freios
disc. vent. comp.cerâmico (diant. e tras.)
disc. vent. comp. cerâmico (diant. e tras.)
Direção
elétrica
elétrica
Rodas e pneus
liga leve, 245/45 R20 (diant.) e 305/30 R20 (tras.)
liga leve, 245/45 R20 (diant.) e 305/30 R20 (tras.)
Dimensões
compr., 442,6 cm; largura, 194 cm; altura, 124 cm; entre-eixos, 265 cm; peso, 1.454 kg; peso/potência, 2,38 kg/cv; peso/torque, 25,46 kg/mkgf; tanque, 83 l; porta-malas, 112 l
compr., 442,6 cm; largura, 194 cm; altura, 124 cm; entre-eixos, 265 cm; peso, 1.555 kg; peso/potência, 2,66 kg/cv; peso/torque, 21,77 kg/mkgf; tanque, 85 l; porta-malas, 285 l
Audi R8 V10 x AMG GT R: o confronto de R$ 2,4 milhões e 1.200 cv
Mais Novidades
Longa Duração: o desmonte do Chevrolet Cruze
– (Xico Buny/Quatro Rodas)
Novembro de 2012: a primeira geração do Cruze passava por este mesmo momento, o desmonte após a rodagem de 60.000 km.
Ou seja, além de enfrentar a dureza normal do Longa Duração, o Cruze LTZ 2017 que você vê aqui aos pedaços tinha também a “obrigação moral” de finalizar sua jornada entre nós, no mínimo, tão bem quanto o seu antecessor. Não conseguiu.
“Sem dúvida, ele é a nova referência do...
Leia mais
Renault Kwid tem novo recall: berço do motor pode se romper
Defeito está no berço do motor, onde estão presos componentes da suspensão (Divulgação/Renault)
A Renault está convocando para recall 1.918 unidades do Kwid. O motivo, de acordo com a fabricante, é a não conformidade da solda do berço do motor, que poderá se romper.
Elementos da suspensão dianteira são fixados no berço do motor. Caso ele se rompa, pode ocorrer perda da dirigibilidade com risco de acidente e de lesões aos...
Leia mais
Mitsubishi terá carros sem retrovisores externos a partir de 2019
O Mitsubishi CA-MiEV, de 2013, já antecipava a tendência de retirar os retrovisores (Divulgação/Mitsubishi)
Bem longe dos seus tempos áureos, a Mitsubishi vive uma fase de renovação. Ela terá seis novos modelos até 2020 e pretende colocar bastante tecnologia neles. Tanto que sequer terão retrovisores.
A fabricante japonesa diz ter desenvolvido as melhores câmeras para uso automotivo. Elas serão responsáveis por substituir os...
Leia mais
Teste: Subaru Forester L, uma aposta no custo-benefício
Forester está na quarta geração, que chegou às lojas em 2012 (Christian Castanho/Quatro Rodas)
A Subaru sempre alardeou qualidades técnicas para vender seus carros, destacando a tecnologia do motor boxer e do sistema de tração integral, principalmente.
Desde o final de 2017, porém, a marca mudou o discurso em relação ao SUV Forester, adotando o argumento da melhor relação custo-benefício.
Em novembro passado, a Subaru...
Leia mais
Vendas de picapes em 2017: Strada, Toro e Hilux dominam
– (Montagem/Divulgação/Quatro Rodas)
O ano passado pode ter sido o último em que a Fiat Strada liderou o segmento de picapes no Brasil. A boa notícia (para a FCA) é que, se for superada, provavelmente será pela Toro, que foi vice-colocada na categoria.
Lançada em 2016, a picape intermediária emplacou 50.723 unidades em 2017, enquanto o veterano modelo derivado do Palio registrou 54.863 veículos.
O desempenho da dupla surpreende se...
Leia mais
Guia de Usados: Fiat Grand Siena
Lançado em 2012, é basicamente o mesmo até hoje (Marco de Bari/Quatro Rodas)
Derivado do Palio de segunda geração, o Grand Siena estreou aqui em 2012 posicionado entre o Siena EL (que usava a carroceria de 1997) e o Linea. Destacou-se pelo estilo próprio e pela evolução no espaço interno e nível de equipamentos.
Virou um dos sedãs mais vendidos graças ao porta-malas de 520 litros e duas versões de acabamento.
A básica,...
Leia mais