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20 OUT
As fábricas de carros que fizeram (e fazem) tratores

As fábricas de carros que fizeram (e fazem) tratores

Um Lamborghini com design assinado por Giugiaro? Sim. Quem disse que precisa ser um superesportivo? (Lamborghini/Divulgação)

Produzir tratores não é uma atividade tão incomum para as fabricantes de automóveis, ainda que isso soe estranho. Alguns fizeram o caminho oposto, como Ferruccio Lamborghini.

O italiano era um fazendeiro que construiu parte de seu império construindo máquinas agrícolas até o dia em que procurou Enzo Ferrari em busca de ajuda.

A visita era para reclamar de um problema na embreagem de sua 250 GT. O episódio, no entanto, tornou-se o incentivo para Ferruccio se aventurar no mundo dos carros, graças ao tratamento hostil dado por Ferrari (o commendatore, não a empresa) a seu cliente.

Esse capítulo é famoso na história da Lambo. Mas a empresa não é a única que vende tanto automóveis quanto tratores. Separamos abaixo exemplos de fabricantes que talvez você nem imaginava que já produziram (ou ainda produzem) máquinas agrícolas.

Ford

O Model F compartilhava vários componentes com o Model T, o primeiro automóvel fabricado em série da Ford (Pinterest - reprodução/Internet)

A Ford foi uma das primeiras fabricantes de tratores movidos a gasolina. Seu primeiro modelo, o Model F, surgiu em 1917, época na qual a empresa ainda se chamava Fordson.

Sabiamente, a marca aproveitou boa parte dos conceitos de produção em massa aplicados nos automóveis em sua linha de montagem de tratores.

O Model F usava um motor de quatro cilindros em linha com 20 cv bastante semelhante ao do Model T na concepção. Um de seus grandes diferenciais era a possibilidade de rodar com querosene, gasolina e até etanol no tanque.

A fusão com a Ford Motor Company fez a empresa crescer. O 8N trazia evoluções como pedal de embreagem do lado esquerdo e um painel mais completo com tacômetro, hodômetro e relógio.

Lançado em 1939, o 9N foi uma revolução na história da Fordson, trazendo itens e características adotadas na maioria dos tratores apenas nos anos seguintes. Alguns exemplos eram o sistema de engate de três pontos e o fácil acesso aos principais componentes para manutenção.

O 8N tinha transmissão de quatro marchas e pedal de embreagem do lado esquerdo (reprodução/Internet)

Enquanto isso, no Brasil, a Ford revelou seu primeiro trator em dezembro de 1960. O 8 BR tinha um índice de nacionalização de 70% e vinha com um motor de 56 cv, sistema de levantamento hidráulico para implementos e bitola ajustável. A pintura nas cores verde e amarela fazia referência à produção nacional.

A decoração nas cores verde e amarela fazia alusão à produção nacional do 8 BR (reprodução/Internet)

Mesmo diante dos bons resultados (o 8 BR chegou a ser o segundo trator mais vendido do país), a Ford encerrou sua produção em 1967 após 12.443 unidades. A marca só retomou a fabricação no Brasil em 1974, quando ergueu uma nova fábrica em São Bernardo do Campo (SP) para lançar as séries 4.000 e 6.000 no ano seguinte.

Os modelos 4.600 e 6.600 tinham tração 4×2 e transmissão com oito marchas à frente e duas a ré. Haviam duas opções de motorização movidas a diesel, com 63 cv ou 75 cv.

As boas vendas motivaram a Ford a mostrar novidades para 1976: o 6.600 ganhou um motor de 4.392 cm3 com 85 cv, enquanto o 5.600 aproveitava o antigo motor 4.2 de 79 cv do 6.600.

A Ford chegou a liderar as vendas de tratores no Brasil nos anos 80 (Ford/Divulgação)

Nem a crise que afetava praticamente toda a indústria abalou a Ford, que teve seu melhor ano em 1981, quando produziu 14.105 unidades. A recessão piorou nos anos seguintes e, em 1983, a Ford produziu apenas 3.345 unidades. Até 1984, a marca lançou novos modelos, incluindo a renovada Série 10, que tinha um trator 4×4 equipado com motor de 6 cilindros (6.578 cm3 e 118 cv) e câmbio de 16 marchas à frente e 4 a ré.

Naquele mesmo ano, a Ford adquiriu a Spare-Holland, dando origem à Ford New Holland. A nova empresa seria comprada pela Fiat em 1991, resultando na Case New Holland – atualmente conhecida apenas como CNH. Era o fim da linha para a Ford no segmento de tratores.

