Motocicleta está exposta no National Motorcycle Museum do jeito que foi encontrada (National Motorcycle Museum/Internet) Quem conhece a história das motocicletas já deve ter ouvido falar na Amazonas, um exótico projeto brasileiro movido por motores Volkswagen. Mas ela não foi a única: a Von Dutch XAVW está aí para provar o contrário. Antes de falar desta raríssima motocicleta é preciso saber quem foi Von Dutch. Nascido Kenny Howard, ele era um dos maiores especialistas em pinstripe, a arte de pintura à mão livre utilizada em projetos de personalização de vários tipos de veículos. Além do talento manual, Kenny “Von Dutch” Howard também possuía um vasto conhecimento em mecânica de motos, e isso lhe ajudou a criar projetos incríveis. Projeto foi feito sobre uma Harley-Davidson XA extensamente modificada (National Motorcycle Museum/Internet) Um dos mais famosos foi justamente a tal Von Dutch XAVW. A base foi a Harley-Davidson XA, uma moto raríssima que teve apenas 1.000 unidades produzidas. Movida por um motor de 740 cm3 com 23 cv a 4.500 rpm, ela rodava com desenvoltura por vários tipos de terreno – inclusive na terra. Nada mais apropriado para uma motocicleta feita para participar de atividades militares. Quando Von Dutch adquiriu uma XA 1941 na metade dos anos 60, ele rapidamente pensou em fazer alterações. Uma delas foi a troca do conjunto frontal original por um vindo da Moto Guzzi Falcone, cuja suspensão frontal tinha um garfo telescópico invertido – uma revolução naquela época. Presidente do National Motorcycle Museum, John Parnham posa ao lado da Von Dutch XAVW (National Motorcycle Museum/Internet) A principal mudança, no entanto, foi feita no motor. O antigo boxer de 740 cm3 foi substituído por um motor de 1.200 cc refrigerado a ar, originalmente utilizado em modelos como Fusca e Karmann-Ghia. A potência de 34 cv pode não parecer muito nos dias atuais, mas era uma evolução e tanto frente à cavalaria do conjunto Harley-Davidson. A adaptação não foi nada simples de ser realizada. Além de alterar largura e altura do quadro da motocicleta para acomodar um motor bem maior, Von Dutch confeccionou um adaptador para conectar motor à transmissão e encurtou o eixo cardã. Garfo foi só uma das partes modificadas por Von Dutch na XAVW (National Motorcycle Museum/Internet) Outras peças também foram substituídas. O tanque de combustível veio de uma Honda CB450 e o sistema de escapamento de oito polegadas feito de aço inoxidável seria originalmente da Triumph TRW. Após pintá-la inteiramente de preto, Von Dutch exerceu sua arte e fez um belíssimo trabalho de pinstriping por toda a motocicleta. O toque final foi a colocação de um logotipo Volkswagen – só para não deixar dúvidas de que aquela não era apenas uma Harley-Davidson personalizada. Logotipo VW colado no tanque indica que há algo de diferente nesta moto (National Motorcycle Museum/Internet) O projeto finalmente foi concluído em 1966. Algum tempo depois, Von Dutch vendeu sua criação a Ed “Big Daddy” Ross, colega de longa data e outra lenda do pinstriping. Pouco tempo depois ela foi repassada para Randy Smith, construtor de motocicletas personalizadas, que realizou uma leve restauração na XAVW em meados dos anos 70. As informações sobre a moto, porém, pararam por aí. O paradeiro da rara motocicleta permaneceu desconhecido até 2012, quando o restaurador Mike Wolfe (apresentador da série “Caçadores de Relíquias”, exibida no Brasil pelo canal de televisão por assinatura History Channel) foi procurado por um indivíduo do Tennessee que dizia ter a bendita XAVW.
Assim que chegou ao local, Wolfe não pensou duas vezes e adquiriu a motocicleta por US$ 21 mil. Se você achou o valor alto demais para uma moto, basta lembrar que estamos falando de um exemplar único no mundo inteiro. Justamente por ser uma raridade é que os novos proprietários optaram por não restaurá-la, deixando-a exatamente no estado em que foi encontrada. Hoje, a Von Dutch XAVW encontra-se exposta no National Motorcycle Museum, situado em Anamosa, no estado norte-americano de Iowa. Bônus: Amazonas, a criação brasileira que espantou o mundo Motocicleta utilizava motor 1.600 de Fusca e peças de vários carros (reprodução/Internet) O brasileiro Luiz Antonio Gomi sempre tinha problemas quando saía para passear com sua Harley-Davidson. Cada passeio era uma nova dor de cabeça, e ele precisava recorrer aos amigos (principalmente seu colega José Carlos Biston), que passavam na casa de Gomi para pegar as chaves de seu VW Fusca para socorrê-lo. Foi aí que surgiu a ideia de instalar o motor Volkswagen em uma motocicleta. Aproveitando peças de motos Harley-Davidson e Indian, Gomi e Biston adaptaram um conjunto de 1.500 cm3 de origem VW. Várias adaptações foram realizadas durante a instalação, incluindo a instalação de uma alavanca exclusivamente para a marcha a ré para não confundir o motociclista, já que as demais marchas eram trocadas como em qualquer moto. O câmbio, que originalmente era da Brasília, foi trocado pela caixa do Gol. A embreagem era monodisco e o trambulador era comandado a cabo, tendo sido desenvolvido exclusivamente para ser utilizado no lado esquerdo da Amazonas. Moto tinha até marcha a ré, acionada por uma alavanca exclusiva (reprodução/Internet) A suspensão traseira, por sua vez, tinha um par de molas auxiliares paralelas às originais. Na frente, os engenheiros instalaram dois amortecedores de direção do Fusca próximos aos telescópicos dianteiros. O sistema de freios tinham dois discos de Ford Corcel na dianteira e apenas um atrás. As pinças vinham da VW Variant e o cilindro mestre era do Fusca. Anúncio da época ressaltando as qualidades da Amazonas; moto foi fabricada até 1988 (reprodução/Internet) A estrutura combinava pedaços dos quadros de uma Harley-Davidson e de uma Indian 1200 de 1950. Toda a parte inferior foi construída de forma artesanal e recebeu homologação do Instituto de Pesquisas Tecnológicas da USP. Já o farol retangular vinha do caminhão Mercedes-Benz 608 D. O painel de instrumentos incluía velocímetro e conta-giros vindos do Puma e uma luz vermelha se acendia quando o condutor engatava a marcha a ré. O porte avantajado e o bom desempenho credenciavam a Amazonas à escolta policial (reprodução/Internet) O lançamento comercial, porém, só ocorreu após a venda do projeto ao grupo Ferreira Rodrigues, em 1978. Disponível em três versões (com destaque para a Militar Luxo, uma versão voltada para uso policial que pesava 380 kg) e até com motorização movida a álcool (uma inovação para a época), a Amazonas tinha 2,32 metros de comprimento e distância entre eixos de 1,67 metro. O motor 1.5 foi trocado por um de 1,6 litro com 56 cv.
