Novidades

06 OUT
Teste: Renault Kwid, Jeep Renegade e Honda WR-V caem na trilha

Teste: Renault Kwid, Jeep Renegade e Honda WR-V caem na trilha

O Renegade é um SUV de verdade; já WR-V e Kwid só são chamados assim pelas montadoras (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Acreditar em propagandas é igual falar com estranhos: não é recomendável, mas muita gente faz. De olho na popularização dos utilitários esportivos, Honda e Renault resolveram vender seus últimos lançamentos (o monovolume WR-V e o hatchback compacto Kwid) como SUVs.

As marcas se defendem citando a Portaria nº 522 do Inmetro, a qual define todo veículo com ângulo de ataque de 23°, altura livre do solo de 18 cm e ângulo de saída de 20° como um fora de estrada compacto.

Sendo assim, compramos o discurso das montadoras e levamos os dois modelos para encarar um SUV que carrega a tradição Jeep para um lugar onde eles se sentem à vontade – ou deveriam: a terra.

Único SUV entre os três, o Renegade passou pelos obstáculos sem grandes problemas (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Vale frisar que não se trata de comparativo: o objetivo era descobrir se Kwid e WR-V realmente conseguem fazer o mesmo que um autêntico SUV (no caso, o Jeep Renegade) faz. Mas para equilibrar a briga convocamos um Renegade Limited só com tração dianteira.

Escolhemos uma pista dentro do Haras Tuiuti, no interior paulista, repleta de obstáculos, como tanque de areia, pedras e a “caixa de ovos” – uma área formada por erosões alternadas que fazem o carro afundar de um lado para o outro.

Desviamos apenas dos trechos mais severos (indicados apenas para tração 4×4), como as descidas acentuadas ou o fosso de lama. É um traçado difícil, mas qualquer veículo utilitário, como uma picape média, pode superar.

WR-V teve suas limitações; suspensão é a mais dura entre os três (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Começamos pela caixa de areia. Apesar da superfície fofa, nenhum deles sofreu para atravessá-la. Depois partimos para as pedras – e aí começaram os problemas.

Analisamos cuidadosamente o trajeto e removemos as pedras mais altas para evitar danos severos à parte inferior dos veículos. Se não fosse isso, dificilmente o Kwid conseguiria atravessar a pista de pedras ileso.

Dono da maior altura livre do solo (21 cm), o WR-V raspou o protetor de cárter em algumas ocasiões, mas cumpriu a prova sem grandes problemas. Embora não tenha a maior altura do solo, o Renegade venceu as pedras com facilidade, especialmente por ter pneus mais altos.

A prova da rampa só comprovou nossa expectativa: nenhum deles chegaria ao topo sem tração nas quatro rodas – e mesmo assim seria preciso “pegar embalo” para entrar na subida com o motor cheio. Restou a nós partir para o próximo desafio.

Morro acima? Sem tração 4×4 nenhum dos três conseguiu subir (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Foi na temida caixa de ovos que os modelos sofreram mais. Único SUV de verdade da turma, o Renegade mostrou desenvoltura e saiu dos buracos sem dificuldades nas várias vezes em que realizamos o percurso, mesmo sem ter bons ângulos de ataque e saída.

A calibragem da suspensão agrada por não ser excessivamente dura nem muito mole. O resultado é um carro firme nas incursões fora de estrada, absorvendo bem as irregularidades do piso.

O SUV mostrou desenvoltura mesmo quando ficou com uma das rodas no ar – situação comum nas péssimas vias brasileiras. Além dos pneus terem perfil mais alto e serem de uso misto (Kwid e WR-V têm pneus para asfalto), a suspensão independente nas quatro rodas também faz a diferença por ter um curso maior do que os outros.

A boa altura do solo fez o Kwid se virar bem na trilha (Christian Castanho/Quatro Rodas)

A surpresa agradável ficou por conta do Kwid. Além da boa altura livre do solo, os ângulos de ataque (24°) e saída (40°) – são os melhores do trio – jogaram a favor do hatch.