Lamborghini

Carioca era movido a diesel, mas tinha um sistema de partida do motor que utilizava gasolina (reprodução/Internet)

Ferruccio Lamborghini fez fama e fortuna produzindo superesportivos cobiçados no mundo todo, como a Aventador e a Huracán. Mas nem sempre foi assim. O fazendeiro começou sua carreira de empresário fazendo tratores logo após a Segunda Guerra Mundial.

Ferruccio só se aventuraria no mundo dos automóveis em 1963, quando a Lamborghini Trattori já era bem rentável. Some a isso o suposto fato de Enzo Ferrari ter desdenhado do empresário após Ferruccio se queixar de um problema na embreagem de sua Ferrari 250 GT e você entenderá como a Lamborghini Automobili S.p.A nasceu.

Bem antes disso, a Lamborghini Trattori S.p.A nasceu em 1948 e seu primeiro modelo foi curiosamente batizado de Carioca.

Ele trazia uma tecnologia inovadora que dava a partida com gasolina e só aí mudava o combustível utilizado para diesel – quase como um reservatório de partida a frio dos carros flex.

O L 33 surgiu em 1951 e foi o primeiro trator inteiramente projetado pela Lamborghini, com exceção do motor – um 3.5 de seis cilindros em linha fornecido pela inglesa Morris.

Os anos seguintes representaram um salto de evolução para a empresa. Em 1952, a marca lançou, de uma só vez, os modelos DL 15, DL 20, DL 25 e DL 30.

O primeiro trator com esteiras no lugar das rodas foi a DL 25 C, substituída pouco tempo depois pela DL 30 C – pintado na característica cor amarela que também seria adotada nos superesportivos posteriormente.

A Lamborghinetta era um dos tratores mais famosos produzidos pela marca no fim dos anos 50 (reprodução/Internet)

A Lamborghinetta estreou em 1957, cinco anos antes de a empresa lançar modelos com tração nas quatro rodas e motor refrigerado a ar.

Precisa de um Lamborghini para andar na fazenda? O Spire pode ser a solução (Lamborghini/Divulgação)

A empresa investiu pesado em novas tecnologias no fim dos anos 60. Os tratores da Lamborghini foram os primeiros da Itália a utilizarem transmissões com marchas sincronizadas e motores mais potentes.

Uma joint-venture com a SAME (outra gigante do setor de máquinas agrícolas da Itália) aconteceu em 1973 e uma nova linha de tratores surgiu uma década depois, trazendo novos motores refrigerados a água. Aprimorações na injeção eletrônica e na central eletrônica ocorreram nos anos seguintes.

O Nitro venceu vários prêmios da indústria de máquinas agrícolas na Europa (Lamborghini/Divulgação)

As décadas seguintes foram marcadas por lançamentos de tratores menores e mais ágeis. Um dos projetos mais bem sucedidos foi o Nitro, apresentado em 2013. Foi graças à ele que a Lamborghini Trattori venceu diversos prêmios do setor de máquinas.

Mitsubishi

Feitos para uso em fazendas menores, os tratores da Mitsubishi são mais compactos (reprodução/Internet)

A Mitsubishi nunca produziu apenas automóveis de passeio. Ela é um enorme conglomerado que faz praticamente de tudo, de lápis a televisores e de geradores de energia a… tratores.

A divisão de máquinas agrícolas surgiu em 1980, quando a empresa adquiriu a Satoh Agricultural Machinery e fundou a Mitsubishi Agricultural Machinery.

Os tratores da Mitsubishi foram vendidos por um breve período nos Estados Unidos sob a marca Cub Cadet.

A maioria dos modelos produzidos atualmente são destinados ao mercado da Ásia, onde as propriedades são menores. Por lá, a empresa também fabrica colheitadeiras e equipamentos para colheita de arroz.

Porsche

Além de robustos, os tratores da Porsche eram bonitos (reprodução/Internet)

Ferdinand Porsche era um homem inquieto. Não bastasse fabricar automóveis de passeio, o engenheiro também ousou produzir um trator acessível para as massas.

Vários protótipos foram feitos em 1937, mas o projeto foi arquivado devido à Segunda Guerra Mundial. Apenas em 1957 é que a Porsche produziu seu primeiro trator nas versões Junior (14 cv), Standard (25 cv), Super (38 cv) e Master (50 cv).

O motor do Super era refrigerado a ar e tinha 38 cv (reprodução/Internet)

Mais de 10 mil unidades foram vendidas no primeiro ano. O sucesso fez a marca investir pesado no segmento, lançando modelos robustos e com design atraente – algo incomum na categoria de máquinas agrícolas.