Apesar do porte avantajado, a moto era relativamente ágil, precisando de 8,7 segundos a 10,3 segundos para acelerar de 0 a 100 km/h, segundo informações da revista Moto. Não demorou muito para a Amazonas se tornar notícia pelo mundo. A motocicleta foi exportada para vários países, como Japão, França, Suíça, Alemanha e Estados Unidos. Moto fez sucesso e acabou exportada para Europa, Ásia e América do Norte (reprodução/Internet) Sua produção foi encerrada em 1988 e uma série especial de apenas seis motos foi produzida no ano seguinte – uma despedida digna para um dos projetos mais ousados e inusitados já feitos no Brasil.
Fonte:
Quatro Rodas
Von Dutch XAVW: uma Harley-Davidson com motor de VW Fusca
Mais Novidades
08 OUT
Jeep confirma e Renegade híbrido surge no início de 2020
Na reestilização, o farol de led e piscas ficam mais afastados (Divulgação/Jeep)No dia 1º de junho, a Fiat Chrysler Automobiles (FCA) apresentou planos de longo prazo para as inúmeras marcas sob seu guarda-chuva.No caso da americana Jeep, os projetos contemplavam, entre outros, a criação de uma variante plug-in híbrida do Renegade. Agora a marca dá mais detalhes e confirma que o SUV ecologicamente correto será vendido no começo de 2020.No meio desse ano, a FCA revelou planos de...
Leia mais
08 OUT
Ônibus autônomo em Paris tem controle de Xbox para emergências
O veículo é totalmente envidraçado e aproveita a ausência de motorista (Rodrigo Ribeiro/Quatro Rodas)O Expo Porte de Versailes, local onde é realizado o Salão de Paris, conta com diferentes pavilhões separados por distâncias consideráveis para serem cobertas a pé. Por conta disso, há esteiras, elevadores e, neste ano, até um ônibus autônomo para fazer o transporte de passageiros.QUATRO RODAS andou no inusitado Trapizio, veículo desenvolvido pela francesa Navya e que já é usado...
Leia mais
08 OUT
Comparativo: VW Passat e Toyota Camry se enfrentam
O visual ousado do Toyota Camry contrasta com o retilíneo VW Passat (Christian Castanho/Quatro Rodas)As rádios de músicas antigas têm um desafio constante. Algumas optam por ter na programação só clássicos das décadas passadas, enquanto outras incluem hits atuais para atrair ouvintes mais novos.O segmento de sedãs executivos fora da tríade Audi-BMW-Mercedes enfrenta uma situação similar: Honda e Toyota seguem uma escola mais conservadora com o Accord e Camry, com menos ousadias,...
Leia mais
08 OUT
Longa Duração: Renault Kwid continua com problemas de ruídos
Amassado, defletor de calor do escape ficou barulhento (Renato Pizzuto/Quatro Rodas)A ventoinha cujo acionamento gera vibração e ruído muito (mas muito) acima da média, alterando até a rotação de marcha lenta do motor já é o item campeão de reclamações no Kwid. O problema é que essa lista vem aumentando.“Não consigo ver sentido no sistema de abertura do tampão traseiro que a Renault adotou no Kwid. Não há nenhum tipo de trava nos pontos de apoio e o pressionamento que a...
Leia mais
08 OUT
Melhor Direção: Que perguntas fazer antes e depois do test-drive
O test-drive de um veículo é um momento importante durante o processo de compra. Por isso, é essencial tirar todas as suas dúvidas para que você possa aproveitar ao máximo esse primeiro contato com o produto.O vendedor é treinado para te ajudar, então não deixe passar nenhuma dúvida. Pergunte se o modelo que você irá guiar é igual ao que você deseja, e quais as diferenças entre as versões caso não seja.Questione o percurso do test-drive que você fará, quem irá lhe acompanhar...
Leia mais
08 OUT
Ford Ranger tem redução de preço em todas as versões
Dependendo da configuração, desconto vai de R$ 1.100 até R$ 25.400 (Christian Castanho/Quatro Rodas)Na terceira posição entre as picapes médias no acumulado de vendas do ano – atrás de Toyota Hilux e Chevrolet S10 –, a Ford Ranger ganha incentivos para enfrentar as rivais do segmento. Eles mexem diretamente no bolso: a Ford reduziu o preço de todas as versões da picape.O maior destaque da nova tabela é a configuração 2.2 Diesel XLS automática 4×2. Ela baixou dos R$ 151.890...
Leia mais