Pequeno e leve (786 kg contra 1.130 kg do WR-V e 1.440 kg do Renegade), o Renault passou pela caixa de ovos praticamente sem raspar o para-choque no chão. Foram poucas as vezes em que precisou recuar para transpor um obstáculo.

A carroceria não torceu excessivamente em quase nenhuma ocasião e a calibragem dura da suspensão pode até ser um pouco desconfortável para o uso urbano, mas se mostrou boa para os terrenos acidentados. Até o motor 1.0 SCe de três cilindros deu conta do recado, bastando dosar o acelerador para não ficar preso.

O WR-V sofreu para passar pelos obstáculos mais difíceis (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Já o WR-V não escondeu suas limitações. A suspensão é a mais dura do trio, maltratando os passageiros em pisos irregulares e fazendo-os sacolejar de um lado para o outro.

A dianteira raspa facilmente nas valetas mais profundas e em duas ocasiões precisamos dar marcha a ré e entrar embalado para seguir adiante. Dos três modelos, foi ele que raspou o assoalho com maior frequência nos morros de terra. Sair dos buracos, em compensação, não foi tão difícil devido aos bons 29° de ângulo de saída.

Ao fim do dia, ficou claro que o Renegade honrou a história da Jeep. Apesar de não ter a valentia (e nem a altura do solo) das versões diesel, ele fez jus ao rótulo de utilitário esportivo e venceu os desafios sem muito esforço, graças ao trabalho da suspensão e dos pneus maiores e de uso misto.

O Honda WR-V provou que está longe de ser chamado de SUV. Trata-se deum modelo feito para quem valoriza mais o visual aventureiro do que sua aptidão off-road, e por isso não deve ser submetido a loucuras.

O Kwid é o mais barato e não parece feito para sair do asfalto, mas mostrou desenvoltura incomum no meio da terra (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Por fim, o Kwid surpreendeu pela valentia inesperada para um popular urbano, acompanhando de perto as estripulias e vencendo obstáculos com a facilidade de um SUV.

Se a sua intenção é encarar uma trilha leve, o Renegade atenderá suas necessidades se você não exagerar. Mas não despreze o Kwid: ele é mais robusto do que parece, fácil de manobrar e chega a praticamente todos os lugares onde o Renegade vai. E nem cobra tão caro por isso.

Saindo do buraco

Um bom ângulo de ataque ou saída pode ajudar a se livrar do aperto

Os três modelos testados e a altura de cada um (Infográfico/Quatro Rodas)

Raspar a parte inferior do para-choque em valetas (e nas trilhas, claro) é normal nos Renegade com motor flex. Indicadas para o off-road, as versões turbodiesel do Renegade têm ângulo deentrada de 30º e saída de 32º.

O Kwid tem o segundo melhor ângulo de ataque da linha Renault: ganha do Captur (23°) e perde para o Duster (30º). O ângulo de saída supera a maioria dos SUVs – e até carros mais caros, como o Discovery Sport e seus 31°.

Assim como o Renegade, o WR-V também bate a parte inferior do para-choque em obstáculos mais altos. O bom ângulo de saída do WR-V quase empata com o Renault Duster (34°), o campeão entre os SUVs.

Teste de pista (com gasolina)