Outro diferencial era a motorização a diesel refrigerada a ar, mais eficientes e duráveis do que os motores da época.

Entre 1956 e 1963, a Porsche vendeu aproximadamente 125 mil tratores na Europa e nos Estados Unidos. Os poucos exemplares sobreviventes são disputados a tapa por colecionadores de automóveis Porsche e de tratores.

Apesar da vida curta, os tratores Porsche se tornaram ícones da história da marca, estrelando um comercial de serviços de pós-venda (assista abaixo) e até virando estampa de camiseta da Adidas.

 

Camiseta da Porsche Design feita pela Adidas tinha o trator como tema (Adidas/Divulgação)

Fiat/Case New Holland

O 702 foi o primeiro trator vendido pela Fiat, em 1918 (reprodução/Internet)

A Fiat Trattori S.p.A surgiu em 1919, um ano após o lançamento do Fiat 702. O trator de 30 cv foi substituído pelos mais modernos 702 e 703, fazendo a empresa atingir a marca de 2.000 unidades produzidas até 1925.

O ritmo de crescimento da empresa era frenético. Em 1929, a Fiat já produzia mais de 1.000 tratores por ano. Três anos depois, a marca lançava sua primeira escavadeira, a 700C.

O 700C foi o primeiro trator com esteiras no lugar das rodas (reprodução/Internet)

Em 1939, a Fiat lançava o 40 Boghetto, popularmente conhecido como Cingolato. O modelo levava o sobrenome de Fortunato Boghetto, inventor de um engenhoso sistema que permitia o funcionamento do motor com qualquer combustível entre etanol, querosene, diesel, gasolina e gás natural).

O Cingolato trazia um sistema que permitia abastecê-lo com vários tipos de combustível (reprodução/Internet)

A produção foi suspensa em 1944 devido à falta de matéria prima e à ocupação dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Mesmo assim, os italianos desenvolveram um projeto secreto sem o conhecimento dos alemães.

Era o Fiat 50, um trator com esteiras no lugar das rodas que começou a ser produzido no pós-Guerra, em 1946.

O 25 R trouxe a cor laranja à linha de tratores da Fiat (reprodução/Internet)

O Fiat 25R foi um dos marcos da história da Fiat no segmento de tratores. Identificado pela cor laranja (que seria adotada nos projetos da marca até 1983), o modelo estabeleceu a Fiat no mercado de máquinas agrícolas na Europa e vendeu quase 45 mil unidades. Em 1957, o FIAT 18 estreava para se tornar o trator mais vendido dos anos 50.

A década de 1960 viu o lançamento de vários modelos sob a marca OM, adquirida pela Fiat nos anos 30. Nos anos 70, a Fiat promoveu uma renovação em toda sua linha, rebatizando versões e aumentando a potência dos motores.

Um dos modelos mais populares (e inusitados) era o 880, que tinha uma cabine desenhada pelos estúdios Pininfarina.

A cabine do 880 foi desenhada pelos estúdios Pininfarina (reprodução/Internet)

Em 1974, a Fiat se juntou à American Allis-Chalmers para criar a Fiat-Allis, uma empresa especializada na produção de tratores de esteiras e escavadeiras que atuou no Brasil, Estados Unidos e Itália.

Três anos depois, a Fiat adquiriu a Hesston (líder em colheitadeiras nos EUA) e a Agrifull, empresa italiana especializada em tratores pequenos. Nascia aí a FiatAgri.

A FiatAllis produziu tratores no Brasil com a marca da Fiat (reprodução/Internet)

O ano de 1982 marcou a chegada da Series 66, formada por tratores com 45 a 81 cv conhecidos por sua capacidade de realizar tarefas com relativa facilidade em fazendas de pequeno e médio portes. A série 90 surgiu em 1984, formada por vários modelos divididos em duas subcategorias – sendo a mais potente delas movida pelo novo motor Fiat-Iveco 8.000.

A década de 1990 trouxe inovações à linha de tratores, como o Steering-o-matic, uma espécie de joystick que substituia os antigos pedais responsáveis por direcionar o trator.

Em 1993, a Fiat adquiriu a Ford Tractors (fundada pela montadora de automóveis como Fordson em 1917) , que já havia comprado a New Holland, uma empresa de equipamentos de forragem, alguns anos antes.

A Fiat Trattori se tornaria a Case New Holland (atualmente rebatizada como CNH), uma empresa sediada em Turim, na Itália, e presente em mais de 170 países.

A New Holland está no Brasil há mais de 40 anos (New Holland/Divulgação)

Fonte: Quatro Rodas

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