Como diz o ditado: cachorro velho, novos truques. É isso que a Volkswagen espera do “novo” Gol. O hatch, que foi o carro mais vendido do Brasil por quase 30 anos, acaba de receber, pela primeira vez, um câmbio automático.
Para apagar a má impressão da antiga transmissão automatizada I-Motion, a Volks escolheu uma caixa convencional, com conversor de torque e seis marchas, que já equipa os “primos” Polo, Virtus e Golf.
O Gol, no entanto, será o carro automático mais barato da marca. Oferecido em versão única, custa R$ 54.580, e traz o kit de itens básicos para um carro novo, composto por ar-condicionado, vidros e travas elétricas e direção hidráulica.
Sim, o Gol é um dos poucos carros que oferecem assistência hidráulica, enquanto a maior parte dos modelos já conta com direção elétrica, mais leve. Ainda há outros aspectos em que o hatch se mostra ultrapassado.
Completo por R$ 60 mil
Alguns dos itens que deixam o Gol mais interessante são opcionais. A lista inclui sensor de estacionamento, volante com regulagem de altura, alarme, retrovisores na cor do veículo e com ajustes elétricos, vidros elétricos traseiros, rodas de liga leve de 15 polegadas e farol de neblina. O pacote com todos eles custa R$ 3 mil.
Para ter a central multimídia são necessários outros R$ 2.100 para o melhor modelo.
No fim das contas, o Gol mais completo sai por R$ 59.680, apenas R$ 3 mil a menos que o Polo com o mesmo conjunto mecânico.
O Polo "básico" oferece menos equipamentos. No entanto, pesam a favor do novato um projeto bem mais moderno, com mais espaço e itens de segurança.
Como anda?
Além do câmbio, o Gol também herdou o motor 1.6 de 16 válvulas do Polo.
São 120 cavalos, em vez de 104 cv do 1.6 8V do Gol manual. Além dos 16 cv adicionais, o torque é 1,2 kgfm maior, de 16,8 kgfm.
O G1 avaliou o Gol automático por uma semana. No primeiro contato, foi possível notar que o “casamento” entre motor e câmbio é harmonioso.
A caixa, fornecida pela japonesa Aisin, sabe aproveitar a força do motor em todas as faixas de rotação. Outro aliado é o baixo peso, de apenas 1.040 kg.
O resultado da equação: carro leve mais motor eficiente é um hatch ágil e gostoso de dirigir. O Gol parece sempre pronto para entregar mais desempenho.
Uma ressalva é que, em algumas situações de uso urbano, o câmbio parece “ficar em dúvida” entre manter a segunda marcha, ou passar para a terceira. Fora isso, as mudanças são bastante suaves.
Caso o motorista queira, ainda pode fazer, ele mesmo, as trocas, seja na alavanca, ou nas aletas atrás do volante. Ainda há um modo Sport, que faz as mudanças em rotações mais elevadas. Falando em esportividade, a suspensão rígida, marca registrada da Volkswagen, foi preservada no hatch.
Velhos vícios
A atual geração do Gol completa 10 anos em 2018. Ainda que tenha acabado de ganhar cara nova, vinda da Saveiro, a idade já avançada deixa alguns vícios evidentes.
O mais perceptível, como já dito, é a direção hidráulica, mais pesada do que aquelas com assistência elétrica, presente em praticamente todos os rivais.
Mesmo comparando com o Hyundai HB20, a outra má exceção, as manobras são mais penosas no Gol.
Outras características podem parecer insignificantes, mas, somadas, acabam deixando o Gol atrás da concorrência.
É o caso das palhetas dos limpadores, que não são do tipo flat-blade (que "varrem" melhor a água), do ajuste de altura do banco, que só eleva a parte posterior do assento, e dos painéis de porta, com “cicatrizes” nos buracos da manivela do vidro e do pino da trava. Por fim, os porta-objetos são poucos e pequenos.
Conclusão
A chegada do câmbio automático ao Gol é tardia. Toda a concorrência já oferece esse tipo de câmbio, e o hatch, que foi pioneiro em algumas tecnologias, como a motorização flex, pode acabar perdendo espaço.
Ainda assim, no fim das contas, ele é uma boa alternativa aos que não se importam com um projeto mais antigo, e têm a verba limitada.
Mas essa situação não deve durar muito tempo, afinal uma nova geração está a caminho, e deve chegar em 2020. Até lá, a Volkswagen torce para que o Gol se mantenha firme entre os carros mais vendidos do país (hoje é o quinto colocado).
Seu maior desafio, porém, será dentro da própria concessionária Volkswagen, com uma ameaça chamada Polo ao lado.