Renault Kwid Intense Jeep Renegade Limited Honda WR-V EXL
Aceleração de 0 a 100 km/h 14,9 s 14,3 s 12,2 s
Aceleração de 0 a 1.000 m 36,6 s – 137,2 km/h 35,4 s – 148,4 km/h 33,7 s – 156,9 km/h
Retomada de 40 a 80 km/h (em 3ª) 8,6 s 6,1 s 6 s
Retomada de 60 a 100 km/h (em 4ª) 14,3 s 8,1 s 6,7 s
Retomada de 80 a 120 km/h (em 5ª) 26 s 10,4 s 8,8 s
Frenagem de 60 / 80 / 120 km/h a 0 16,5/28,9/65,1 m 18,2/31,4/74 m 17/29,4/68,2 m
Consumo urbano 14,7 km/l 9,6 km/l 12,2 km/l
Consumo rodoviário 18,5 km/l 12 km/l 14,8 km/l
Ruído interno (neutro / RPM máximo) 44,7/73 dBA 42/70,4 dBA 36,7/76,2 dBA
Ruído interno (80 / 120 km/h) 66,7/73,2 dBA 62,4/67,6 dBA 59,8/72,5 dBA
Aferição real do velocímetro a 100 km/h 101 km/h 94,5 km/h 96,2 km/h
Rotação do motor a 100 km/h em 5ª marcha n/d 2.000 rpm 2.000 rpm
Preço R$ 39.990 R$ 99.990 R$ 83.400
Garantia 3 anos 3 anos 3 anos
Revisões R$ 1.164 R$ 1.951 R$ 1216,89
Seguro R$ 2.606 R$ 4.809 R$ 3.558
Veredicto Talvez a Renault tenha forçado a barra ao chamar o Kwid de “SUV dos compactos”. Mas o hatch surpreendeu: ele passa incólume por buracos profundos e acompanha o ritmo de um SUV 4×2. O Renegade parece baixo demais para um SUV, mas foi bem na trilha. Não é indicado para o fora de estrada radical, mas supera estradas de terra mais difíceis e obstáculos leves sem problemas. O WR-V recebeu até uma nova calibragem da suspensão, mas nada mais é do que uma versão aventureira do Fit. Baixo demais para encarar pedras, ele saiu da trilha com cicatrizes.

Ficha técnica

Kwid Intense Renegade Limited WR-V EXL
Motor flex, diant., transv.,. 3 cil. em linha, 12V, DOHC, 999 cm³, 69 x 66,8 mm, 10:1, 70/66 cv a 5.500 rpm, 9,8/9,4 mkgf a 4.250 rpm flex, diant., transv., 4 cil., 16V, 1.747 cm³, 80,5 x 85,8 mm, 12,5:1, 139/135 cv a 5.750 rpm, 19,3/18,8 mkgf a 3.750 rpm flex, diant., transv., 16V, 4 cil., 1.497 cm3, 73 x 89,4 mm, 11,4:1, 116/115 cv a 6.000 rpm, 15,3/15,2 mkgf  a 4.800 rpm
Câmbio manual, 5 marchas, tração dianteira aut., 6 marchas, tração dianteira aut., CVT, tração dianteira
Suspensão McPherson (diant.) / eixo rígido (tras.) McPherson (diant. e tras.) McPherson (diant.) / eixo de torção (tras.)
Freios discos sólidos (diant.) e tambores (tras.) discos ventilados (diant.) e discos sólidos (tras.) discos ventilados (diant.) e tambores (tras.)
Direção elétrica, 3,5 voltas entre batentes, 10 m (diâmetro de giro) elétrica, 10,8 m (diâmetro de giro) elétrica, 10,6 m (diâmetro de giro)
Rodas e pneus 165/70 R14 225/55 R18 195/60 R16
Dimensões compr., 369 cm, larg., 158,6 cm; alt., 147,4; entre-eixos, 242,3 cm. Porta-malas, 290 l; tanque, 38 l; peso, 786 kg; peso/potência, 11,2/11,9 kg/cv; peso/torque, 80,2/83,6 kg/mkgf compr., 423,2 cm, larg., 179,8 cm; alt., 170,5; entre-eixos, 257 cm; porta-malas, 273 l; tanque, 60 l; peso, 1.440 kg; peso/potência, 10,3/10,6 kg/cv; peso/torque, 74,6/76,6 kg/mkgf compr., 400 cm, larg., 173 cm; alt., 160 cm; entre-eixos, 255 cm. Porta-malas, 363 l; tanque, 45 l; peso, 1.130 kg; peso/potência, 9,7/9,8 kg/cv; peso/torque, 73,8/74,3 kg/mkgf

 

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

18 OUT
Peugeot 5008 chega ao Brasil em 2018

Peugeot 5008 chega ao Brasil em 2018

Dianteira alta, cheia de vincos e com faróis recortados já faz sucesso no 3008 ? e é repetida no 5008 (Divulgação/Peugeot) Mesmo diante de um momento difícil no Brasil, onde a crise econômica se soma ao baixo volume de vendas, a Peugeot quer mostrar que não dará as costas ao país. Logo após a chegada do (bem sucedido) 3008 e da mudança de transmissão nos compactos 208 e 2008, a marca já anuncia mais um importante lançamento, o... Leia mais
18 OUT
Aston Martin revela DB11 conversível com motor AMG

Aston Martin revela DB11 conversível com motor AMG

Conversível equipado com motor V8 da AMG tem velocidade máxima de 301 km/h (Divulgação//Aston Martin) A Aston Martin divulgou imagens e informações do novo DB11 Volante. O elegante conversível é o segundo modelo da marca equipado com motor Mercedes-AMG – o primeiro foi justamente o DB11 cupê, que pode vir com o mesmo V8 do conversível ou um V12. O V8 biturbo (o mesmo motor do Mercedes-AMG GT S) tem 510 cv, suficientes para fazer o... Leia mais
18 OUT
Hilux ganha versão flex manual e série especial Challenge

Hilux ganha versão flex manual e série especial Challenge

Visual esportivo marca a nova série Challenge, de R$ 161.990 (Divulgação/Toyota) Embora Hilux e SW4 sejam os líderes de suas respectivas categorias, os modelos ainda tinham lacunas a serem preenchidas. Para a linha 2018, a Toyota supriu estas falhas com a chegada de duas novas versões: uma flex com câmbio manual (veja o teste do modelo com câmbio automático aqui) para a picape e uma topo de linha flex para o SUV. A série especial... Leia mais
17 OUT
Em corrida de Uno com escada, Fiat revelará nome do Argo sedã

Em corrida de Uno com escada, Fiat revelará nome do Argo sedã

Estes seis Uno de vários anos e fases diferentes revelarão nome de novo sedã compacto (Reprodução/Youtube) Existem carros rápidos, como o Bugatti Chiron, o Koenigsegg Agera RS e o Pagani Huayra. E existem os incrivelmente rápidos, como o Fiat Uno com escada no teto. A Fiat usará uma corrida com seis unidades deste mito para revelar o nome definitivo da versão sedã do Argo – o Projeto X6S. A corrida será divulgada na próxima... Leia mais
17 OUT
Mercedes-Benz Classe S, conforto de primeira classe

Mercedes-Benz Classe S, conforto de primeira classe

A reestilização foi tão sutil que é difícil notar os novos faróis e o para-choque redesenhado (Dieter Rebmann/Mercedes-Benz) Até quem não gosta de carros sabe identificar um Mercedes-Benz. Essa fama mundial se deve em grande parte ao Classe S. A nomenclatura adotada desde 1972 (quando o W116 chegou às ruas) vem do alemão “Sonderklasse”, ou “classe especial”, em português. Esse nome nunca fez tanto sentido quanto em sua... Leia mais
17 OUT
Chevrolet S10 celebra 100 anos das picapes GM com edição especial

Chevrolet S10 celebra 100 anos das picapes GM com edição especial

Produção da picape será limitada, segundo a Chevrolet. Na dianteira, até a tradicional gravata deu lugar a um logotipo exclusivo (Divulgação/Chevrolet) A Chevrolet apresenta uma edição especial da S10 em comemoração aos 100 anos de produção de picapes no mundo. A S10 100 Years será vendida por R$ 187.590 – uma diferença de R$ 6 mil a mais do que a versão High Country, a qual serviu de referência para a série... Leia mais